Cerveja após o exercício pode? Consumo de álcool diminui síntese de proteínas

Gerseli Angeli e Turíbio Barros*

O consumo de bebidas alcoólicas após a prática esportiva é extremamente comum, especialmente nos fins de semana e mais ainda no período das férias e festas de fim de ano.

Pelo fato de o álcool ser um carboidrato, muitas vezes ouvimos, até mesmo de profissionais da área das ciências do exercício, que a ingestão pode ser um recurso válido para recompor os estoques de glicogênio muscular no período pós-exercício.

Sendo, portanto, no mínimo inofensivo para a obtenção dos efeitos plenos do treinamento recém finalizado.

A má notícia é que, de acordo com a ciência, o raciocínio não é bem assim.

Um grupo de pesquisadores de diversas universidades da Austrália, Canadá e Reino Unido, conduziram um estudo em que os indivíduos avaliados foram submetidos a três sessões de exercícios em sequência: exercícios resistidos a 80% da carga máxima, seguidos por 30 minutos de aeróbico em bicicleta a 63% da capacidade máxima, e mais dez séries de 30 segundos de treinamento intervalado de alta intensidade a 100% da capacidade máxima.

Imediatamente e quatro horas após o exercício, os indivíduos consumiram ou proteína (whey protein), ou álcool, ou álcool + proteína ou álcool + carboidrato.

Os resultados do estudo mostraram que o consumo de álcool após a atividade física, inevitavelmente, provoca a redução da síntese de proteínas durante todo o período de recuperação muscular pós-exercício, reduzindo a resposta anabólica e prejudicando a recuperação muscular e consequentemente a performance subsequente.

Por outro lado, um resultado interessante desse estudo é que o consumo concomitante de proteína (no caso deste estudo 25g), apesar não ter anulado o efeito negativo do álcool sobre a síntese proteica, foi capaz de atenuá-lo consideravelmente.

Em resumo, se o consumo de bebidas alcóolicas for inevitável após uma sessão de treinamento, não deixe de consumir também proteínas, ou seja, o churrasquinho com os amigos após o futebol nunca foi tão cientificamente correto!

*Turíbio Barros

Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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As proibições no clube devem estar previstas no estatuto

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Foto: shutterstock

Em determinadas situações, o administrador do clube se vê obrigado a considerar a possibilidade de determinar proibições aos associados do clube, além de impor multas.

Contrariar expectativas, limitar o uso e restringir a frequência, no entanto, são decisões que se impõem para o bom funcionamento dos equipamentos e convivência harmoniosa no clube.

A melhor maneira de se fazer isso, recomenda a Consultoria Jurídica do SINDI-CLUBE, é proceder de acordo com o que estabelecem o estatuto, os regimentos e as leis vigentes.

Tudo que for vedado precisa estar previsto.

As regras de comportamento dos associados devem estar sempre contidas nos regimentos internos de cada um dos setores frequentados.

Os regimentos são importantes porque indicam regras para o uso e funcionamento do clube.

Dessa forma, ampliam a ação do estatuto da associação, que remete às disposições dos regimentos, que devem regular áreas destinadas, por exemplo, às piscinas, saunas, churrasqueiras, espaços de prática esportiva, salão de jogos, entre outros.

A Consultoria reuniu, abaixo, uma série de temas que podem suscitar dúvidas sobre como o clube pode desautorizar práticas e estabelecer sanções, sem cometer ilegalidades.

Bebidas alcoólicas e fumo podem ser proibidos no ginásio do clube?

A Consultoria Jurídica esclarece que há regulação legal, a chamada Lei Paulista Antifumo, que proíbe o cigarro nos recintos fechados. Nos locais abertos, inclusive decks de piscinas, será tolerado o consumo, desde que não afetem áreas fechadas. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece como crime a venda, fornecimento, ainda que gratuito, de bebidas a menores, mesmo em eventos organizados no clube por terceiros, como casamentos, bailes, etc.

Negativa para ingresso de associados

A admissão e exclusão de associados devem ser ditadas pelo estatuto social.

O clube, ao negar o ingresso de alguém no quadro associativo, não precisará expor os motivos da recusa, caso conste em seu estatuto social. Se essas regras internas não ofendem princípios de ordem constitucional e legal, as associações podem impedir o ingresso de qualquer pessoa ao quadro social, sem que isso revele a formação de um juízo de valor negativo.

Menores podem frequentar a academia e a sauna?

Recomenda-se que seja vedado o ingresso de menores de 12 anos nas academias e saunas. Acima dessa idade e até 16 anos, somente se acompanhados dos pais. Os maiores de 16 até 18 anos necessitam de autorização dos responsáveis. Como regra geral, independente da idade, todos os praticantes de exercícios no clube devem antes passar por avaliação médica.

Jogos sociais são admitidos?

Os jogos sociais (tranca, buraco, paciência) são tolerados. São vedados os chamados jogos de azar, que envolvem apostas em dinheiro ou bens e são considerados contravenção penal. É conveniente proibir o jogo de truco no mesmo espaço dos jogos sociais, por causa do alarido característico dos jogadores, que pode perturbar o lazer dos demais.

Multa para inadimplentes

Como já foi dito, as relações entre o clube e os seus associados são reguladas e estabelecidas pelo estatuto social e regimentos complementares. Por isso, os procedimentos aplicados aos inadimplentes devem estar previstos nesses regulamentos, ou, na falta deles, no que for estabelecido pelo Conselho Deliberativo. Importante: nas relações com os inadimplentes não se aplica o Código de Defesa do Consumidor, que é válido para as situações que envolvam fornecimento de mercadorias e serviços, o que não é o caso dos clubes. O novo Código Civil baixou o porcentual da multa por atrasos no pagamento de condomínio de 20% para 2%, mas essa disposição não se aplica aos clubes.

 

Obtenha mais informações sobre os tópicos abordados acima e também sobre outros temas de interesse da administração dos clubes no portal do Sindi-Clube (www.sindiclubesp.com.br), na aba ‘Jurídico’, opção ‘Pareceres’.

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