Riscos cardiometabólicos dobram com obesidade, mas exercícios minimizam

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Nabil Ghorayeb*

Recentemente, uma pesquisa teve resultados, além de surpreendentes, muito úteis para todas as pessoas.

Foram avaliados mais de 700 mil recrutas do exército dos Estados Unidos entre 2001 e 2011 e, no geral, houve baixa incidência de fatores de risco cardiovasculares.

No entanto, foram encontradas alterações cardiometabólicas pelo sobrepeso e obesidade, elevando assim os riscos cardiovasculares nesses jovens soldados, que mantêm atividade física intensa e satisfazem os elevados padrões de aptidão física.

Além da juventude, a aptidão cardiorrespiratória foi alta em muitos recrutas e isso pode ser uma das razões pelas quais o número total de problemas cardiovasculares foi reduzido mesmo na presença de excesso de peso corporal.

As observações foram consistentes e muito parecidas com pesquisas em populações civis, em que o maior risco de doenças metabólicas acontece nos indivíduos com maior peso corporal.

O fator de risco de hipertensão arterial foi o diagnóstico mais comum, afetando 3,6% do grupo de recrutas examinado.

Isso é importante, uma vez que numa recente análise combinada de 97 pesquisas observou-se que o aumento do risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) esteve presente nos indivíduos com maior IMC (obesos).

E isso foi em grande parte associado à hipertensão arterial, que representou de 31 a 65% de aumento do risco entre aqueles que tinham um IMC maior do que 25 kg/m2 (obesos).

Podemos afirmar que a boa aptidão cardiovascular consegue mediar os riscos cardiometabólicos, que dobram com a obesidade.

Na verdade, a atividade física regular, composta de preferência dos exercícios aeróbios, consegue minimizar as complicações advindas do excesso de peso.

E, como sempre, os benefícios são evidentes no período em que se faz exercício.

Um descondicionamento ou parada de 14 dias já produz a perda progressiva dos benefícios adquiridos.

Fisiologicamente, o efeito positivo do exercício físico para o controle da pressão arterial dura por algumas horas.

Por isso, a recomendação médica para um esportista treinar em dias alternados.

A perda de peso deve ser mensal e sem exageros.

O ideal é perder de 3 a 4 kg por mês, que é de qualidade, se houver a necessária reeducação alimentar organizada por nutricionista ou médico.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMU-SP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br 

Visite o portal  e curta a página do Sindi-Clube no Facebook para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Cuidado! Anabolizantes e hormônios bioidênticos têm mesmo efeito nocivo

Nabil Ghorayeb*

shutterstock_516086428

O combate ao sedentarismo é um assunto muito em voga atualmente.

Muitas pessoas buscam no caminho mais curto o mesmo resultado do caminho mais árduo para ativar o organismo.

Seja na saúde ou em diferentes esferas da vida, pegar a tangente e tentar burlar a lei do esforço sempre traz contratempos.

No que diz respeito ao combate ao sedentarismo, temos a obrigação moral de voltar aos assuntos hormônios (Testosterona, DHEA, GH) e anabolizantes, hoje uma verdadeira epidemia que assola esportistas de todas modalidades e idades.

A Revista Europeia de Cardiologia publicou um artigo de alerta para quem usa os hormônios bioidênticos (que possuem a mesma estrutura química e molecular encontrada nos hormônios produzidos no corpo humano) no tratamento antienvelhecimento.

Intitulado a partir do questionamento “Testosterone: a hormone preventing cardiovascular disease or a therapy increasing cardiovascular events?” (Testosterona: um hormônio que previne doenças cardiovasculares ou uma terapia que aumenta os eventos cardiovasculares?), o artigo afirma que as terapias exógenas (gel e injetáveis), usadas para restaurar os níveis normais de testosterona, não mostraram qualquer benefício com relação à diminuição dos eventos de doenças cardiovasculares.

E pior: têm potencial efeito nocivo.

EXEMPLOS VIVOS

Por coincidência, tivemos a oportunidade de consultar dois casos típicos e extremamente graves.

O primeiro, o de um jovem de 40 anos com antecedentes totalmente sadios, que por sugestão de um amigo instrutor da academia que frequenta em São Paulo, decidiu usar testosterona e anabolizante “puro e sem risco” para ficar mais forte e sentir-se bem.

Em poucas semanas seus níveis de testosterona atingiram grau extremamente perigoso (quase 2000 ng/dl), aliado à hipertensão arterial com comprometimento renal, além de arritmias cardíacas graves.

Esse rapaz ainda usou o hormônio DHEA, orientado por seu instrutor com “precursor da testosterona e sem efeitos colaterais”.

Resultado: com 40 anos, o rapaz teve sua saúde deteriorada e seu organismo desregulado.

Em outro caso, uma senhora de 50 anos, esportista regular por muito tempo, procurou um médico para o tratamento “antiaging” (antienvelhecimento), usando hormônios bioidênticos por meio de gel de testosterona.

A consequência foi o aumento do hormônio em nível patológico, superiores a de um homem, além da elevação do colesterol ruim (LDL) e leve hipertensão arterial, para completar os riscos.

Foi-lhe acrescentada a ingestão de Vitamina D oral, o que fez com que os níveis dessa vitamina atingissem mais do que o triplo do normal, potencializando outros ricos eminentes à sua saúde.

O tratamento “antiaging” é proibido no Brasil, pois carece de consistência científica e indica possíveis danos graves à saúde (câncer e outras alterações cardiovasculares).

O custo desse tratamento não autorizado pode ser ressarcido via Judiciário, por ser proibido pelo Conselho Federal de Medicina e ANVISA.

Insistimos para que se pratique esporte sem uso de drogas ou medicamentos.

Procure um nutricionista de confiança para saber da sua necessidade – ou não – de suplementação, bem como um profissional de educação física para segurança e resultados dos treinos, após a conveniente avaliação médica competente.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, Especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, Médico Sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, Coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br    

Atenção às obrigações médicas dos clubes

shutterstock_148634549

São vários os serviços médicos que se constituem em obrigações legais para os clubes.

A inobservância pode gerar autuações e responsabilização de dirigentes.

A Consultoria SINDI-CLUBE alerta para aspectos legais que devem ser observados pelos clubes.

 Exames obrigatórios

Antes de entrar na piscina, o associado deve passar pelo exame dermatológico. Porém, em aulas de natação, é necessário cumprir o exame que ateste a aptidão para a prática, com laudo de profissional cardiologista (Lei estadual 10.848/2001).

O Conselho Regional de Medicina veda que seja determinado prazo de validade nos atestados, por isso, a Consultoria Sindi-Clube recomenda que no regimento interno do clube sejam estabelecidos prazos escalonados, por faixas etárias. Por exemplo: até 18 anos, renovação anual dos exames; de 18 a 45 anos, semestral; acima de 45 anos, trimestralmente.

 Médico no clube

Não há imposição legal específica para manutenção de serviços médicos nos clubes. Entretanto, as associações que disponibilizam equipamentos e coordenam atividades físicas e práticas esportivas que oferecem risco à integridade dos associados devem manter profissional médico no clube, que poderá ser contratado diretamente ou conveniado.

Medicamentos e enfermaria

Os medicamentos só podem ser administrados e entregues por recomendação médica. Por isso, se não houver médico responsável, o clube não deve manter remédios de pronto-socorro.

Quanto à enfermaria, o clube pode mantê-la com enfermeiro de grau superior para prestar primeiros socorros, pois os profissionais graduados como auxiliares ou técnicos não podem desenvolver essa atividade. Somente a presença do enfermeiro não autoriza que seja administrado qualquer medicamento no clube.

Desfibrilador é lei

A obrigação de ter aparelho desfibrilador no clube é estabelecida em lei estadual (12.736/2007) que não especifica o número de pessoas que devem ser treinadas para a aplicação dos procedimentos de emergência.

Visite o portal  e curta a página do SINDI-CLUBE no Facebook para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Curso explica segurança em piscinas

ralos piscinas

O curso “Segurança em Piscinas” tem como objetivo de esclarecer dúvidas e questionamentos sobre a nova lei federal 1.162 de 2014, que está em tramitação no Congresso e abrange os cuidados com afogamentos, ralos de fundo e traumatismos.

A exposição será feita em 14 de agosto, às 13h, promovida pela Anapp (Associação Nacional dos Fabricantes e Construtores de Piscinas e Produtos Afins).

curso piscina

Nilson Maierá, especialista na área e consultor da Universidade Sindi-Clube, será o expositor.

Entre os assuntos abordados estão os avisos de segurança contra afogamentos e choques elétricos, além das recomendações para mergulho e o riscos que devem ser evitados.

Inscrições podem ser feitas no site da Anapp.

Visite o portal do Sindi-Clube e saiba mais de assuntos que interessam ao seu clube.