Não se esqueça dos músculos do pé!

Raquel Castanharo*

Atleta consciente sabe que precisa manter os músculos com força adequada.

Os treinos mais tradicionais, sejam eles na academia, crossfit, pilates ou funcional, buscam englobar todos os seguimentos: braços, pernas e tronco. Mas e o pé?

Você faz exercícios para os músculos dessa parte do corpo?

Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir a quantidade de músculos que possuímos no pé e que, portanto, merecem atenção.

Os mais importantes somam onze, e isso contando somente os que são intrínsecos (o que começam e terminam no pé, sem ter relação com o restante da perna).

Negligenciar os pés pode levar a consequências negativas na corrida, pois esse segmento é essencial para uma boa biomecânica.

Veja a seguir alguns exemplos de problemas que podem surgir quando nos esquecemos de cuidar do pé, e exercícios para reverter essa situação.

  • Lesões: acredito que a pior consequência para um corredor seja se machucar. A fraqueza de músculos do pé está associada a lesões como a fasceite plantar, que gera dor em sua sola, e a canelite, que causa dor na parte interna da perna.
  • Menor amortecimento de impacto: o pé é o nosso primeiro amortecedor na corrida. É nele que se inicia todo do processo de amenização do impacto. Mas ele precisa estar com sua musculatura bem condicionada para exercer essa função, caso contrário o corpo tende a sofrer mais com o impacto de cada passada.
  • Alterações posturais: os músculos dos pés contribuem para a manutenção de seu formato em abóboda, ou seja, eles ajudam a sustentar os arcos do pé. Alguns casos de pés chatos e outras alterações posturais, como a pronação do tornozelo, podem estar associados à fraqueza desses músculos.

Treinar a musculatura do pé é simples e pode ser feito com exercícios em casa:

Em pé, tente deixar o arco interno do pé mais alto, sem mover o restante da perna. Você deve sentir que está fazendo força nos músculos da sola do pé. No começo é difícil, mas é só uma questão de prática.

Abra e feche os dedos.

Arraste os dedos no chão como se quisesse usá-los para puxar algo para perto de você.

Ande mais descalço: a sola do pé é cheia de sensores que ajudam o cérebro a controlar melhor o movimento e o equilíbrio, então é importante tirar os sapatos e sentir o chão de vez em quando.

Fique em um pé só, tentando manter o lado que ficou no chão o mais parado possível.

Os pés são fundamentais para o atleta.

Cuidar deles é uma parte fundamental para uma prática de corrida saudável e com menos perigos.

Então, inclua-os em sua rotina de treinamento e perceba as diferenças.

 

*Raquel Castanharo é fisioterapeuta formada e mestra em biomecânica da corrida na USP. Realizou pesquisa em biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, Canadá. Trabalha com fisioterapia e avaliação biomecânica em São Paulo e Jundiaí.

 

A roupa de compressão

shutterstock_126820694Turíbio Barros*

É costume dizer que o esporte de alto rendimento é um laboratório de testes para desenvolvimento de produtos e acessórios esportivos que possam também contemplar o cidadão comum.

É como se comparássemos a fórmula 1 e a indústria automobilística.

O esporte de alto rendimento é também uma grande vitrine e os recursos utilizados pelos atletas para melhora de desempenho acabam tornando-se o sonho de consumo dos atletas amadores e dos praticantes de atividades físicas.

Um desses recursos é a chamada roupa de compressão.

Trata-se de uma tecnologia têxtil, fruto de muitas pesquisas, que procura proporcionar uma melhora de rendimento e prevenção de lesões, através do chamado princípio compressivo.

As peças de roupa que incorporam este princípio exercem em certos segmentos corporais, principalmente aqueles com grandes grupos musculares, um efeito de compressão graduada e seletiva que proporciona os seguintes benefícios:

1- Diminuição dos sintomas do quadro da dor muscular tardia.
Quando os músculos são submetidos a esforços físicos mais intensos, desenvolve-se um quadro de microtraumas, que evolui para um processo inflamatório de manifestação tardia que caracteriza a chamada dor do dia seguinte. Quando é utilizada uma roupa compressiva, o quadro de edema que é consequência dos microtraumas, é atenuado e diminui a magnitude do quadro inflamatório do dia seguinte.

2- Melhora de força e potência
Devido ao efeito compressivo, diminui a vibração muscular e aumenta a transferência de força para o eixo do movimento proporcionando uma melhora de desempenho relacionado à força, potência e velocidade.

3- Melhora da propriocepção
O efeito compressivo proporciona uma melhor “percepção” dos segmentos corporais por parte do nosso cérebro, o que pode melhorar a precisão na execução dos movimentos.

Estes resultados foram obtidos em laboratórios de biomecânica em diferentes países, dos quais o laboratório do Prof. Kraemer na Universidade da Pensilvânia é o mais conhecido.

Certamente, novas pesquisas continuarão a ser feitas e esse princípio será cada vez mais estudado.

O que podemos ver é que os atletas de alto rendimento já incorporaram o uso dessas roupas, que passaram a ser verdadeiras aliadas na obtenção de melhor desempenho.

*Turíbio Barros é mestre e doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM (Escola Paulista de Medicina). Foi membro do American College of Sports Medicine, fisiologista do São Paulo FC e coordenador do departamento de fisiologia do E C Pinheiros. Atualmente, escreve para o site EuAtleta e mantém seu site www.drturibio.com

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