Qual a intensidade ideal do treino para atletas com hipertensão? Médico responde

Nabil Ghorayeb*

A questão envolvendo a intensidade dos exercícios físicos e o atleta com hipertensão arterial tem certo grau de polêmica, mesmo entre a classe médica e os profissionais da saúde que não são médicos.

Há muito interesse em saber o que fazer com seus alunos/clientes que escolhem exercícios de altas intensidades, mesmo muitos deles sendo portadores de hipertensão arterial.

Como se deve proceder é um tema médico, pelos possíveis riscos de arritmias e outras complicações cardíacas, de AVC (acidente vascular cerebral), advindos de excessos nos esportes coletivos e individuais, ou apenas em exercícios em grupos ou com personal e até mesmo na academia.

Sempre se conceituou que o treino de corrida até 10 km e a natação sejam os melhores exercícios para um indivíduo hipertenso.

Para se estabelecer os cuidados recomendados, exige-se a avaliação médica com o eletrocardiograma e, se possível, idealmente, fazer mais exames como o teste ergométrico na presença física do médico como manda a lei, dosagens laboratoriais e o ecocardiograma com doppler colorido.

Após a definição do quadro clínico, a medicação mais indicada não deveria ser diurético e sim outros medicamentos eficientes, que não diminuam a performance, no controle da pressão e, principalmente, também evitem as lesões possíveis de ocorrer no coração, rins e cérebro de um hipertenso não tão bem controlado.

Afinal, quais os níveis que podemos indicar ao educador físico e ao fisioterapeuta?

Recomendamos usar os dados registrados no teste ergométrico feito em uso da medicação anti-hipertensiva para conhecer seus efeitos no controle da pressão como possíveis efeitos colaterais.

Podemos calcular o limite da intensidade nos treinos e provas diretamente pelo numero 195 menos a idade, o que, na verdade, corresponde a 70 % a 85 % da frequência cardíaca máxima (FC max = 220 menos a idade).

A alta intensidade ocorre quando atingimos a frequência cardíaca máxima durante os exercícios físicos, mesmo por instantes, o que não é recomendado aos hipertensos.

Então, qual seria o melhor tipo de atividade física para o hipertenso, que está sendo controlado pela medicação e seguindo as recomendações de emagrecer, diminuir a ingesta de sal visível, como também aquele que está nos alimentos industrializados (grande problema que nos defrontamos)?

Sem dúvida, a prática regular de três a quatro vezes por semana de atividades aeróbicas como caminhadas, corridas, bicicleta e natação, de acordo com suas qualificações físicas, idade e outras doenças coexistentes traz benefícios enormes e visíveis a longo prazo.

Evitar a alta intensidade é o que se deve recomendar, e as exceções devem ser individualizadas com muito critério.

*Nabil Ghorayeb

Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMU-SP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

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Tem problemas cardiovasculares? O Carnaval exige cuidados importantes

Foto: Cintia Erdens Paiva / Shutterstock
Foto: Cintia Erdens Paiva / Shutterstock

Nabil Ghorayeb*

O carnaval chega para todos, e cada um escolhe como aproveitar.

A diversão pode estar na tranquilidade do lar, mas, para muitos, está na folia intensa pelos muitos blocos que arrastam multidões.

Nesta coluna, ajudaremos aqueles que não dispensam uma boa bagunça e, ao mesmo tempo, convivem sob cuidados clínicos.

Pessoas em tratamentos para hipertensão arterial, doença das coronárias (seja depois de uma cirurgia de ponte de safena, de implante de mamária, ou de angioplastia coronária), que estão na fase pós-infarto do miocárdio, em acompanhamento clínico de várias doenças cardiovasculares (sem deixar de lembrar os obesos e diabéticos), primeiramente, devem ter a palavra de seus médicos a respeito dos limites nas atividades físicas.

Essa referência é baseada nos dados de frequência cardíaca e níveis da pressão arterial, conhecidos, principalmente, pelo teste ergométrico prévio feito até mais ou menos seis meses antes.

Álcool
As bebidas alcoólicas podem ser consumidas com limitações.

Considera-se moderado o consumo de até duas taças de vinho ou duas latas de cerveja por dia.

Destilados, em geral, apenas uma dose diária.

Essas bebidas são arriscadas para diabéticos e hipertensos, como também para pacientes cardiopatas mais graves.

A última palavra sempre é a do médico assistente do paciente.

Drogas
Se todas as drogas ilícitas trazem riscos enormes para quem é saudável, imaginem para quem convive com problema cardiovascular.

O melhor é esquecê-las em definitivo.

As lícitas, como energéticos, costumam causar efeitos cardiovasculares quando consumidas em excesso.

Misturadas às bebidas alcoólicas, como a vodca, causa com frequência crises de taquicardia de longa duração.

Os proibidos termogênicos desencadeiam graves arritmias cardíacas.

Alimentos
Independentemente se a farra é em casa ou nos desfiles, abusos alimentares devem ser evitados.

O excesso de sal pode ser um dos principais vilões alimentares do carnaval (está embutido nos alimentos industrializados mais consumidos), além da ingestão de gorduras em geral.

Quanto ao açúcar, deveria ser abolido sempre: definitivamente não é saudável.

Sinais de alerta
Alguns sinais de alerta que devem ser valorizados, como:
– palpitações, mesmo de curta duração;
– falta de ar anormal;
– tonturas;
– vômitos injustificados;
– fortes dores de cabeça;
– dores no peito e braços;
– desmaio.

Os portadores de algum problema médico devem saber aonde ir (pronto socorro mais próximo), em caso de emergência, e também orientar seus acompanhantes, caso não saibam como agir em caso de necessidade.

A perda de tempo pode ser fatal: emergências cardiovasculares devem ser atendidas em poucas horas.

No infarto do miocárdio, o ideal é dar entrada no pronto socorro no máximo em até duas horas após a crise.

Em caso de AVC, o acidente vascular cerebral, em menos de duas horas.

A diversão está aí para ser muito bem aproveitada.

Basta lembrar que cuidados básicos fazem toda a diferença.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMUSP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br    

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