Sair em muitos blocos equivale fisicamente a uma corrida de 10 km

Cardiologista passa recomendações para os dias de folia: "Estar treinado ajuda a suportar os desgastes, mas cada um deve conhecer seus limites”
Cardiologista passa recomendações para os dias de folia: “Estar treinado ajuda a suportar os desgastes, mas cada um deve conhecer seus limites”

*Nabil Ghorayeb

Não é exagero essa comparação: participar das centenas de blocos carnavalescos, que já “pipocam” Brasil afora, equivale fisicamente a uma corrida de mais ou menos 10 quilômetros.

Então, aproveite esses dias antes do carnaval para completar o seu treinamento nos mesmos moldes das corridas.

Desde o preparo nutricional prévio com os treinos feitos dez dias antes até o uso de calçados adequados para evitar lesões.

Não recomendamos usar sandálias ou coisas do gênero, mas sim um tênis confortável.

Em relação ao grande desgaste físico, o consumo de bebidas alcoólicas, na maioria das vezes com energéticos, é fato comum durante a folia.

Por isso, seguem algumas recomendações médicas: procure intercalar para cada lata “padrão” de energético cerca de 300 a 500 ml de água e consuma doces.

Isso mesmo, doce para evitar a hipoglicemia, reequilibrar o metabolismo cerebral tão ávido de glicose e compensar a ingestão de álcool.

Mantenha-se bem alimentado e procure estar com pessoas conhecidas ao seu lado, pois, caso aconteça algum problema, você será acudido.

O desgaste físico é inevitável, recomenda-se que não deixe de se suplementar com BCAA, maltodextrina e isotônicos, como nas corridas longas.

Tenha momentos de descanso para recarregar as baterias.

Os esportistas com alguma doença cardiovascular, seja hipertensão arterial, diabetes, arritmias cardíacas, angina do peito e outras, devem conversar com seu médico sobre seus limites.

Caso não tenha como localizar ou se não tem um médico, atenção ao consumo de álcool e de alimentos salgados.

Os diabéticos devem ter cuidado extremo com o álcool e doces.

As gorduras não causam riscos agudos, são causas de ganho calórico e má digestão.

Estar treinado ajuda a suportar os desgastes, mas cada um deve conhecer seus limites, que não devem ser extrapolados.

Como numa corrida, não perca o controle do seu ritmo e do que está sentindo.

*Nabil Ghorayeb: formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP , Chefe da Seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, Especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, Coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

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Tem problemas cardiovasculares? O Carnaval exige cuidados importantes

Foto: Cintia Erdens Paiva / Shutterstock
Foto: Cintia Erdens Paiva / Shutterstock

Nabil Ghorayeb*

O carnaval chega para todos, e cada um escolhe como aproveitar.

A diversão pode estar na tranquilidade do lar, mas, para muitos, está na folia intensa pelos muitos blocos que arrastam multidões.

Nesta coluna, ajudaremos aqueles que não dispensam uma boa bagunça e, ao mesmo tempo, convivem sob cuidados clínicos.

Pessoas em tratamentos para hipertensão arterial, doença das coronárias (seja depois de uma cirurgia de ponte de safena, de implante de mamária, ou de angioplastia coronária), que estão na fase pós-infarto do miocárdio, em acompanhamento clínico de várias doenças cardiovasculares (sem deixar de lembrar os obesos e diabéticos), primeiramente, devem ter a palavra de seus médicos a respeito dos limites nas atividades físicas.

Essa referência é baseada nos dados de frequência cardíaca e níveis da pressão arterial, conhecidos, principalmente, pelo teste ergométrico prévio feito até mais ou menos seis meses antes.

Álcool
As bebidas alcoólicas podem ser consumidas com limitações.

Considera-se moderado o consumo de até duas taças de vinho ou duas latas de cerveja por dia.

Destilados, em geral, apenas uma dose diária.

Essas bebidas são arriscadas para diabéticos e hipertensos, como também para pacientes cardiopatas mais graves.

A última palavra sempre é a do médico assistente do paciente.

Drogas
Se todas as drogas ilícitas trazem riscos enormes para quem é saudável, imaginem para quem convive com problema cardiovascular.

O melhor é esquecê-las em definitivo.

As lícitas, como energéticos, costumam causar efeitos cardiovasculares quando consumidas em excesso.

Misturadas às bebidas alcoólicas, como a vodca, causa com frequência crises de taquicardia de longa duração.

Os proibidos termogênicos desencadeiam graves arritmias cardíacas.

Alimentos
Independentemente se a farra é em casa ou nos desfiles, abusos alimentares devem ser evitados.

O excesso de sal pode ser um dos principais vilões alimentares do carnaval (está embutido nos alimentos industrializados mais consumidos), além da ingestão de gorduras em geral.

Quanto ao açúcar, deveria ser abolido sempre: definitivamente não é saudável.

Sinais de alerta
Alguns sinais de alerta que devem ser valorizados, como:
– palpitações, mesmo de curta duração;
– falta de ar anormal;
– tonturas;
– vômitos injustificados;
– fortes dores de cabeça;
– dores no peito e braços;
– desmaio.

Os portadores de algum problema médico devem saber aonde ir (pronto socorro mais próximo), em caso de emergência, e também orientar seus acompanhantes, caso não saibam como agir em caso de necessidade.

A perda de tempo pode ser fatal: emergências cardiovasculares devem ser atendidas em poucas horas.

No infarto do miocárdio, o ideal é dar entrada no pronto socorro no máximo em até duas horas após a crise.

Em caso de AVC, o acidente vascular cerebral, em menos de duas horas.

A diversão está aí para ser muito bem aproveitada.

Basta lembrar que cuidados básicos fazem toda a diferença.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMUSP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br    

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