Uso de anti-inflamatórios para aliviar dores antes de treinos ou provas gera riscos

Foto:Shutterstock
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Nabil Ghorayeb*

O assunto é polêmico entre os esportistas que defendem e os que são totalmente contra o uso de anti-inflamatórios nas várias provas esportivas mundo afora.

O tema voltou a ser debatido porque aumentou o número de atletas se automedicando, sem ter um cuidado maior.

Recente pesquisa mostrou que os anti-inflamatórios não hormonais (que não são derivados de cortisona) também são vendidos ilegalmente (sem receita médica).

Encontramos no comércio de anti-inflamatórios duas formulações mais comuns.

Os derivados dos hormônios esteroides, como a cortisona.

Os modernos não esteroides, usados como coadjuvantes nos tratamento de lesões inflamatórias ortopédicas, ginecológicas e outras, mas com prescrição médica bem definida.

Para entender o que alertamos, vamos começar pela dor que é um verdadeiro alerta espetacular da natureza, pois a sua presença nos avisa de que algo errado ou ruim está acontecendo.

Imagine que ao abolir a dor poderemos ficar sem saber, por exemplo, que temos uma distensão muscular, tendinite, artrite e outras doenças que irão piorar com a continuidade de um exercício.

Sem dúvida teremos um risco enorme das lesões se transformarem em irreversíveis.

O que está ocorrendo?

Mesmo sabendo que é uma medicação com vários efeitos colaterais sérios e que apenas um médico pode prescrevê-los, virou moda tomar anti-inflamatório no início de uma prova esportiva para não sentir dores.

Hoje em dia tem sido usada a capsula gelatinosa com anti-inflamatório potente, algo totalmente desnecessário.

Os efeitos no coração e aparelho cardiovascular são conhecidos: facilita o surgimento de arritmias, permite elevação da pressão arterial e, em alguns casos, até isquemia cardíaca (angina ou infarto).

O uso indiscriminado de anti-inflamatórios causa danos no fígado e nos rins a médio e longo prazo, podendo provocar cirrose hepática e a temida insuficiência renal representada pela uremia.

Alertamos de modo insistente: nunca se automedique, principalmente para dores ou outros sintomas.

O correto é parar a atividade física e procurar sempre um médico do esporte para suas dúvidas clínicas e de medicação, e um nutricionista nas dúvidas alimentares e de suplementação.

Amigos e “terapeutas sem diploma” não têm conhecimento científico e sabem de ouvir falar.

Cada caso é um caso, imagine. Cansou, doeu? Então pare!

Sua saúde é mais importante que uma medalha.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMU-SP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br 

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