Mitos e verdades sobre a queima de gordura durante o exercício

Gerseli Angeli e Turíbio Barros*

Queimar gordura durante a atividade física é um dos objetivos mais prevalentes entre os praticantes de exercícios físicos.

Entretanto, existem informações equivocadas que prejudicam e até desestimulam, principalmente os iniciantes.

Uma delas é a de que só começamos a queimar gordura certo tempo após o início do exercício.

Não se sabe de onde surgiu a informação de que só após 20 minutos de exercício começamos a queimar gordura.

O indivíduo com vida pregressa de inatividade já fica desanimado em pensar que somente depois de caminhar quase meia hora é que ele estaria começando a reduzir sua gordura corporal.

Na realidade, esta informação absolutamente não procede.

Ao iniciar uma atividade física, os músculos imediatamente elevam seu metabolismo para aumentar a produção de energia incrementando o gasto calórico.

O tipo de nutriente que vai ser utilizado para a queima calórica é sempre uma mistura de carboidrato e gordura.

Logo no início do exercício a mistura tem mais carboidrato do que gordura, entretanto nos exercícios de intensidade moderada, mas gradualmente a utilização da gordura vai aumentando.

Quando o exercício é de boa tolerância, rapidamente a queima de gordura prevalece em relação à utilização dos carboidratos, o que inclusive contribui para que o exercício possa se prolongar.

O que também é importante ressaltar é a necessidade de quantificar a eficiência do exercício para a redução do peso corporal através do gasto calórico total da atividade realizada.

Mais uma vez, vale lembrar que o importante é gostar do exercício e praticar por prazer, e não como obrigação.

A perda de peso com redução da gordura corporal vai ser uma consequência natural.

*Turíbio Barros

Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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Descubra os cinco mitos sobre a dor muscular do dia seguinte

Foto: Shutterstock
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Turíbio Barros*

A dor muscular decorrente do exercício é um sintoma frequente para os praticantes das diversas modalidades.

Mesmo quem não pratica esporte ou exercícios formais, certamente, já vivenciou aquela dor que geralmente aparece ou se intensifica principalmente no dia seguinte de uma exigência física de maior intensidade.

E isso mesmo se for de natureza laboral.

Essa dor que, atualmente, tem várias denominações, como dor do dia seguinte, dor de início tardio, ou, como tem sido chamada nos Estados Unidos “Fitness Pain”, sempre foi fruto de muitas controvérsias e também de vários estudos científicos.

Podemos discutir essas controvérsias, caracterizando cinco mitos sobre sua natureza e sua incidência em diferentes tipos de indivíduos:

1 – A dor é causada por acúmulo de ácido láctico

Este é um mito já bastante discutido e felizmente já bem esclarecido.

Com certeza, a dor tardia do exercício não tem nenhuma relação com o acúmulo de ácido láctico nos músculos.

A dor do ácido láctico ocorre durante e imediatamente após o exercício e tem uma natureza bem diferente.

Este acúmulo de ácido láctico é metabolizado em um curto espaço de tempo, após o término do exercício, não causando nenhum efeito tardio.

2 – Se não houver dor no dia seguinte o treino não teve efeito

Com certeza, não procede.

A dor tardia ocorre, principalmente, quando se altera alguma rotina, como intensidade do exercício, natureza do movimento e grupos musculares solicitados.

A maioria dos benefícios do treinamento não está associada com o processo inflamatório que provoca a dor muscular tardia.

3 – Quanto mais treinado você estiver menos dor tardia vai sentir

É certo que sentimos menos dor tardia quando nosso corpo se adapta progressivamente às solicitações dos treinos.

Entretanto, toda vez que alterarmos novamente carga de treino e grupos musculares solicitados, a dor pode voltar a aparecer mesmo em indivíduos já treinados.

4 – A dor muscular é um quadro que devia ser evitado

Na verdade, a dor tardia é um processo regenerativo dos músculos e tem natureza essencialmente fisiológica, não causando nenhum dano ao organismo.

O que se deve evitar é um quadro de magnitude exagerada pela incapacidade funcional que ele possa provocar.

Ninguém vai concordar em amanhecer “totalmente travado” no dia seguinte de um exagero cometido, mas, de qualquer forma, o processo regenerativo vai restabelecer a integridade funcional sem deixar nenhuma sequela.

5 – O alongamento pré e pós diminui a dor muscular

Esta é uma premissa sem nenhuma comprovação científica.

O alongamento é uma solicitação que deve fazer parte de um programa de condicionamento físico, por melhorar uma qualidade física importante que é a flexibilidade.

Porém, alongar antes e ou depois dos exercícios não abole nem atenua a eventual dor tardia.

*TURÍBIO BARROS

Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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