Cuidado! Anabolizantes e hormônios bioidênticos têm mesmo efeito nocivo

Nabil Ghorayeb*

shutterstock_516086428

O combate ao sedentarismo é um assunto muito em voga atualmente.

Muitas pessoas buscam no caminho mais curto o mesmo resultado do caminho mais árduo para ativar o organismo.

Seja na saúde ou em diferentes esferas da vida, pegar a tangente e tentar burlar a lei do esforço sempre traz contratempos.

No que diz respeito ao combate ao sedentarismo, temos a obrigação moral de voltar aos assuntos hormônios (Testosterona, DHEA, GH) e anabolizantes, hoje uma verdadeira epidemia que assola esportistas de todas modalidades e idades.

A Revista Europeia de Cardiologia publicou um artigo de alerta para quem usa os hormônios bioidênticos (que possuem a mesma estrutura química e molecular encontrada nos hormônios produzidos no corpo humano) no tratamento antienvelhecimento.

Intitulado a partir do questionamento “Testosterone: a hormone preventing cardiovascular disease or a therapy increasing cardiovascular events?” (Testosterona: um hormônio que previne doenças cardiovasculares ou uma terapia que aumenta os eventos cardiovasculares?), o artigo afirma que as terapias exógenas (gel e injetáveis), usadas para restaurar os níveis normais de testosterona, não mostraram qualquer benefício com relação à diminuição dos eventos de doenças cardiovasculares.

E pior: têm potencial efeito nocivo.

EXEMPLOS VIVOS

Por coincidência, tivemos a oportunidade de consultar dois casos típicos e extremamente graves.

O primeiro, o de um jovem de 40 anos com antecedentes totalmente sadios, que por sugestão de um amigo instrutor da academia que frequenta em São Paulo, decidiu usar testosterona e anabolizante “puro e sem risco” para ficar mais forte e sentir-se bem.

Em poucas semanas seus níveis de testosterona atingiram grau extremamente perigoso (quase 2000 ng/dl), aliado à hipertensão arterial com comprometimento renal, além de arritmias cardíacas graves.

Esse rapaz ainda usou o hormônio DHEA, orientado por seu instrutor com “precursor da testosterona e sem efeitos colaterais”.

Resultado: com 40 anos, o rapaz teve sua saúde deteriorada e seu organismo desregulado.

Em outro caso, uma senhora de 50 anos, esportista regular por muito tempo, procurou um médico para o tratamento “antiaging” (antienvelhecimento), usando hormônios bioidênticos por meio de gel de testosterona.

A consequência foi o aumento do hormônio em nível patológico, superiores a de um homem, além da elevação do colesterol ruim (LDL) e leve hipertensão arterial, para completar os riscos.

Foi-lhe acrescentada a ingestão de Vitamina D oral, o que fez com que os níveis dessa vitamina atingissem mais do que o triplo do normal, potencializando outros ricos eminentes à sua saúde.

O tratamento “antiaging” é proibido no Brasil, pois carece de consistência científica e indica possíveis danos graves à saúde (câncer e outras alterações cardiovasculares).

O custo desse tratamento não autorizado pode ser ressarcido via Judiciário, por ser proibido pelo Conselho Federal de Medicina e ANVISA.

Insistimos para que se pratique esporte sem uso de drogas ou medicamentos.

Procure um nutricionista de confiança para saber da sua necessidade – ou não – de suplementação, bem como um profissional de educação física para segurança e resultados dos treinos, após a conveniente avaliação médica competente.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, Especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, Médico Sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, Coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br    

Exercícios físicos: como alcançar suas metas e garantir saúde e ânimo em dia

1 (1)Gustavo Luz*

Muitas alterações positivas trazidas pelo exercício podem não ser visíveis no espelho ou na balança logo de cara, nas primeiras semanas.

Muita gente espera perder peso instantaneamente ou ir mais longe e mais rápido em um piscar de olhos.

Mas, se você for persistente e treinar com inteligência, é bem provável que alcance as suas metas sem ter que fazer nada de extraordinário.

Confira abaixo quatro conceitos que podem te ajudar a aumentar a qualidade do seu treinamento:

Saúde em dia
Não há dúvida. A prática regular de atividade física melhora a saúde e fortalece o sistema imunológico. Com a quantidade certa de exercício, você tende a ficar menos doente e a desacelerar a queda da imunidade, natural com o passar dos anos. Mas a “quantidade certa” pode ser bem menor do que a que você de fato faz.

Equilíbrio
Exercitar-se de forma sadia está relacionado a encontrar um equilíbrio. O treino e o estilo de vida devem ser sustentáveis para se ter sucesso. Isso significa treinar e fazer progresso, sem problemas regulares por excesso de treino.

Injeção de ânimo
Pesquisas mostram que exercícios “injetam energia” no sistema imunológico para o combate de infecções bacterianas e virais, e reduzem a liberação de hormônios relacionados ao estresse. A dose certa de exercícios regulares tem um efeito cumulativo que fortalece o sistema imunológico a longo prazo.

Recuperação
Os eventuais danos de competições isoladas podem ser compensados com treino sensato, dieta e recuperação. Podemos recuar quando sinais de alerta estão presentes, e a recuperação pode se tornar relativamente rápida. Se você está adoecendo ou se machucando com frequência, reduza a quilometragem e a intensidade dos treinos por um tempo.

*GUSTAVO LUZ
É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 18 anos. Diretor técnico da G-LUZ Top Team vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

Visite o portal  e curta a página do Sindi-Clube no Facebook para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Aplicativo recompensa prática diária de atividades físicas com milhas aéreas

print movaA prática de atividades físicas, além de ajudar o corpo e a saúde,  agora pode render viagens para quem tem o hábito de se exercitar frequentemente.

O aplicativo Mova Mais recompensa seus usuários com milhas aéreas para estimulá-los a ter uma vida mais saudável.

Funciona da seguinte forma: o Mova Mais recolhe informações de outros aplicativos vinculados (RunKepper, Map My Run e Strava), que controlam o quanto você se exercita.

Com isso, o programa obtém a quantidade – em minutos – de esportes realizados nas últimas 24 horas e vê se você atingiu sua meta.

Inicialmente, o usuário precisa executar 30 minutos diários de corrida, caminhada ou pedalada.

É importante que isso seja fiscalizado pelos aplicativos.

Conforme as metas são cumpridas, o tempo aumenta e isso gera uma pontuação que, futuramente, é convertida em milhas para trocar em passagens de avião.

O Mova Mais ainda está em fase de testes.

Segundo seus fundadores, precisa de tempo para conseguir inserir mais modalidades de atividade e expandir a troca de prêmios para diárias em hotel, ingressos de cinema, equipamentos esportivos, churrasqueiras, entre outros.

Já são mais de 20 mil usuários inscritos.

Visite o portal do Sindi-Clube e curta nossa página no Facebook para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Corrida: o motor do coração

corredores_generica_large_103

Nabil Ghorayeb*

Quem corre sabe: apertar o passo exige que o coração aumente o fluxo de sangue para todo o corpo.

As fibras do músculo se fortalecem e a cavidade aumenta.

Dessa forma, ele bombeia mais sangue com menos batidas, tornando-se mais eficiente.

Está aí a forte relação entre o coração e a corrida – comprovada por vários trabalhos científicos que mostram o valor do exercício na prevenção de doenças cardiovasculares.

Um recente estudo britânico constatou que a prática regular de atividade física ajuda a proteger o coração – ainda que iniciada tardiamente, após os 40 ou 50 anos.

O trabalho, publicado na revista científica Circulation, mostrou que pessoas que fizeram duas horas e meia de atividade moderada por semana apresentaram índices menores de marcadores inflamatórios no sangue.

A presença deles em grande quantidade é associada a um aumento nos riscos de problemas cardiológicos.

A pesquisa contou com a participação de mais de quatro mil pessoas e foi conduzida por cientistas da University College London, em Londres.

A descoberta não é inédita, uma vez que outros estudos já haviam comprovado os imensos benefícios do exercício para o coração.

Um deles acompanhou seis mil pessoas por um período de seis anos e concluiu que aqueles que tiveram um menor desempenho em teste ergométrico realizado na esteira apresentaram um risco de morte quatro vezes maior.

Mais exercícios, menos doenças
Apesar de os trabalhos apontarem a atividade física como uma importante ferramenta para a prevenção e controle das doenças cardiovasculares, a preguiça para fazer exercícios ainda é um grande problema – seja por falta de segurança nas ruas e parques ou pelo alto custo de clubes e academias.

Por isso, o sedentarismo passou a ser considerado pela Organização Mundial da Saúde e pela World Heart Federation como um dos quatro principais fatores de risco para aterosclerose e suas complicações (infarto do miocárdio e derrame cerebral).

Atualmente, o exercício é visto por muitos países como uma questão de saúde pública.

Aqui no Brasil, o Ministério dos Esportes firmou recentemente um acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia para a elaboração de cartilhas de estímulo à atividade física.

Os especialistas costumam dizer que a corrida, apesar de não ser uma vacina contra doenças, prepara você para superá-las com mais facilidade.

Sem contar que quem mexe o corpo tem um comportamento alegre, o que deixa a convivência social fácil e gostosa. Bons treinos!

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista  em  Cardiologia  e Medicina do Esporte e mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

Visite o portal do Sindi-Clube e saiba mais de assuntos que interessam ao seu clube.

 

Por que exercícios físicos 30 minutos por dia

oste03

Nabil Ghorayeb*

Em 1996, o Ministério da Saúde norte-americano publicou uma pesquisa feita em cinco anos com a população, concluindo que caminhar acelerado 30 minutos por dia diminui o risco de um ataque cardíaco em 34%, tanto em homens como em mulheres.

Além disso, foi sugerido que subir escadas, três lances por dia, sete dias da semana faria o mesmo efeito.

Essas pesquisas começaram anos antes, trazendo novas informações para diminuir os efeitos danosos da vida sedentária para a população.

A primeira e mais impactante foi de um pesquisador inglês sobre as doenças que acometiam os funcionários aposentados dos ônibus vermelhos de dois andares de Londres.

Descobriu-se que os motoristas desses ônibus, que passavam a maior parte do tempo sentados, tinham mais casos de infarto do miocárdio do que os cobradores que se sentavam muito pouco, pois subiam e desciam as escadas o tempo todo do trajeto dos veículos.

Outra pesquisa interessante foi acompanhar por informações pessoais ou de familiares a vida médica por 16 anos de ex-alunos de Harvard – os que mantiveram vida ativa fisicamente, comparados com quem ficou sedentário.

O resultado foi que esses últimos tiveram 50% mais doenças cardiovasculares que os ativos que praticavam esportes, corridas ou outras atividades físicas.

O que chamou a atenção foi que os benefícios detectados apareciam meses depois de mantido um gasto médio semanal de 2000 calorias em exercícios físicos.

Importante: gastar calorias e exercitar-se regularmente têm ganhos para a saúde só se mantiver as atividades físicas!

Não existe poupança de benefícios que você tenha feito por um tempo, parando depois, por diversos motivos.

O exercício físico não é vacina para as doenças em geral.

Parou? Em pouco tempo desaparecem os benefícios.

É como se nunca tivesse feito exercícios na sua vida.

Vamos manter as atividades físicas em dia, só assim você poderá buscar saúde plena.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista  em  Cardiologia  e Medicina do Esporte e mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

Visite o portal do Sindi-Clube e saiba mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Cuidado, praticar exercício gripado pode gerar dor muscular, anemia e até arritmias

ATLETA GRIPADO

Nabil Ghorayeb*

Seguindo um treinamento à risca, o atleta está preparado para a competição, porém não é invencível para muitas doenças.

Num inverno, mesmo não tão rigoroso, o atleta deve manter-se resguardado, principalmente das viroses, como o resfriado comum e a gripe.

Com frequência, as pessoas acreditam não ser esses males nenhum empecilho ao seu desempenho físico, muitas achando que, suando, vão melhorar mais rapidamente da leve doença.

E por aí vão muitas crendices populares.

Na verdade, é um conceito errado e perigoso.

O esportista com alguma virose não deve participar, em hipótese alguma, de provas esportivas ou atividades físicas.

Além de estar com sua condição física rebaixada, corre o risco de ter complicações no organismo, de dores, distensões musculares e anemia, até as importantes arritmias cardíacas.

Sabemos pela fisiologia que o excesso de exercício físico (muitas horas por dia) tende a diminuir a imunidade do atleta, isto é, a resistência geral deste organismo.

Por isso, a recomendação de acompanhamento médico para evitar estes quadros de debilidade com os exageros de treinamento.

É comum atletas terem infecções ou outras lesões justamente antes das competições.

A melhor forma de preveni-las é através de boa reeducação alimentar e um ritmo de treinamento orientado por especialistas (em geral, professores de educação física ou técnicos diplomados), com uma avaliação médica especializada previamente.

O medo de ser cortado da equipe, ou mesmo a frustração de estar fora de uma competição, leva inúmeros atletas a esconderem uma virose, arriscando-se a desenvolver problemas muito mais sérios como inflamações da tireoide ou dos pulmões ou da garganta e até do coração.

Atletas foram excluídos do grupo porque estavam com arritmias cardíacas e outras alterações do miocárdio, porém, numa análise mais acurada, verificou-se que tinham tido uma infecção viral das suas vias aéreas (garganta e/ou pulmões) dias antes, fato que não revelaram aos seus médicos.

Vale a pena relembrar que infecções virais, na maior parte das vezes aparentemente simples, não devem ser ignoradas pelos esportistas, nem pelos seus médicos.

Aguardar a cura total é o recomendado sempre.

O reinício das atividades físicas deve ser gradativo e sem pressa, mesmo para atletas profissionais.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte, mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

Visite o portal do Sindi-Clube e saiba mais de assuntos que interessam ao seu clube.