Vanderlei Cordeiro de Lima aposta em brasileiros e não tem mágoa de Atenas 2004

Vanderlei: medalha Pierre de Coubertin pelo espírito olímpico (Foto: Adrian Dennis/Getty Images)
Vanderlei: medalha Pierre de Coubertin pelo espírito olímpico (Foto: Adrian Dennis/Getty Images)

Vanderlei Cordeiro de Lima esteve bem perto de inscrever seu nome na galeria dos grandes campeões da prova nobre dos Jogos Olímpicos, a maratona.

O palco era, simplesmente, a capital grega, Atenas, em 2004.

Após ter percorrido 35 dos 42 quilômetros previstos, o brasileiro liderava a corrida, quando se deu a cena impensável: Vanderlei foi atacado pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan (veja abaixo).

O desequilibrado invadiu a pista e o jogou para fora, muito perto da conquista da medalha de ouro.

Ajudado por torcedores, seguiu correndo, mas o incidente o desconcentrou e fez com que fosse ultrapassado nos quilômetros finais por dois competidores.

Restou-lhe a medalha de bronze, que foi comemorada como se tivesse conseguido o ouro: Vanderlei não lamentou a agressão, entrou no estádio fazendo corações para a torcida, festejando ter completado a prova.

Pelo alto grau de esportividade e o espírito olímpico demonstrado, o atleta brasileiro recebeu a medalha Pierre de Coubertin, a maior distinção concedida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e tornou-se o único latino-americano a receber a outorga.

Entrevistado pela Revista dos Clubes, Vanderlei relembra o fato e também fala das chances do Brasil novamente subir ao pódio, nos Jogos do Rio de Janeiro.

Solonei da Rocha já está classificado para disputar os Jogos Olímpicos do Rio. Ele é a grande esperança brasileira de medalha na maratona?

Vanderlei: O Solonei está muito focado, vai chegar aos Jogos no auge de sua forma física e mental. Ele tem uma trajetória de vida muito inspiradora, é um guerreiro, vai à busca de uma medalha. O Brasil terá ainda mais dois atletas (classificados por índice), acostumados com o clima e apoiados pela torcida. Estarei torcendo para que um brasileiro suba ao pódio, no Rio de Janeiro.

Hoje, o que você sente ao recordar 29 de agosto de 2004?

Vanderlei: Participar dos Jogos Olímpicos de Atenas foi a realização de um grande sonho, resultado de muito esforço, treinos e privações que fazem parte da rotina de atletas profissionais. Eu sonhava em participar dos Jogos Olímpicos. Foi uma grande alegria poder representar o Brasil e estar em contato com atletas do mundo todo. Participar das olimpíadas anteriores (Atlanta e Sydney) me deu experiência e motivação para chegar a Atenas. Para mim, a Olimpíada não ficou marcada pelo episódio do manifestante irlandês e, sim, pela conquista da medalha, que era meu sonho. Eu já o perdoei pelo que fez. Batalhei muito para chegar lá e nada iria me impedir de terminar a prova. Fico feliz de ter atingido meu objetivo.

Qual o significado de ser o único brasileiro a receber a medalha Pierre de Coubertin do COI?

Vanderlei: Sinto-me um atleta realizado por ter participado e ganhado a medalha em Jogos Olímpicos. Receber a medalha Pierre de Coubertin do COI foi uma grande satisfação e reconhecimento. Fico feliz de saber que servi de exemplo para muitas pessoas. É um orgulho enorme ter essa medalha.

Como esse episódio influenciou a sua carreira?

Vanderlei: Acho que minha determinação e força de vontade inspiraram muitas pessoas, fico muito satisfeito com isso. Eu soube aproveitar bem a única oportunidade que tive na vida, que foi o atletismo. O segredo é acreditar no sonho e não desistir nunca. Outro bom exemplo que quero dar aos brasileiros é o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima (IVCL), que tem sede em Campinas. Essa é a realização de outro sonho meu: oferecer para jovens de baixa renda condições de acesso à educação e cultura. Além de selecionar talentos, o IVCL tem como missão contribuir para a ampla formação de crianças, utilizando o esporte como meio para crescimento e desenvolvimento individual e coletivo.

O irlandês maluco

Olimpíada de Atenas: Vanderlei é atacado quando liderava a maratona (Foto: AFP/Getty Images)
Olimpíada de Atenas: Vanderlei é atacado quando liderava a maratona (Foto: AFP/Getty Images)

Antes de se atracar com Vanderlei Cordeiro de Lima, Cornelius Horan, vestido com os trajes irlandeses que usaria depois, em Atenas, entrou correndo na pista do Grande Prêmio de Silverstone de Fórmula 1, em 2003, com os carros a 280 km/h, empunhando um cartaz que ordenava: “Leiam a bíblia!”.

Ficou preso por dois meses. Pouco antes da Olimpíada, em 2004, Horan repetiu o desatino ao invadir o Derby de Epsom, tradicional corrida de cavalos da Inglaterra.

Por ter empurrado Vanderlei, o ex-padre, expulso da Igreja Católica inglesa, foi condenado a um ano de prisão e multa de 3 mil euros.

Horan fez algumas aulas de português para pedir desculpas ao atleta brasileiro. Vanderlei o perdoou, mas eles nunca conversaram.

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