Sempre (só) aos domingos

Pesquisa aponta que prática de atividade física de modo intenso, somente uma vez por semana, aumenta em quase três vezes o risco de complicações ortopédicas e cardíacas

Foto: Shutterstock
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Nabil Ghorayeb*

Foi música de filme famoso nos anos 60, hoje é titulo do nosso post.

Sem dúvida, o sedentarismo que atinge 80% da população deve ser fortemente combatido, porém com opções possíveis de serem seguidas por todos.

Desde para a criança como até o mais longevo, a atividade física deve ser estimulada.

As pesquisas consistentes pelo mundo afora seja de médicos como de outros profissionais da saúde, liderada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), mostram redução das doenças crônicas degenerativas e até comportamentais, nos indivíduos chamados de ativos.

Em relação a internações e faltas ao trabalho os números mostram 35% a 40% de aumento desses itens nos sedentários, para tratamento dessas mesmas doenças nos ativos.

As despesas com saúde caem brutalmente onde a população é mais ativa segundo estudo mundial dos fatores de risco conhecido como Interheart.

A nossa Sociedade Brasileira de Cardiologia, pelo seu Departamento de Exercicio, Esporte e Reabilitação Cardiovascular (DERC) tem debatido profundamente a atividade física e o esporte nos Congressos de Cardiologia.

Bem e quem só se movimenta aos domingos ?

Sabemos que qualquer decisão de se mexer é benéfica, mas se for só aos domingos e de modo intenso, o risco de complicações ortopédicas e cardíacas chega a aumentar 2,7 vezes, segundo pesquisa publicada no JAMA (Journal of American Medical Association).

Se for sempre aos domingos, então, caminhe apenas e não espere resultados espetaculares, serão modestos, mas melhores do que ficar parado!

O recomendado é no mínimo três vezes por semana de 60 minutos ou 30 minutos diariamente, com velocidade das caminhadas ao redor de 100 metros por minuto.

A avaliação médica para simples caminhadas não deve ser um obstáculo, mas não custa conhecer suas condições clinicas mínimas, numa consulta simples e um eletrocardiograma.

Mais intensidade ou esportes, aí sim inclua o teste ergométrico com um médico presente SEMPRE.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista  em  Cardiologia  e Medicina do Esporte e mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

Visite o portal do Sindi-Clube e saiba mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Cuidado, praticar exercício gripado pode gerar dor muscular, anemia e até arritmias

ATLETA GRIPADO

Nabil Ghorayeb*

Seguindo um treinamento à risca, o atleta está preparado para a competição, porém não é invencível para muitas doenças.

Num inverno, mesmo não tão rigoroso, o atleta deve manter-se resguardado, principalmente das viroses, como o resfriado comum e a gripe.

Com frequência, as pessoas acreditam não ser esses males nenhum empecilho ao seu desempenho físico, muitas achando que, suando, vão melhorar mais rapidamente da leve doença.

E por aí vão muitas crendices populares.

Na verdade, é um conceito errado e perigoso.

O esportista com alguma virose não deve participar, em hipótese alguma, de provas esportivas ou atividades físicas.

Além de estar com sua condição física rebaixada, corre o risco de ter complicações no organismo, de dores, distensões musculares e anemia, até as importantes arritmias cardíacas.

Sabemos pela fisiologia que o excesso de exercício físico (muitas horas por dia) tende a diminuir a imunidade do atleta, isto é, a resistência geral deste organismo.

Por isso, a recomendação de acompanhamento médico para evitar estes quadros de debilidade com os exageros de treinamento.

É comum atletas terem infecções ou outras lesões justamente antes das competições.

A melhor forma de preveni-las é através de boa reeducação alimentar e um ritmo de treinamento orientado por especialistas (em geral, professores de educação física ou técnicos diplomados), com uma avaliação médica especializada previamente.

O medo de ser cortado da equipe, ou mesmo a frustração de estar fora de uma competição, leva inúmeros atletas a esconderem uma virose, arriscando-se a desenvolver problemas muito mais sérios como inflamações da tireoide ou dos pulmões ou da garganta e até do coração.

Atletas foram excluídos do grupo porque estavam com arritmias cardíacas e outras alterações do miocárdio, porém, numa análise mais acurada, verificou-se que tinham tido uma infecção viral das suas vias aéreas (garganta e/ou pulmões) dias antes, fato que não revelaram aos seus médicos.

Vale a pena relembrar que infecções virais, na maior parte das vezes aparentemente simples, não devem ser ignoradas pelos esportistas, nem pelos seus médicos.

Aguardar a cura total é o recomendado sempre.

O reinício das atividades físicas deve ser gradativo e sem pressa, mesmo para atletas profissionais.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte, mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

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