Exames médicos simples podem prevenir mortes em corridas longas

shutterstock_286865699Nabil Ghorayeb*

Um estudo científico publicado recentemente (RACE) mostra o que aconteceu nas últimas Maratonas de Paris, de outubro de 2006 a abril de 2012, partindo de algumas premissas interessantes e que servem para todas as corridas de performance elevada.

Os principais problemas encontrados em corredores são o infarto do miocárdio em atletas com mais de 35 anos, e abaixo dessa idade, uma doença genética chamada de cardiomiopatia.

Outras causas foram o choque térmico de hipertermia e desidratação.

As pesquisas mostraram que as intercorrências médicas acontecem mais em corredores ocasionais, na proporção de um caso em 7.500 a 18 mil, enquanto nos mais experientes foi um caso em 200 mil.

A baixa quantidade de problemas detectada nesta grande pesquisa merece algumas especulações.

Diferentemente do que acontece no Brasil, para a Maratona de Paris é exigido um atestado de saúde, do qual o médico que assina passa a ter importante responsabilidade.

Mais de 90% das mortes que aconteceram em corridas em todos os cantos do mundo poderiam ter sido prevenidas apenas com uma simples e eficiente avaliação médica competente.

A avaliação médica prévia compreende consulta clínica, eletrocardiograma e teste ergométrico, que por exigência do Conselho Federal de Medicina e da Anvisa, têm como obrigatória a presença de um médico na sala, que só pode acompanhar um exame de cada vez.

Além disso, é preciso fazer as dosagens laboratoriais dos níveis de açúcar, gorduras sanguíneas e função renal.

Outra importante ação é a presença obrigatória de equipes treinadas e preparadas com equipamentos próprios para atender emergências médicas em vários pontos de uma prova de corrida.

Finalmente podemos concluir que nunca se deve praticar atividade física sem avaliação clínica competente de um médico que conheça o que é uma corrida longa e desgastante, nem sem a orientação de um profissional de educação física ou de um fisiologista do esporte.

Alerto para que se protejam evitando os blogueiros e professores sem formação universitária específica na área da saúde.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUCSP, doutor em cardiologia pela FMUSP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br

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Experiência x limite: confira três erros comuns entre os corredores veteranos

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Gustavo Luz*

Tem corredor que é teimoso.

Principalmente aqueles que já treinam há bastante tempo.

Muitos se recusam a reduzir o ritmo, caminhar quando necessário ou correr menos dias por semana, mesmo quando deixam de se divertir e começam a se machucar.

Mas mudar faz bem.

A estratégia certa pode tornar os seus treinos mais prazerosos e aumentar a sua vida útil na corrida.

Confira abaixo três erros bastante comuns entre os corredores mais experientes.

Não descansar adequadamente antes das provas

Essa fase de “polimento” pode gerar alguma ansiedade.

É como se, ao reduzirmos a dificuldade dos treinos, pudéssemos perder todo o condicionamento conquistado em meses.

Mas, nesse momento, correr menos é crucial para os músculos se recuperarem, para o corpo estocar mais energia e para dar um descanso para a cabeça.

Seguem abaixo sugestões de quanto tempo antes das provas vale à pena começar a reduzir o ritmo:

5 km: de 4 a 5 dias.

10 km: uma semana.

21 km: duas semanas.

42 km: três a quatro semanas.

Acelerar demais em treinos regenerativos

Quando você considera que os seus dias mais fáceis aparecem justamente quando está mais cansado e com a musculatura mais sensível, faz sentido pegar leve com as pernas.

Para aqueles que não conseguem correr confortavelmente devagar nesses dias, saiba que isso pode atrapalhar os seus treinos mais duros e as competições.

Uma boa sugestão é usar um monitor de frequência cardíaca.

Assim você se baseia em um número e não pode ultrapassá-lo.

Não organizar os ciclos de treinamento

Quando saímos daquele estágio inicial no qual apenas queremos dar uma “corridinha” e nos tornamos corredores de verdade, entendemos a necessidade de um treinamento adequado.

O treinador é o profissional responsável por criar um programa de treinos individualizado, planejado, estruturado, capaz de alcançar suas metas com a maior probabilidade de sucesso e com o menor risco de lesão ou outro problema de saúde.

*Gustavo Luz, educador físico, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 15 anos. Diretor técnico da G-Luz Top Team vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com o conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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Corridas longas ou curtas: qual delas emagrece mais?

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Gustavo Luz*

Quem pensa que para correr bem basta calçar os tênis e ir treinar está enganado.

Ter o seu objetivo nos treinos, monitorar a intensidade do esforço, identificar dores no corpo, descansar e planejar a rotina de trabalho também são fundamentais para evoluir de forma gradativa.

Pensando nisso, passarei três dicas clássicas para corredores.

1) O que é melhor para emagrecer: corridas longas e lentas ou curtas e rápidas?
As duas podem ajudá-lo a perder peso, se você mantiver a alimentação sob controle. Corridas longas e lentas são mais fáceis de administrar para a maioria dos corredores e, geralmente, levam a menos lesões do que as corridas mais velozes. Você queima mais ou menos 60 calorias por quilômetro em corridas mais longas. Corridas curtas e rápidas queimam um pouco mais e ainda elevam o gasto calórico no pós-treino (mais que as corridas lentas). O que você deve fazer? A escolha é sua, mas se preferir corridas mais rápidas faça sempre uma corrida mais tranquila entre elas para minimizar os riscos de se machucar.

2) Você começa rápido demais?
É muito comum ver corredores largando muito forte e “quebrando” antes da linha de chegada. Quando você inicia a corrida em um ritmo alto demais, pode acabar recrutando as fibras musculares, o sistema de energia e até os caminhos neuromusculares de forma errada. De uma maneira geral, tente correr os primeiros 70% em um ritmo relativamente confortável e, se estiver bem, acelere nos 30% finais.

3) Você corre de estômago vazio?
Esse é um dos maiores erros cometidos pelos corredores, especialmente os que correm pela manhã. Fazer um pequeno lanche de fácil digestão até uns 30 minutos antes de correr otimiza a queima calórica e a qualidade do treino. Se não comer nada, provavelmente usará as suas reservas de gordura antes da hora. Pode parecer uma boa ideia, mas a gordura não supre as necessidades de energia tão bem, o ritmo de corrida diminui e você pode se cansar mais rápido.

*Gustavo Luz Távora, educador físico, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 15 anos. Diretor técnico da G-Luz Top Team, vive atento a tudo que se refere a fisiologia do exercício. Também fala com o conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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