Pesquisas mostram que sono na medida certa é bom e faz falta, principalmente entre esportistas

 

Nabil Ghorayeb*

 

Todos sabem que para controlar as doenças cardiovasculares precisamos de boas medicações, dieta organizada e saudável e atividades físicas.

 

Porém, a falta crônica de sono, e mesmo a má qualidade dele, seja por fatores clínicos, desde doenças menos graves, como problemas de acordar algumas vezes durante a noite por causa de uma hipertrofia benigna da próstata e outras, como a insuficiência cardíaca descompensada que provoca falta de ar ao se deitar, podem ser um problema para os atletas, segundo um estudo espanhol.

 

Uma pesquisa feita na Espanha com 4.000 voluntários, com média de 46 anos de idade e sem cardiopatias, liderada pelo Dr. Jose Ordovás e publicada em janeiro de 2019, na JACC, poderosa revista de cardiologia norte americana, descobriu que os que dormiam menos de seis horas por noite tinham 27% a mais de chance de ter aterosclerose em todo corpo, do que os que dormiam sete ou não mais de oito horas por noite.

 

O mais surpreendente foi que pessoas que dormiam muito, principalmente mulheres que dormiam mais de oito a nove horas, também eram mais propensas a problemas cardiológicos.

 

Os que tinham má qualidade de sono tiveram 34% mais de problemas cardiológicos.

 

Por coincidência, a famosa Cleveland Clinic publicou no seu site recomendações sobre um sono de qualidade, pois calculou que 100 milhões de americanos não têm um sono adequado e reconfortante.

 

A pergunta de quanto de sono é necessário, feita pela Fundação Nacional do Sono do EUA, chegou a um valor médio de seis horas e 40 minutos por noite na semana, e de quase oito horas nos fins de semana, e isto representava que as pessoas mais usavam internet ou traziam trabalhos para casa do que dormiam.

 

Umas das consequências desse estudo foi a de que os que dormiam menos tinham baixas performances físicas, dificuldades cognitivas e até depressão e isto refletia no trabalho e no lazer.

 

A irritação e decisões confusas tiveram um aumento acentuado nesse grupo que dormia menos.

 

Nos, esportistas, se não houver um sono reconfortante, procure ajuda médica para corrigir as causas.

 

Lembre-se que a nossa capacidade física piora e, com isso, se eleva o risco de aparecimento da aterosclerose em quem não existiria essa possibilidade.

 

O uso de medicações alternativas milagrosas não é confiável.

 

As medicações tarja preta devem ter limite de tempo de uso para não se tornar dependente delas.

 

Tratamentos psicoterápicos são opções frequentes, porém, costumamos lembrar que ainda o velho e bom exercício físico regular tem servido de opção para descarregar as tensões do dia a dia, permitindo um bom sono com a ressalva de que ao treinar à noite, evite ir dormir logo em seguida do treino.

 

Espere pelo menos 60 minutos para ir dormir, desligue a TV, IPAD celular e outras mídias.

 

Não use cafeína e derivados e assim para poder dormir o tão almejado sono reconfortante.

 

*Nabil Ghorayeb: formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

Excesso de exercício faz mal à saúde da criança? Fisiologista responde

Foto: Shutterstock
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Turíbio Barros*

Excesso de exercício faz mal à saúde da criança?

Essa dúvida, certamente, faz parte das preocupações que frequentemente afetam os pais.

Na realidade, o exercício físico só pode causar problemas à saúde da criança em uma única circunstância: quando um adulto impõe, para não dizer obriga, que a criança cometa exageros esportivos.

Se for dada à criança a liberdade de realizar atividade física de forma espontânea, o risco de excesso nunca existirá.

Enquanto a criança realiza atividade física de acordo com suas próprias regras absolutamente não haverá tal exagero.

O problema pode passar a existir quando os adultos interferem na atividade física das crianças.

Quando o profissional é competente e dotado do conhecimento necessário para a adequada orientação, a interferência do adulto pode ser extremamente positiva.

Por outro lado, quando essa orientação é direcionada de maneira até obsessiva para melhora da performance em determinadas modalidades esportivas, podemos ter sérios problemas.

Por mais que a criança manifeste até certo entusiasmo pela prática de um determinado esporte, devemos ter cuidado com os programas de treinamento aplicados precocemente.

Não é raro que um entusiasmo exagerado apareça à medida que a criança percebe que a expectativa de sucesso em competições esportivas provoca uma resposta ansiosa por parte dos pais.

Muitas vezes, existe a situação de a criança estar se envolvendo em uma atividade esportiva e ter como objetivo principal satisfazer a expectativa dos pais.

Nessa circunstância, qualquer insucesso trará enorme frustração e muitas vezes o abandono da prática esportiva.

As modalidades esportivas que dependem principalmente de força e potência muscular devem ser orientadas de forma muito cuidadosa.

A aplicação precoce de exercícios de desenvolvimento da massa muscular, se não for muito bem orientada, respeitando os limites impostos pela fase de crescimento e desenvolvimento, poderá interferir de maneira bastante prejudicial à saúde.

A atividade esportiva ideal para a criança é aquela que se caracteriza pelos seguintes aspectos:

  • seja realizada com prazer pela criança, sem imposição dos pais;
  • se caracterize, predominantemente, por exercícios aeróbicos de intensidade moderada e preferencialmente com um componente lúdico;
  • seja desenvolvida espontaneamente ou orientada por profissionais competentes;
  • tenha como objetivo principal a socialização e o desenvolvimento da saúde física e mental.

*TURÍBIO BARROS

Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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Descubra os cinco mitos sobre a dor muscular do dia seguinte

Foto: Shutterstock
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Turíbio Barros*

A dor muscular decorrente do exercício é um sintoma frequente para os praticantes das diversas modalidades.

Mesmo quem não pratica esporte ou exercícios formais, certamente, já vivenciou aquela dor que geralmente aparece ou se intensifica principalmente no dia seguinte de uma exigência física de maior intensidade.

E isso mesmo se for de natureza laboral.

Essa dor que, atualmente, tem várias denominações, como dor do dia seguinte, dor de início tardio, ou, como tem sido chamada nos Estados Unidos “Fitness Pain”, sempre foi fruto de muitas controvérsias e também de vários estudos científicos.

Podemos discutir essas controvérsias, caracterizando cinco mitos sobre sua natureza e sua incidência em diferentes tipos de indivíduos:

1 – A dor é causada por acúmulo de ácido láctico

Este é um mito já bastante discutido e felizmente já bem esclarecido.

Com certeza, a dor tardia do exercício não tem nenhuma relação com o acúmulo de ácido láctico nos músculos.

A dor do ácido láctico ocorre durante e imediatamente após o exercício e tem uma natureza bem diferente.

Este acúmulo de ácido láctico é metabolizado em um curto espaço de tempo, após o término do exercício, não causando nenhum efeito tardio.

2 – Se não houver dor no dia seguinte o treino não teve efeito

Com certeza, não procede.

A dor tardia ocorre, principalmente, quando se altera alguma rotina, como intensidade do exercício, natureza do movimento e grupos musculares solicitados.

A maioria dos benefícios do treinamento não está associada com o processo inflamatório que provoca a dor muscular tardia.

3 – Quanto mais treinado você estiver menos dor tardia vai sentir

É certo que sentimos menos dor tardia quando nosso corpo se adapta progressivamente às solicitações dos treinos.

Entretanto, toda vez que alterarmos novamente carga de treino e grupos musculares solicitados, a dor pode voltar a aparecer mesmo em indivíduos já treinados.

4 – A dor muscular é um quadro que devia ser evitado

Na verdade, a dor tardia é um processo regenerativo dos músculos e tem natureza essencialmente fisiológica, não causando nenhum dano ao organismo.

O que se deve evitar é um quadro de magnitude exagerada pela incapacidade funcional que ele possa provocar.

Ninguém vai concordar em amanhecer “totalmente travado” no dia seguinte de um exagero cometido, mas, de qualquer forma, o processo regenerativo vai restabelecer a integridade funcional sem deixar nenhuma sequela.

5 – O alongamento pré e pós diminui a dor muscular

Esta é uma premissa sem nenhuma comprovação científica.

O alongamento é uma solicitação que deve fazer parte de um programa de condicionamento físico, por melhorar uma qualidade física importante que é a flexibilidade.

Porém, alongar antes e ou depois dos exercícios não abole nem atenua a eventual dor tardia.

*TURÍBIO BARROS

Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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Alongar antes de correr prejudica o atleta de longa distância, diz estudo

Foto: Shutterstock
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Turíbio Barros*

A polêmica e as controvérsias sobre os efeitos do alongamento continuam a marcar presença em várias publicações, tanto as de caráter científico como as publicações que refletem opiniões pessoais, fruto de experiências práticas.

Na realidade, atualmente, absolutamente não existe consenso a respeito dos benefícios do alongamento, tanto para melhora de performance como para prevenção de lesões.

Quando consultamos a literatura científica sobre o assunto, encontramos muita dificuldade para obter orientações sobre o tema que possam contribuir para esclarecer as principais dúvidas sobre o procedimento, inclusive sobre a principal delas: devemos alongar ou não, antes de correr?

Uma interessante revisão sobre o motivo foi recentemente publicada por um grupo de pesquisadores da Inglaterra, especificamente voltada para a análise dos efeitos do alongamento para os corredores de longa distância.

Impact of stretching on the performance and injury risk of long-distance runners, cuja tradução é: Impacto do alongamento sobre a performance e o risco de lesões de corredores de longa distância.

Os autores fizeram uma extensa revisão do assunto, analisando dezenas de artigos científicos publicados nos últimos anos.

As conclusões, apesar de não poderem ser consideradas as palavras finais sobre o tema, são bastante interessantes:

– Os corredores precisam ter certa limitação de flexibilidade para não prejudicar a economia de corrida, portanto o excesso de alongamento prejudica o desempenho.

– Alguns autores identificaram a presença de um gene associado com inflexibilidade em corredores de elite.

– Mais uma vez é enfatizada a ausência de comprovação científica dos afeitos do alongamento para prevenir lesões.

– O alongamento realizado imediatamente antes de correr parece realmente prejudicar o desempenho do corredor de longa distância.

Os autores sugerem que se faça um aquecimento antes de correr, e não um alongamento dos músculos dos membros inferiores.

Essas conclusões certamente são polêmicas, principalmente porque o alongar antes de correr se tornou um hábito incorporado à rotina de quase todo praticante de corrida.

Entretanto, quando encontramos um artigo como esse, que é uma revisão de literatura, devemos entender que as conclusões não expressam a opinião pessoal dos autores, e sim o que os artigos científicos, fruto de estudos controlados apresentam como evidências.

Referência: Research In Sports Medicine vol 25, 2017 issue 1

*TURÍBIO BARROS
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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Ciência do exercício mostra que atividade física é o “remédio” para evitar doenças

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Turíbio Barros*

Incluir exercícios físicos como parte dos hábitos de vida saudável pode ser considerado um fato relativamente recente.

Devemos considerar que essa necessidade passou a existir na medida que a evolução dos recursos tecnológicos, diretamente relacionados à vida moderna, causou um impacto reduzindo sensivelmente o nível de atividade habitual dos moradores dos grandes centros urbanos.

O exercício físico passou a ser visto como um “remédio” necessário para evitar as doenças crônico-degenerativas associadas com o sedentarismo.

Com essa necessidade, praticamente nasceu a “Ciência do exercício”.

O conhecimento científico sobre os benefícios do exercício passou a ser disseminado, e obrigou a praticamente todos os profissionais que trabalham nas áreas da saúde se atualizarem sobre esta área de conhecimento.

Agora, cada vez mais, esse tipo de informação passa também a ser consumido pela população e, nos meios de comunicação proliferam-se matérias sobre os novos conhecimentos que a ciência produz.

Um indicativo recente desse fato é uma edição especial da famosa revista americana “Time” que circula nos Estados Unidos, com um volume totalmente dedicado às informações científicas recentes sobre exercícios físicos.

A edição especial tem exatamente o título de “A Ciência do Exercício” e publica artigos escritos por autoridades americanas da área, com uma linguagem que sensibiliza até os indivíduos mais resistentes a adotar o exercício como hábito.

É interessante destacar o nome de alguns dos artigos desta edição, que ilustra o quanto esta área de conhecimento evoluiu.

A Incrível Medicina do Movimento, A Nova Ciência do Exercício, A Verdade a Respeito da Perda de Peso, Como Combater a Dor Muscular, Sete Maneiras de Motivar a Fazer Exercício, Como Fazer Exercício Quando Não Se Tem Tempo, A Verdade Sobre Correr, etc.

Essa publicação é mais uma evidência de que a prática de exercícios é um hábito que deverá ser definitivamente incorporado à vida de qualquer pessoa, que acena com a perspectiva de que poderemos viver mais e melhor.

*TURÍBIO BARROS
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com

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Aliada, musculação não é obrigação, nem única saída para fortalecer o corredor

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Gustavo Luz*

A musculação não deve ser encarada como uma atividade acima do bem e do mal para os corredores.

Ela tem a sua importância e, dependendo do objetivo, pode ser grande aliada para você encarar seus desafios.

Mas você pode não gostar de malhar e preferir fazer outra atividade complementar, ou não ter tempo para nada disso, é correr e olhe lá.

Fique tranquilo.

Não malhar não significa que você vá se machucar.

Se você consegue fazer musculação de forma regular, talvez a sua corrida seja feita sob uma base mais firme e sólida (que é o seu corpo).

Seus músculos tendem a ficarem mais resistentes e, com isso, se o seu negócio é desempenho e velocidade, talvez passe a ter a capacidade de tolerar um treinamento mais intenso.

Mas se a sua “vibe” é uma corrida mais recreativa, a musculação pode ser um fator de segurança que gera confiança para encarar as primeiras passadas.

Se não curte malhar e prefere fazer apenas outra atividade complementar à corrida, não tem problema, vá em frente.

Atualmente o corredor tem várias opções, como por exemplo, o pilates, que veio para ficar e desenvolve um belo trabalho de alongamento e força; os sistemas de treinamento funcional, que estão avançando e se solidificando (com vários exercícios voltados para os corredores); os treinos na areia, com movimentos de saltos, zigue-zagues, agachamentos e piques; ou mesmo um ou outro exercício simples de agachamento com ou sem uso de elásticos em casa mesmo.

Mas você não consegue nada além do tempo para treinar corrida?

Existem coisas na sua vida que podem não mudar, e pode ser que você tenha que correr pelo resto da vida sem malhar.

E não precisa se preocupar? Não!

A maior causa dos machucados nos corredores é o excesso de treinos, não a falta de musculação ou algo complementar.

Existe uma quantidade de treino que seu corpo pode absorver.

E treinar acima desses limites produz progressivamente menos performance.

Fique atento ao equilíbrio entre as práticas esportivas e as coisas que você faz durante o dia.

Tenha a sensibilidade de identificar a quantidade de musculação que faz bem para você.

É importante ter tempo para descansar desses treinos e cuidados para se alimentar de forma mais criteriosa.

Treinar musculação demais pode atrapalhar o período de descanso da corrida e, com isso, uma atividade que teria vindo para somar no ganho de condicionamento pode atrapalhar o seu desempenho nas pistas.

*GUSTAVO LUZ

É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor técnico da G-LUZ Top Team vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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Suplementação desacelera perda de massa muscular de idosos, diz estudo

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Os suplementos são nutrientes que podem garantir benefícios funcionais para atletas e praticantes de atividades físicas e, cada vez mais, são utilizados também como recursos para atender necessidades especiais dentre as quais as decorrentes do envelhecimento.

Na literatura científica, encontramos várias evidências desses benefícios, e uma delas chama bastante atenção pela relevância dos resultados do estudo.

Um estudo multicêntrico que reuniu pesquisadores de várias universidades da Europa investigou os benefícios da administração de suplementos nutricionais para um grupo de idosos, mensurando variáveis sensíveis aos efeitos da perda de massa muscular com o decorrer do envelhecimento.

Os voluntários do estudo consumiram durante 13 semanas um suplemento nutricional composto de três nutrientes: Whey Protein, Leucina e Vitamina D.

As avaliações realizadas durante o acompanhamento dos idosos no período do estudo mostrou resultados impressionantes.

Os idosos que consumiram os suplementos nutricionais diariamente durante as 13 semanas, obtiveram, mesmo sem realizar exercícios físicos:
– Aumento de força.
– Aumento de massa muscular.
– Melhora funcional em testes de equilíbrio.

Vale ressaltar que o estudo foi muito bem elaborado, com um número significativo de idosos voluntários, e um grupo controle que não consumiu os suplementos e não apresentou nenhuma melhora funcional durante o mesmo período.
Estes resultados valorizam a importância dos suplementos nutricionais como complemento da dieta, ainda mais quando nos deparamos com notícias alarmantes de adulteração dos alimentos e prejuízo do seu valor nutricional.

Referência: JAMDA 16 (2015) 740-747
* Colaboração: Dra. Gerseli Angeli

*TURÍBIO BARROS
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. 
www.drturibio.com

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Vale treinar em jejum? Corredor deve usar suplemento?

Foto: Shutterstock
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Gustavo Luz*

Para perder peso, é preciso tratar a alimentação e os exercícios com a mesma disciplina.

É fundamental ser constante.

Assim como não é provável fazer um único “longão” e ter um bom resultado na meia maratona, não dá pra ficar na dieta apenas alguns dias por semana.

Deslizes fazem parte, mas concentre-se na sua meta.

Confira abaixo duas informações importantes que podem te ajudar na hora de tomar importantes decisões.

Vale treinar em jejum?
Não.

Muitos corredores saem para correr todos os dias sem combustível, apesar da ciência ter mostrado claramente que as refeições ou lanchinhos pré-corrida aumentam os níveis de energia e melhoram a performance.

Alguns argumentam que simplesmente não conseguem correr depois de comer, nem que seja algo leve.

Outros correm pela manhã e não querem acordar ainda mais cedo para dar tempo de fazer a digestão.

Mas você não precisa de um banquete para obter energia: uma torrada, um pedaço de fruta ou um pote de iogurte já o ajudarão a treinar com mais força e melhor desempenho.

Todo corredor precisa de suplemento alimentar?
Não.

Nas lojas de suplementos, de artigos esportivos e até nas farmácias, a oferta é vasta e tentadora: “Acelera a recuperação muscular”, “Maior disposição e resistência aeróbica”, “Mais energia”, afirmam os rótulos dos produtos.

Suplementos podem ajudar sim, e muito.

Mas, antes de pensar em algo “extra”, o corredor deveria se preocupar em manter uma alimentação balanceada.

Para a grande maioria, os nutrientes necessários para uma boa performance podem estar no prato.

Nenhum comprimido compensa uma dieta alimentar pobre ou um estilo de vida sedentário.

GUSTAVO LUZ
É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor técnico da G-LUZ Top Team, vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

Praticar exercício físico tem sido um dos melhores fatores contra o AVC

Foto: Shutterstock
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Nabil Ghorayeb*

O assunto AVC (acidente vascular cerebral) ganhou notoriedade.

Muitas pessoas leram, opinaram e discutiram o acidente de Dona Marisa Letícia em meio à política nacional, já que uma pessoa pública foi vítima da “lesão”.

Vamos nos ater aqui única e exclusivamente à gravidade do AVC, segunda causa de morte e de sequelas (paralisias e coma) nas mulheres no Brasil.

A primeira causa é o infarto do miocárdio.

As causas mais comuns que podem causar um AVC são conhecidas: hipertensão arterial (em geral não controlada nem valorizada), tabagismo, vida sedentária, níveis elevados de colesterol, diabete, obesidade e por fim estresse emocional.

Mas em quem e quando pode ocorrer?

Não há dados que nos orientem quanto a isso, mas, sem dúvida, esses fatores de risco presentes numa pessoa, principalmente mulher, e não convenientemente controlados por mais ou menos 20 anos, facilitam o desencadeamento de um infarto do miocárdio ou de um AVC, que pode ter duas formas de se apresentar.

AVC ISQUÊMICO

O chamado AVC isquêmico (mais comum) é quando uma artéria do pescoço ou do cérebro se obstrui por um pequeno trombo (coágulo) ou placa de gordura, provocando a total falta de irrigação de sangue no cérebro.

Esse tipo de AVC causa menos mortes, mas deixa mais pessoas com sequelas, com paralisias diversas e dificuldades de deglutição e fala.

O tratamento na maioria dos casos é para o resto da vida.

AVC HEMORRÁGICO

O AVC hemorrágico se dá quando uma artéria se rompe no lugar onde sua capa está mais fina (suas paredes são mais fracas) ou onde exista uma dilatação local (como se fosse uma bolha fina, conhecida como aneurisma).

Ele pode ter se originado na infância ou se formar na idade adulta, e seu tratamento é cirúrgico com bons resultados na maioria dos casos.

Seu rompimento na maioria das vezes é súbito e nem sempre previsível.

Pode ocorrer em jovens e até em esportistas regulares.

RECOMENDAÇÕES

Como fazer então?

A primeira recomendação é corrigir os fatores de risco.

Tenha certeza que a atividade física regular tem sido um dos melhores procedimentos para auxiliar nestas correções.

Quem pratica exercícios regulares acaba por evitar o tabagismo; melhora o controle do diabete e da hipertensão arterial; permite controle mais fácil dos níveis elevados de triglicérides; provoca elevação do colesterol bom (HDL) (infelizmente não modifica o ruim (LDL)); contorna a obesidade e melhora o bom astral, fator espetacular para uma vida saudável.

A certeza de que pouco ou nada vaí acontecer depende basicamente desse controle, da regularidade dos bons hábitos e, sem dúvida, da herança genética de cada um, mas a medicina tem percebido que, se houver plena atenção com a saúde, o AVC pode ser evitado.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMUSP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br 

Treinar de casaco emagrece? Grávidas podem correr? Educador físico explica

Foto: Shutterstock
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Gustavo Luz*

Quando começamos a correr e a conhecer pessoas que também correm, observamos que algumas questões e dúvidas pairam com certa frequência nas rodas de corredores dos mais diferentes níveis.

Escolhemos alguns assuntos que constantemente geram dúvidas para responder com objetividade.

 Correr de casaco ajuda a emagrecer?
Isso pode até fazer com que os ponteiros da balança baixem um pouco, mas não porque você está mais magro e sim porque eliminou água.

Você está literalmente secando, não emagrecendo.

Ao induzir o excesso de transpiração, colocando mais casacos, você corre o risco de ficar desidratado e comprometer o seu treino.

Emagrecer é queimar gordura, e correr com uma roupa adequada e confortável é uma ótima forma de fazer isso.

É preciso fazer musculação para não se machucar?

Não. Você pode ser um corredor (dos bons) e não malhar.

O que machuca os corredores, na maioria das vezes, é o excesso de treino.

Talvez a musculação o deixe mais forte e resistente em alguns aspectos (desde que você tenha tempo para se recuperar de mais essa atividade).

Mas respeitar os limites do corpo é a melhor forma de não se machucar.

E existem outras atividades alternativas como dança, yoga, pilates e crossfit, por exemplo, que também podem ajudar a prevenir lesões.

Grávidas podem correr?

Sim. Correr durante a gravidez pode trazer muitos benefícios para a mãe, desde que o médico libere a gestante para a prática da atividade.

No geral, quem ainda não corre, não deve começar nesse período.

Mas as corredoras têm boas chances de receber sinal verde para continuar treinando.

Entretanto, nessa situação, o treino deve se tornar uma atividade leve e relaxante.

*Gustavo Luz

É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor-técnico da G-LUZ Top Team, vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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