Dor muscular x lesão: aprenda a diferenciar casos após treinamento

Raquel Castanharo*

Toda atividade física, principalmente em iniciantes ou quando se aumenta a quantidade de treinos, provoca uma dor muscular no dia seguinte, chamada de dor muscular de início tardio.

Ela é normal, faz parte do esporte e inclusive é benéfica para o corpo.

Mas, você sabe diferenciar essa dor natural de uma dor causada por lesão?

A dor muscular tardia acontece um ou dois após a realização de exercícios.

Antes se acreditava que o culpado por esse desconforto era o acúmulo de ácido lático, mas pesquisas recentes refutaram essa ideia.

A verdade é que os mecanismos microscópicos envolvidos nessa dor ainda não são totalmente conhecidos.

Sentir-se dolorido após um treino tem suas vantagens.

Isso significa que seu músculo passou por um estímulo e, ao final da recuperação, estará mais preparado para a atividade física.

Porém, vamos aos sinais de que essa dor não está normal e pode ser uma lesão:

  • A dor não diminui em até 72 horas;
  • O incomodo não é no ventre muscular e sim na articulação;
  • A dor parece uma pontada aguda no músculo e não uma sensação de rigidez, que é o esperado na dor muscular tardia;
  • Há hematoma, região vermelha e inchaço.

Entender o corpo e seus limites é essencial para manter uma prática de atividade física saudável.

Por isso, caso haja suspeita de que a dor não seja algo normal, é preciso manter a atenção, diminuir o ritmo, e se persistir procurar ajuda profissional.

*Raquel Castanharo: Fisioterapeuta formada e mestra em biomecânica da corrida na USP. Realizou pesquisa em biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, Canadá. Trabalha com fisioterapia e avaliação biomecânica em São Paulo e Jundiaí. www.raquelcastanharo.com.br

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Cuidado, praticar exercício gripado pode gerar dor muscular, anemia e até arritmias

ATLETA GRIPADO

Nabil Ghorayeb*

Seguindo um treinamento à risca, o atleta está preparado para a competição, porém não é invencível para muitas doenças.

Num inverno, mesmo não tão rigoroso, o atleta deve manter-se resguardado, principalmente das viroses, como o resfriado comum e a gripe.

Com frequência, as pessoas acreditam não ser esses males nenhum empecilho ao seu desempenho físico, muitas achando que, suando, vão melhorar mais rapidamente da leve doença.

E por aí vão muitas crendices populares.

Na verdade, é um conceito errado e perigoso.

O esportista com alguma virose não deve participar, em hipótese alguma, de provas esportivas ou atividades físicas.

Além de estar com sua condição física rebaixada, corre o risco de ter complicações no organismo, de dores, distensões musculares e anemia, até as importantes arritmias cardíacas.

Sabemos pela fisiologia que o excesso de exercício físico (muitas horas por dia) tende a diminuir a imunidade do atleta, isto é, a resistência geral deste organismo.

Por isso, a recomendação de acompanhamento médico para evitar estes quadros de debilidade com os exageros de treinamento.

É comum atletas terem infecções ou outras lesões justamente antes das competições.

A melhor forma de preveni-las é através de boa reeducação alimentar e um ritmo de treinamento orientado por especialistas (em geral, professores de educação física ou técnicos diplomados), com uma avaliação médica especializada previamente.

O medo de ser cortado da equipe, ou mesmo a frustração de estar fora de uma competição, leva inúmeros atletas a esconderem uma virose, arriscando-se a desenvolver problemas muito mais sérios como inflamações da tireoide ou dos pulmões ou da garganta e até do coração.

Atletas foram excluídos do grupo porque estavam com arritmias cardíacas e outras alterações do miocárdio, porém, numa análise mais acurada, verificou-se que tinham tido uma infecção viral das suas vias aéreas (garganta e/ou pulmões) dias antes, fato que não revelaram aos seus médicos.

Vale a pena relembrar que infecções virais, na maior parte das vezes aparentemente simples, não devem ser ignoradas pelos esportistas, nem pelos seus médicos.

Aguardar a cura total é o recomendado sempre.

O reinício das atividades físicas deve ser gradativo e sem pressa, mesmo para atletas profissionais.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte, mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

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