Correr, nadar, dançar… Começar a treinar na terceira idade é possível

Foto: Shutterstock
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Gustavo Luz*

Quando falamos em atividade física para pessoas da terceira idade, é importante, antes de tudo, saber quem é esse idoso que vai treinar.

Algumas pessoas tendem a associar atividade física para essa faixa etária somente à hidroginástica e ao pilates, que são excelentes atividades, como outras também são.

Entretanto, o praticante pode ter sido lutador e gostar de lutar, ou corredor ou nadador, e preferir voltar a praticar esses esportes.

Essas experiências precedentes influenciam muito na escolha e no sucesso da atividade como promotora da qualidade de vida.

O mais importante é ter orientação e saber como dar os primeiros passos. 

Veja alguns aspectos sobre cinco atividades que são boas opções para qualquer idade:

  1. Dança: é uma atividade física que pode ter várias intensidades de acordo com cada um. Além de trabalhar o corpo e a coordenação, são altamente indicadas para uma socialização com outras pessoas.
  1. Natação:é bastante segura e com baixo risco de lesão, trabalha a coordenação e o ritmo de respiração. Se o idoso já tiver praticado o esporte anteriormente, melhor ainda. Os nados crawl, peito e costas são mais fáceis de aprender e mexem a musculatura de uma forma global.
  1. Corrida: por que não correr? Quase todo mundo pode correr, se seguir um plano bem orientado e que respeite e acompanhe as evoluções. Não existe idade para começar a correr, encare isso como uma oportunidade.
  1. Hidroginástica:é um trabalho de força e equilíbrio que pode trazer excelentes adaptações musculares. E, como é praticada com mais de metade do corpo na água, se torna uma ótima sugestão para quem tem algum problema com equilíbrio.
  1. Musculação:é uma atividade coringa. Pode ser facilmente ajustada para um trabalho específico em qualquer parte do corpo. Como os pesos dos aparelhos e halteres são graduados, uma progressão bem suave pode ser feita. Para os iniciantes, os aparelhos podem ser mais eficientes nesse primeiro momento. Mas com o ganho gradual de força e prática, uma boa sugestão é fazer alguns exercícios com peso livre também.

*GUSTAVO LUZ
É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor técnico da G-LUZ Top Team vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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Exercício moderado três vezes por semana é a receita ideal após os 60

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Nabil Ghorayeb*

Na corrida de São Silvestre foram muitas as imagens de senhores e senhoras com idades avançadas cruzando a linha de chegada. Será que vale para todos? Em parte, é verdade, pode-se dizer.

A proporção de pessoas com idades superiores aos 60 anos está crescendo no mundo, principalmente pelo avanço da prevenção nos cuidados e nos tratamentos disponíveis, especialmente para essas pessoas de mais idade.

Os tratamentos multidisciplinares, que têm crescido em número e qualidade, formam a eficiente terapia da moda.

Em relação às causas, já existe concordância (surpreendente) de que o sedentarismo está fortemente associado ao crescimento das doenças crônicas mesmo nos idosos, fato que foi comprovado por pesquisas científicas em cardiogeriatria, nos últimos anos.

O envelhecimento a partir dos 50 a 60 anos é acompanhado pela diminuição de desempenho – flexibilidade, coordenação motora, força muscular e velocidade.

A capacidade funcional cai 8% a cada década, a partir dos 30 anos.

Pessoas saudáveis na faixa dos 70 e 80 anos têm menor força muscular estática e dinâmica em até 40%.

Chega a 33% a quantidade de pessoas com mais de 65 anos absolutamente paradas ou sedentárias extremas nos Estados Unidos.

E treinamentos com pesos (musculação) é algo insignificante nessa mesma população pesquisada.

As doenças crônicas diminuem a capacidade física e mental, comprometem o indivíduo, profissional e socialmente e o levam à dependência familiar e pública, o que na vida prática brasileira não se sabe como resolver, ainda mais nesses tempos de recursos escassos para todos.

Recentemente, a ciência revelou que o genoma humano está configurado para ambiente de muita atividade física.

Novos parâmetros já são conhecidos na prevenção, pois corrida ou ciclismo moderado a 70% do consumo máximo de oxigênio, três vezes por semana de 30 a 40 minutos, chega a elevar em quase 20% esse valor.

O que significa enorme conquista no desempenho.

Podemos reverter muito das perdas do envelhecimento apenas com atividade física regular e orientada por profissionais de educação física e fisioterapeutas.

Ou seja, conseguimos ter a  diminuição do risco cardiovascular (acidente vascular cerebral ou encefálico, do infarto do miocárdio, hipertensão arterial e diabetes), menor obesidade, diminuição da osteoporose, de quedas e fraturas espontâneas, depressão psicológica, melhora importante da habilidade, flexibilidade, agilidade e até diminuição do aparecimento de certos tipos de câncer.

Para tratamentos não consagrados pela ciência fale com seu médico para não cair em enganos que te arrependerão.

E a prática esportiva?

Como já escrevemos em comentários anteriores, pode ser praticada após bem detalhada avaliação médica, que deve se iniciar pelo especialista em cardiologia e passar pelo ortopedista também com especialização no esporte.

Esse conhecimento é muito importante para prevenir os riscos. Se o envelhecimento é inevitável, está lógico que devemos agir contra seus efeitos ao longo do tempo.

*Nabil Ghorayeb: www.cardioesporte.com.br    
Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUCSP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP , Chefe da Seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, Especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, Médico Sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, Coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. 

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