Atividade física com segurança: frequência cardíaca define o limite

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Nabil Ghorayeb*

Ao se praticar uma atividade física é importante que cada um saiba qual é seu limite de segurança.

Para tanto, os médicos recomendam conhecer a frequência cardíaca a ser atingida durante o exercício e ter consciência de que ela não deve ser superada numa atividade física regular.

Possíveis riscos de eventos cardíacos, como as arritmias desencadeadas no esforço físico e outras manifestações clínicas, às vezes sem provocar sintomas, poderão ser evitados.

Desde que o esportista mantenha a frequência cardíaca nas faixas consideradas seguras, conhecidas pela análise detalhada do teste ergométrico e esclarecidas pelo médico especialista.

Outra utilidade de se conhecer a pulsação do coração é melhorar o rendimento atlético, ao se utilizar a frequência cardíaca “alvo”, isto é, aquela que deve ser mantida por vários minutos, para serem alcançados os benefícios dos exercícios físicos.

A medição da frequência cardíaca pode ser feita por meio de frequencímetros ou, mais simplesmente, palpando externamente o coração (logo abaixo do mamilo externo) com uma das mãos espalmadas no peito.

Evite usar o método muito comum da palpação das carótidas (na lateral do pescoço) com os dedos, pois existe o risco de se provocar desmaio ou síncope pela compressão do bulbo carotídeo, onde se localizam receptores da pressão arterial e da pulsação do sistema cardiovascular.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista  em  Cardiologia  e Medicina do Esporte e mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

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Por que exercícios físicos 30 minutos por dia

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Nabil Ghorayeb*

Em 1996, o Ministério da Saúde norte-americano publicou uma pesquisa feita em cinco anos com a população, concluindo que caminhar acelerado 30 minutos por dia diminui o risco de um ataque cardíaco em 34%, tanto em homens como em mulheres.

Além disso, foi sugerido que subir escadas, três lances por dia, sete dias da semana faria o mesmo efeito.

Essas pesquisas começaram anos antes, trazendo novas informações para diminuir os efeitos danosos da vida sedentária para a população.

A primeira e mais impactante foi de um pesquisador inglês sobre as doenças que acometiam os funcionários aposentados dos ônibus vermelhos de dois andares de Londres.

Descobriu-se que os motoristas desses ônibus, que passavam a maior parte do tempo sentados, tinham mais casos de infarto do miocárdio do que os cobradores que se sentavam muito pouco, pois subiam e desciam as escadas o tempo todo do trajeto dos veículos.

Outra pesquisa interessante foi acompanhar por informações pessoais ou de familiares a vida médica por 16 anos de ex-alunos de Harvard – os que mantiveram vida ativa fisicamente, comparados com quem ficou sedentário.

O resultado foi que esses últimos tiveram 50% mais doenças cardiovasculares que os ativos que praticavam esportes, corridas ou outras atividades físicas.

O que chamou a atenção foi que os benefícios detectados apareciam meses depois de mantido um gasto médio semanal de 2000 calorias em exercícios físicos.

Importante: gastar calorias e exercitar-se regularmente têm ganhos para a saúde só se mantiver as atividades físicas!

Não existe poupança de benefícios que você tenha feito por um tempo, parando depois, por diversos motivos.

O exercício físico não é vacina para as doenças em geral.

Parou? Em pouco tempo desaparecem os benefícios.

É como se nunca tivesse feito exercícios na sua vida.

Vamos manter as atividades físicas em dia, só assim você poderá buscar saúde plena.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista  em  Cardiologia  e Medicina do Esporte e mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

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Sempre (só) aos domingos

Pesquisa aponta que prática de atividade física de modo intenso, somente uma vez por semana, aumenta em quase três vezes o risco de complicações ortopédicas e cardíacas

Foto: Shutterstock
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Nabil Ghorayeb*

Foi música de filme famoso nos anos 60, hoje é titulo do nosso post.

Sem dúvida, o sedentarismo que atinge 80% da população deve ser fortemente combatido, porém com opções possíveis de serem seguidas por todos.

Desde para a criança como até o mais longevo, a atividade física deve ser estimulada.

As pesquisas consistentes pelo mundo afora seja de médicos como de outros profissionais da saúde, liderada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), mostram redução das doenças crônicas degenerativas e até comportamentais, nos indivíduos chamados de ativos.

Em relação a internações e faltas ao trabalho os números mostram 35% a 40% de aumento desses itens nos sedentários, para tratamento dessas mesmas doenças nos ativos.

As despesas com saúde caem brutalmente onde a população é mais ativa segundo estudo mundial dos fatores de risco conhecido como Interheart.

A nossa Sociedade Brasileira de Cardiologia, pelo seu Departamento de Exercicio, Esporte e Reabilitação Cardiovascular (DERC) tem debatido profundamente a atividade física e o esporte nos Congressos de Cardiologia.

Bem e quem só se movimenta aos domingos ?

Sabemos que qualquer decisão de se mexer é benéfica, mas se for só aos domingos e de modo intenso, o risco de complicações ortopédicas e cardíacas chega a aumentar 2,7 vezes, segundo pesquisa publicada no JAMA (Journal of American Medical Association).

Se for sempre aos domingos, então, caminhe apenas e não espere resultados espetaculares, serão modestos, mas melhores do que ficar parado!

O recomendado é no mínimo três vezes por semana de 60 minutos ou 30 minutos diariamente, com velocidade das caminhadas ao redor de 100 metros por minuto.

A avaliação médica para simples caminhadas não deve ser um obstáculo, mas não custa conhecer suas condições clinicas mínimas, numa consulta simples e um eletrocardiograma.

Mais intensidade ou esportes, aí sim inclua o teste ergométrico com um médico presente SEMPRE.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista  em  Cardiologia  e Medicina do Esporte e mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

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Idosos devem praticar atividades físicas de forma moderada

esporte idosoPor Nabil Ghorayeb*

Notícias recentes nos informam que, nos últimos anos, ocorreu um aumento marcante de frequentadores de corridas de rua e de academias com mais de 60 anos.

O que está acontecendo?

Sem dúvida, a influência da mídia valorizando os eventos esportivos e a visível melhora da qualidade de vida dos esportistas fizeram com que muitas pessoas decidissem se movimentar.

No Brasil, idosos são aqueles com mais de 60 anos e no resto do mundo, os com mais de 65 anos.

Para colocar os idosos nos exercícios, deve-se insistir bastante, é preciso fazer uma avaliação médica especializada (cardiologia e esporte) para detectar possíveis doenças comuns nessa idade e depois começar com orientação de um profissional de educação física, obedecendo aos limites detectados pelo médico.

As recomendações internacionais e brasileiras sugerem a intensidade moderada e o volume de três a quatro vezes semanais, com duração de 60 minutos.

Caso o objetivo seja esportivo, comunique seu médico.

Nas disputas mais inocentes é que acontecem as lesões mais sérias.

Antes do exercício, é importante o aquecimento por 15 minutos.

Durante o exercício, procure manter a pulsação ao redor do valor 195 menos a sua idade ou, então, naquele limite baseado no teste ergométrico.

Terminada a prática, faça 15 a 20 minutos de caminhadas lentas (para esfriar: deve parar de suar) e se hidrate com água ou sucos naturais.

Isotônico, só se tiver perdido mais de 1,5 kg ou tiver passado de duas horas de exercícios intensos.

Aliás, pergunte ao seu médico se pode tomá-los, pois há contraindicações para hipertensos, diabéticos e grávidas.

Para exercícios de força, tenha muita calma e evite querer superar limites.

Lembre-se de que temos limitações naturais acima de 50 anos.

O consumo de suplementos e hormônios deve ser evitado.

Quanto à alimentação, deve ser leve e fracionada pelo dia em seis vezes iguais.

As modalidades esportivas ou de exercícios mais recomendadas são as que não têm choques corporais, de preferência a corrida de rua, associando fortalecimento muscular durante duas vezes por semana.

Para praticar outros esportes como futebol, vôlei e basquete, converse com seu médico para obter a liberação.

Retire o idoso da poltrona da frente da televisão e coloque-o, ao menos, para caminhar um pouco todos os dias.

*Nabil Ghorayeb, doutor em Cardiologia, é especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte, mantém o site CardioEsporte onde podem ser lidos mais artigos com informações e dicas úteis para a saúde.

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Exame médico deve ser renovado a cada seis meses, em São Paulo


O prazo da nova norma pode servir de parâmetro para todos os clubes, diz Consultoria Sindi-Clube

Os departamentos médicos dos clubes devem ficar atentos às constantes alterações e inclusões que são feitas na legislação que regula a prática de esportes nos clubes.

A Consultoria Sindi-Clube faz abaixo um resumo das modificações realizadas, sendo que a última afeta os clubes da capital.

Recente lei do município de São Paulo (15.527 de 14 de fevereiro) determina que os clubes são obrigados a exigir a renovação a cada seis meses do exame médico dos associados.

O atestado médico precisa autorizar a prática da modalidade esportiva que o interessado quer praticar. A inobservância da determinação caracteriza infração com multa prevista no código sanitário do município.

“Essa lei também estabelece que os menores de idade têm que apresentar, além do exame médico, a autorização de seus pais ou responsáveis. Lembramos também que os menores de 12 a 16 anos são obrigados a estar acompanhados dos pais para a prática de atividades físicas e que os de 16 a 18 anos necessitam de autorização dos responsáveis”, diz o consultor jurídico do Sindi-Clube, Valter Piccino.

Prazo recomendado 

Para Piccino, o prazo de validade de seis meses recomendado pela lei paulistana pode ser seguido pelos demais do Estado.

“O Conselho Regional de Medicina impede que seja colocada a validade no atestado médico. Para que seja adotado, o clube deve fazer constar o prazo da validade do exame no regimento da associação. Para ter mais segurança e se precaver, o clube pode estender a obrigatoriedade do exame médico também para os atletas eventuais, para atividades físicas organizadas ou não”, afirma.

O consultor observa que essa medida, mesmo para aqueles que praticam atividade física espontânea, representará uma importante ação de conscientização no sentido de preservar a saúde do associado e a responsabilidade civil do clube.

“No caso de um infortúnio, morte de alguém durante prática de esportes no clube, o seguro não irá cobrir as despesas decorrentes se não for apresentado o atestado médico regularizado e o dirigente poderá até responder penalmente por isso. A lei paulistana reforça a recomendação sempre feita pela Consultoria Sindi-Clube de se adotar seis meses como prazo para a renovação dos exames médicos”, diz Piccino.

Lei federal 

O consultor também chama a atenção dos clubes que possuem equipes esportivas: fiquem atentos à lei federal 12.346, que alterou a lei 9.615/98, de forma a obrigar a realização de exames periódicos para avaliar a saúde dos atletas e prever a presença de equipes de atendimento de emergências médicas em competições profissionais.

“Os clubes que mantêm times de competição, profissionais ou não, não podem deixar de ter os laudos que atestam que os atletas passam por avaliação médica em intervalos regulares”, diz Piccino.

O consultor também alerta para o outro artigo da lei, que obriga os clubes a disponibilizarem equipes de emergência em eventos esportivos profissionais.

“O descumprimento de qualquer uma dessas normas faz com que a responsabilidade civil recaia na pessoa do dirigente, o que poderá configurar ato de má gestão”, avisa.

Mais informações pelo e-mail: juridico@sindiclubesp.com.br