Os perigos do excesso de exercícios

shutterstock_95020909Turíbio Barros*

Exercício físico é reconhecidamente a atitude mais importante para prevenir doenças, promover saúde e qualidade de vida, melhorar a autoestima, trazer resultados estéticos e até prolongar a expectativa de vida.

O que existe, entretanto, é um limite entre benefício e prejuízo.

É claro que não devemos ter receio de fazer exercício com medo de ter prejuízo.

Na verdade são até raras as situações que caracterizam prejuízo à saúde por excesso de atividade física.

Apesar de raras, essas situações existem e devem ser evitadas.

Podemos dividir os perigos do excesso de atividade de acordo com sua origem:

  • Excesso de exercício prejudicando o aparelho locomotor

Essas são situações em que o aparelho locomotor age como um fator de proteção. Quando exageramos na intensidade, na duração ou mesmo quando realizamos atividades não habituais com certo exagero, surgem os sinais e sintomas de sequelas do aparelho locomotor. São, geralmente, processos inflamatórios de músculos, tendões, ou mesmo problemas articulares que “acusam” o excesso cometido e representam um sinal do corpo nos “aconselhando” a adequar melhor a natureza e a intensidade da atividade realizada.

Quando respeitamos esses sinais de proteção, certamente não teremos nenhum prejuízo futuro e poderemos usufruir de todos os benefícios que a atividade física regular proporciona.

  • Excesso de exercício trazendo prejuízos crônicos

Quando o excesso de atividade não é “sinalizado” pelo aparelho locomotor ou, principalmente, quando esse sinal é ignorado, podemos ter consequências que assumem uma proporção que pode ser mais grave. O excesso de atividade física pode acometer o eixo regulador da secreção de determinados hormônios. A origem do problema costuma ser atribuída ao estresse detectado em uma área do sistema nervoso central chamada hipotálamo. Nessa área existe uma verdadeira central reguladora da produção de vários hormônios, particularmente aqueles produzidos pela glândula hipófise. Quando um quadro crônico de estresse exagerado provocado pelo excesso de exercícios se instala, os distúrbios hormonais podem ser vários. Os mais frequentes são os que se constatam por alterações do ciclo menstrual na mulher e por diminuição da fertilidade no homem. É importante que se diga que, para esse quadro aparecer, o exagero cometido foi realmente grande. Nesse caso, se não reduzirmos a intensidade dos exercícios, o quadro evolui para outros problemas como perda de massa óssea, alterações de sono, apetite, humor e perda até do próprio rendimento físico.

O interessante é que, na mulher, a alteração do ciclo menstrual é um sinal de alerta que permite a detecção precoce do quadro. Por outro lado, o homem dificilmente vai poder notar o sinal biológico de redução de fertilidade que é o sinal análogo ao que ocorre na mulher.

Devemos, portanto, estar atentos para evitar estes prejuízos, que, apesar de existirem, não devem de maneira nenhuma desestimular ninguém a fazer exercícios, representando, na verdade a constatação de que para a atividade física não vale o conceito de “quanto mais melhor”!

Colaboração: Gerseli Angeli

*Turíbio Barros é mestre e doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM (Escola Paulista de Medicina). Foi membro do American College of Sports Medicine, fisiologista do São Paulo FC e coordenador do departamento de fisiologia do E C Pinheiros. Atualmente, escreve para o site EuAtleta e mantém seu site www.drturibio.com

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Dicas para a prática de esportes aquáticos no verão

shutterstock_59784376Nabil Ghorayeb*

Com a chegada do verão, as atividades físicas aquáticas costumam ganhar novos adeptos.

Ao contrário do que muita gente pensa, as atividades aquáticas não são restritas às pessoas de idade ou com lesões.

Na água o esforço é maior, portanto, associar atividades aquáticas aos treinos de musculação traz resultados positivos para o corpo e a saúde do coração.

A natação é um dos esportes mais completos porque auxilia na perda de peso, corrige a postura, melhora a capacidade respiratória, aumenta o condicionamento físico, entre outros benefícios.

Mas, quando falamos de esportes ou atividades aquáticas, existem diversas modalidades para quem pretende praticar exercícios físicos e se refrescar ao mesmo tempo.

A vantagem de praticar esportes na água é, acima de tudo, a redução de todo e qualquer tipo de impacto.

A pressão da água durante a atividade física também exerce um papel importante na circulação e favorece a drenagem linfática.

Isso significa que atividades aquáticas podem melhorar a circulação sanguínea, além de prevenir e melhorar os inchaços e as celulites.

Entre os benefícios para quem adere à prática esportiva na água estão o aumento da resistência física e cardiopulmonar, assim como uma eficiente melhora da coordenação motora.

A natação mobiliza o organismo como um todo, em um trabalho que envolve força, resistência muscular e estímulo cardiovascular aeróbico, além de ser uma atividade relativamente segura – já que o impacto é mínimo no ambiente aquático.

A realização de um check-up antes da atividade física é de extrema importância para a saúde do atleta.

Quando realizamos o check-up podemos identificar possíveis problemas cardíacos e realizar um tratamento adequado no esportista, antes mesmo de fazer uma atividade que não condiz com a sua saúde.

Em alguns casos, o atleta não sabe que possui um problema cardíaco e, quando inicia o exercício, sente dificuldades, o que pode acarretar diversos riscos à saúde como infartos, arritmias, entre outros.

Conheça algumas atividades físicas aquáticas

Hidroginástica: há muito tempo as atividades físicas realizadas em piscina são uma ótima maneira de entrar em forma. A hidroginástica, por exemplo, combina momentos de relaxamento com os de exercícios musculares, que resultam em ganho no condicionamento físico.

Considerada uma alternativa para um programa tradicional de exercícios com o benefício de diminuir o impacto e esforço nas articulações, a hidroginástica melhora a circulação, a capacidade respiratória, flexibilidade, força e resistência muscular.

Porém, é importante realizar exercícios com peso antes e depois da hidroginástica, durante 20 minutos.

Esse procedimento promoverá a fixação do cálcio nos ossos, além de prevenir e corrigir a osteoporose.

Natação: é a atividade física aquática mais completa que existe.

Trabalha todos os músculos de forma equilibrada e beneficia a capacidade respiratória, além de melhorar o condicionamento físico.

É indicada para todas as idades, inclusive gestantes e bebês.

Water ioga: essa modalidade, recente nas academias, é a yoga tradicional adaptada para o meio aquático.

A resistência da água intensifica o exercício propiciando uma queima maior de calorias.

Polo aquático: esporte semelhante ao handebol na água, desenvolve toda a musculatura do corpo, principalmente tronco e membros superiores.

Trabalha também a coordenação e o reflexo.

Nado sincronizado: esta modalidade auxilia na melhoria da flexibilidade, agilidade e condicionamento físico.

Trabalha a musculatura do corpo todo, principalmente das pernas.

Watsu: técnica de hidroterapia indicada para relaxamento com movimentos do zen-shiatsu.

Deve ser praticado em piscina aquecida com temperatura de 35º, aproximadamente, para relaxar ainda mais.

PS: lembremse que a bebida alcoólica não é reidratante, aumenta a diurese e provoca piora da hidratação no calor excessivo.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista  em  Cardiologia  e Medicina do Esporte e mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

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Cuidado, praticar exercício gripado pode gerar dor muscular, anemia e até arritmias

ATLETA GRIPADO

Nabil Ghorayeb*

Seguindo um treinamento à risca, o atleta está preparado para a competição, porém não é invencível para muitas doenças.

Num inverno, mesmo não tão rigoroso, o atleta deve manter-se resguardado, principalmente das viroses, como o resfriado comum e a gripe.

Com frequência, as pessoas acreditam não ser esses males nenhum empecilho ao seu desempenho físico, muitas achando que, suando, vão melhorar mais rapidamente da leve doença.

E por aí vão muitas crendices populares.

Na verdade, é um conceito errado e perigoso.

O esportista com alguma virose não deve participar, em hipótese alguma, de provas esportivas ou atividades físicas.

Além de estar com sua condição física rebaixada, corre o risco de ter complicações no organismo, de dores, distensões musculares e anemia, até as importantes arritmias cardíacas.

Sabemos pela fisiologia que o excesso de exercício físico (muitas horas por dia) tende a diminuir a imunidade do atleta, isto é, a resistência geral deste organismo.

Por isso, a recomendação de acompanhamento médico para evitar estes quadros de debilidade com os exageros de treinamento.

É comum atletas terem infecções ou outras lesões justamente antes das competições.

A melhor forma de preveni-las é através de boa reeducação alimentar e um ritmo de treinamento orientado por especialistas (em geral, professores de educação física ou técnicos diplomados), com uma avaliação médica especializada previamente.

O medo de ser cortado da equipe, ou mesmo a frustração de estar fora de uma competição, leva inúmeros atletas a esconderem uma virose, arriscando-se a desenvolver problemas muito mais sérios como inflamações da tireoide ou dos pulmões ou da garganta e até do coração.

Atletas foram excluídos do grupo porque estavam com arritmias cardíacas e outras alterações do miocárdio, porém, numa análise mais acurada, verificou-se que tinham tido uma infecção viral das suas vias aéreas (garganta e/ou pulmões) dias antes, fato que não revelaram aos seus médicos.

Vale a pena relembrar que infecções virais, na maior parte das vezes aparentemente simples, não devem ser ignoradas pelos esportistas, nem pelos seus médicos.

Aguardar a cura total é o recomendado sempre.

O reinício das atividades físicas deve ser gradativo e sem pressa, mesmo para atletas profissionais.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte, mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

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Saiba quais exames devem ser feitos antes de praticar uma atividade física

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Por Nabil Ghorayeb*

Tenho certeza que de um jeito ou de outro já ouviram falar dos exames indicados.

Mas, pelas perguntas que tenho recebido, vamos explicar melhor.

As Sociedades de Cardiologia e de Medicina do Esporte e Exercício publicaram um documento oficial chamado de Diretrizes em Cardiologia do Esporte com orientações para os médicos nas Avaliações Pré-Participação.

Isto é, o que deve ser feito antes da atividade física esportiva e até mesmo no momento de lazer.

Tudo começa por uma consulta especializada, em que é visto o histórico familiar e pessoal de problemas médicos, como desmaiostonturasdores do peitofalta de ar e etc.

O uso arriscado e indevido de substâncias lícitas como os anabolizantes, hormônios e estimulantes e ilícitas, como a maconha, cocaína e outras.

Sugere-se como importante conhecer com detalhes os antecedentes esportivos do examinado: quando começou, quantas vezes semanais, que posição jogava ou se corria e quanto treinava.

Em seguida, o eletrocardiograma, exame que mostra se tem ou teve algum problema cardíaco.

Outro importante é o hemograma, para detecção de anemias e infecções etc.

Demais exames, o médico que irá decidir quais devem ser solicitados.

A Diretriz orienta para pedir exames baseados na idade e na modalidade esportiva do cliente.

Se for fazer só caminhada ou se vai correr 3, 5, 10 km, meia maratona ou maratona inteira, se vai treinar lutas numa academia ou se quer treinar levantamento de peso, seja para estética ou para competição.

O cliente deve estar atento para explicar as suas intenções esportivas.

O próximo exame é o teste ergométrico, que, por regulamentação federal, só deve ser feito por médico presente e individualmente, nada de dois exames ao mesmo tempo pelo mesmo médico.

Caso não tenha um médico, melhor não realizar o exame.

Outro, o ecocardiograma, não é de rotina, e sua solicitação irá depender das suspeitas do médico na consulta inicial.

Um atleta profissional tem a recomendação de fazer todos os exames citados, dentro de uma rotina peculiar, seja qual for o esporte.

Nós, médicos, desejamos que o esporte e a atividade física regular tragam mais saúde e bem estar, pois se sabe que nunca vão causar danos se praticados com orientação profissional.

Afinal, os eventos médicos que acontecem são consequência de doenças não diagnosticadas ou não valorizadas e, pior, pelo uso crescente de substâncias de risco como os anabolizantes, hormônios e estimulantes.

Quero alertar para recente determinação do Conselho Federal de Medicina de número19/2013:

“A utilização de anabolizantes e hormônios de crescimento em quem não tem indicação de seu uso não deve ser realizada com a finalidade de aumentar sua massa muscular ou seu porte físico”

Esporte deve ser sempre SAÚDE!

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte. Mantém o site CardioEsporte, em que podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

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