Atividade fisica regular é o que vale

ed fisica

Nabil Ghorayeb*

Incrível, mas sedentarismo já é sinônimo de risco futuro para a saúde.

Junto com o tabagismo, a hipertensão arterial, o colesterol elevado e o diabete completam os principais fatores de risco causadores de importantes doenças cardiovasculares, hoje, o principal problema de saúde.

A relação entre atividade física e saúde não é recente, já mencionada pelos filósofos gregos e romanos.

Entretanto, somente nos anos 50 é que o pesquisador inglês J. Morris descobriu que os sedentários motoristas de ônibus de Londres tinham muito mais doenças cardiovasculares do que os ativos cobradores dos mesmos ônibus de dois andares de Londres.

A ciência descobriu que o baixo nível de atividade física favorece o desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas, como obesidade, diabete tipo 2, hipertensão arterial, angina/infarto do miocárdio, osteoporose e, vejam só, até câncer de mama e do intestino reto.

Inversamente, a atividade física, mesmo isoladamente, pode reduzir o risco de desenvolvimento dessas doenças crônicas, diminuir a obesidade e aumentar a expectativa de vida.

Esses benefícios transformaram também os idosos que, mais ativos e fisicamente independentes, tiveram menor risco de quedas, melhor estado de humor, alivio dos frequentes sintomas de depressão e ansiedade.

Enfim elevaram-se os padrões de saúde e qualidade de vida dessa crescente população de mais idade.

Avaliações dos departamentos de Recursos Humanos de empresas que adotaram curtos momentos de atividade física diária, interrompendo o expediente de trabalho por alguns minutos, mostraram surpreendente diminuição de falta ao trabalho, dos custos médicos e aumento na produtividade.

Dezenas de evidências científicas têm reforçado que um estilo de vida ativo desde a infância traz vários benefícios:  melhor rendimento escolar, menos faltas às aulas, melhora no relacionamento com os pais e da noção de responsabilidade em geral.

Qual a frequência de exercícios semanais necessários?

A atividade física pode ser uma faca de dois gumes!

Há a controvérsia de que parece ser melhor não se exercitar, a fazer exercícios físicos intensos esporadicamente, pelo risco de complicações cardíacas.

Pesquisa realizada com seis milhões de frequentadores de academias nos EUA, durante dois anos, constatou 66 mortes.

Dessas pessoas, mais de 70% se exercitavam somente uma vez por semana intensamente para compensar a falta de regularidade.

O risco cardíaco pode existir nas atividades físicas de alta intensidade (maratona, triatlo, etc.) praticadas por esportistas com histórico de doenças cardíacas.

Essas, obrigatoriamente, devem manter acompanhamento médico especializado e exames regulares, objetivando um exercício sem riscos.

Uma solução paliativa de baixíssimo risco são as caminhadas leves a moderadas.

O respeito aos próprios limites deve sempre ser lembrado na hora de praticar qualquer atividade física.

Academia, assessoria de corridas, lazer esportivo, tem como regra prévia a avaliação médica de um especialista.

Como regra geral, recomendamos exercícios aeróbicos quatro vezes por semana, ao redor de 60 minutos/vez: corridas, bike ou natação sempre associados a exercícios de fortalecimento muscular e de equilíbrio, duas vezes semanais, de 15 a 20 minutos.

Sintomas como falta de ar, dores do peito ou costas, tonturas, palpitações ou outras manifestações fora do habitual, durante ou após a atividade física, devem ser comunicados ao seu médico.

A avaliação médica prévia especializada consta de consulta e eletrocardiograma.

Se houver familiar direto com doenças cardíacas ou se for fazer atividade intensa ou competitiva, é necessário o teste ergométrico (até o máximo) com presença do cardiologista.

Pratique esportes com qualidade e alto astral.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista  em  Cardiologia  e Medicina do Esporte e mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

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