Dor no ombro? Veja o que nunca te disseram sobre o assunto

Raquel Castanharo*

Ajustar a altura da cadeira e mesa do trabalho, fortalecer os músculos do ombro e fazer alguns alongamentos são orientações comuns e muito boas para quem tem alguma dor no ombro.

Gostaria de ensinar algumas dicas para esse problema que provavelmente você nunca ouviu.

Mesmo não sendo tão óbvias, elas podem ajudar nos desconfortos do ombro.

Cuidado com a postura ao dirigir

Dirigir por duas horas, ou mais, todos os dias, é a realidade de muitos nas grandes capitais do país. Por isso, uma postura ruim ao volante pode influenciar bastante nos casos de lesões no ombro. O erro mais comum é deixar o banco do veículo muito para trás e assim ter que esticar quase que completamente os braços para alcançar o volante. Essa posição gera uma tendência de elevação dos ombros, tensão nos trapézios e dor. O ideal é manter-se a uma distância em que os cotovelos fiquem levemente flexionados, os ombros relaxados e totalmente encostados no banco.

Fortaleça o abdômen

O complexo do ombro é formado por vários ossos, um deles é a escápula, que liga esse complexo ao tronco. Sua fixação e movimentação dependem da boa postura da coluna, que, por sua vez, precisa que os músculos do abdômen estejam fortes. Por isso trabalhar o “core”, ou seja, a musculatura do tronco é muito importante para a saúde do ombro.

Coloque os pés no chão

Apoiar os pés no chão, enquanto estiver trabalhando sentado, pode ajudar a minimizar as dores no ombro. Pés apoiados facilitam uma boa postura do tronco, o que, como explicado no item acima, é um auxílio importante para o ombro.

Espero que essas sugestões ajudem no dia a dia.

Mas não se esqueça de que o correto diagnóstico e tratamento para suas dores no ombro devem ser realizados por profissionais da saúde.

*Raquel Castanharo: Fisioterapeuta formada e mestra em biomecânica da corrida na USP. Realizou pesquisa em biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, Canadá. Trabalha com fisioterapia e avaliação biomecânica em São Paulo e Jundiaí.

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Descubra os cinco mitos sobre a dor muscular do dia seguinte

Foto: Shutterstock
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Turíbio Barros*

A dor muscular decorrente do exercício é um sintoma frequente para os praticantes das diversas modalidades.

Mesmo quem não pratica esporte ou exercícios formais, certamente, já vivenciou aquela dor que geralmente aparece ou se intensifica principalmente no dia seguinte de uma exigência física de maior intensidade.

E isso mesmo se for de natureza laboral.

Essa dor que, atualmente, tem várias denominações, como dor do dia seguinte, dor de início tardio, ou, como tem sido chamada nos Estados Unidos “Fitness Pain”, sempre foi fruto de muitas controvérsias e também de vários estudos científicos.

Podemos discutir essas controvérsias, caracterizando cinco mitos sobre sua natureza e sua incidência em diferentes tipos de indivíduos:

1 – A dor é causada por acúmulo de ácido láctico

Este é um mito já bastante discutido e felizmente já bem esclarecido.

Com certeza, a dor tardia do exercício não tem nenhuma relação com o acúmulo de ácido láctico nos músculos.

A dor do ácido láctico ocorre durante e imediatamente após o exercício e tem uma natureza bem diferente.

Este acúmulo de ácido láctico é metabolizado em um curto espaço de tempo, após o término do exercício, não causando nenhum efeito tardio.

2 – Se não houver dor no dia seguinte o treino não teve efeito

Com certeza, não procede.

A dor tardia ocorre, principalmente, quando se altera alguma rotina, como intensidade do exercício, natureza do movimento e grupos musculares solicitados.

A maioria dos benefícios do treinamento não está associada com o processo inflamatório que provoca a dor muscular tardia.

3 – Quanto mais treinado você estiver menos dor tardia vai sentir

É certo que sentimos menos dor tardia quando nosso corpo se adapta progressivamente às solicitações dos treinos.

Entretanto, toda vez que alterarmos novamente carga de treino e grupos musculares solicitados, a dor pode voltar a aparecer mesmo em indivíduos já treinados.

4 – A dor muscular é um quadro que devia ser evitado

Na verdade, a dor tardia é um processo regenerativo dos músculos e tem natureza essencialmente fisiológica, não causando nenhum dano ao organismo.

O que se deve evitar é um quadro de magnitude exagerada pela incapacidade funcional que ele possa provocar.

Ninguém vai concordar em amanhecer “totalmente travado” no dia seguinte de um exagero cometido, mas, de qualquer forma, o processo regenerativo vai restabelecer a integridade funcional sem deixar nenhuma sequela.

5 – O alongamento pré e pós diminui a dor muscular

Esta é uma premissa sem nenhuma comprovação científica.

O alongamento é uma solicitação que deve fazer parte de um programa de condicionamento físico, por melhorar uma qualidade física importante que é a flexibilidade.

Porém, alongar antes e ou depois dos exercícios não abole nem atenua a eventual dor tardia.

*TURÍBIO BARROS

Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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