Suar mais durante o exercício é melhor? Como respirar? Saiba respeitar seu corpo

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Turíbio Barros*

A grande maioria das dúvidas que possam existir a respeito de condutas a serem adotadas em relação à saúde e prática de exercícios é respondida pelo nosso próprio organismo.

Quanto de água devemos beber?

Como devo respirar durante o exercício?

Se eu suar mais durante o exercício é melhor?

É normal sentir dor ou desconforto durante o exercício?

Todas essas situações e outras semelhantes foram abordadas em vários artigos publicados nos últimos anos.

Quase sempre, a questão procura analisar possíveis estratégias adotadas voluntariamente para conseguir melhores resultados na prática de exercícios, perda de peso ou na melhora da condição de saúde.

Quando se trata de intervir em funções fisiológicas como a sede, respiração, sudorese e muitas outras, existem uma conduta de bom senso que deve sempre nortear a estratégia a ser adotada: respeite os sinais do seu corpo!

A sede, por exemplo, é um mecanismo fisiológico de manutenção do equilíbrio hídrico do organismo, que sempre vai adequar à ingestão de líquidos conforme a necessidade.

Ninguém precisa intervir voluntariamente na quantidade de líquido a ser ingerido, basta também não se privar de atender a sede que certamente estaremos nos hidratando corretamente, principalmente quando fazemos uma atividade física.

A respiração é outro exemplo.

Qualquer estratégia de “correção” da maneira de respirar leva a um erro que em vez de ajudar vai trazer prejuízo.

O controle da respiração é absolutamente autonômico, ou seja, involuntário.

Quando fizer exercício, deixe seu corpo ajustar sua respiração.

Nunca tente “corrigir” a maneira de respirar.

A sudorese segue o mesmo princípio.

Nós suamos para manter nossa temperatura corporal.

Se existir qualquer obstáculo que dificulte este processo, provocando a necessidade de exacerbar a produção de suor, estaremos indo na “contramão” do processo fisiológico e sempre teremos um prejuízo maior.

Respeitar a dor e o desconforto que eventualmente possam aparecer é outra atitude de bom senso.

Existem situações que um pequeno desconforto pode até ser considerado tolerável, desde que seja adequadamente interpretado por orientação competente e nunca desprezado e desvalorizado.

Essas situações descritas atualmente podem até parecer óbvias, mas sempre vão servir para orientar outras dúvidas.

Quando quisermos definir como atuar diante de alguma situação, sempre vai valer a mesma proposta: Respeite o seu corpo.

A natureza é sempre soberana!2

*TURÍBIO BARROS
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. 
www.drturibio.com

Correr, nadar, dançar… Começar a treinar na terceira idade é possível

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Gustavo Luz*

Quando falamos em atividade física para pessoas da terceira idade, é importante, antes de tudo, saber quem é esse idoso que vai treinar.

Algumas pessoas tendem a associar atividade física para essa faixa etária somente à hidroginástica e ao pilates, que são excelentes atividades, como outras também são.

Entretanto, o praticante pode ter sido lutador e gostar de lutar, ou corredor ou nadador, e preferir voltar a praticar esses esportes.

Essas experiências precedentes influenciam muito na escolha e no sucesso da atividade como promotora da qualidade de vida.

O mais importante é ter orientação e saber como dar os primeiros passos. 

Veja alguns aspectos sobre cinco atividades que são boas opções para qualquer idade:

  1. Dança: é uma atividade física que pode ter várias intensidades de acordo com cada um. Além de trabalhar o corpo e a coordenação, são altamente indicadas para uma socialização com outras pessoas.
  1. Natação:é bastante segura e com baixo risco de lesão, trabalha a coordenação e o ritmo de respiração. Se o idoso já tiver praticado o esporte anteriormente, melhor ainda. Os nados crawl, peito e costas são mais fáceis de aprender e mexem a musculatura de uma forma global.
  1. Corrida: por que não correr? Quase todo mundo pode correr, se seguir um plano bem orientado e que respeite e acompanhe as evoluções. Não existe idade para começar a correr, encare isso como uma oportunidade.
  1. Hidroginástica:é um trabalho de força e equilíbrio que pode trazer excelentes adaptações musculares. E, como é praticada com mais de metade do corpo na água, se torna uma ótima sugestão para quem tem algum problema com equilíbrio.
  1. Musculação:é uma atividade coringa. Pode ser facilmente ajustada para um trabalho específico em qualquer parte do corpo. Como os pesos dos aparelhos e halteres são graduados, uma progressão bem suave pode ser feita. Para os iniciantes, os aparelhos podem ser mais eficientes nesse primeiro momento. Mas com o ganho gradual de força e prática, uma boa sugestão é fazer alguns exercícios com peso livre também.

*GUSTAVO LUZ
É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor técnico da G-LUZ Top Team vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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Exercício físico é arma poderosa para manter bom nível de triglicérides

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Nabil Ghorayeb*

Os triglicérides são partículas de gorduras, como o colesterol, presentes no sangue e de grande utilidade para o metabolismo do corpo, uma reserva energética de um atleta.

Seu nível normal é de até 150 mg/dl.

Se esse valor estiver elevado, representará um risco para a saúde, principalmente cardiovascular.

Os níveis anormais para cima estão associados ao consumo de alimentos ricos em carboidratos e gorduras, como açúcar, mel, doces em geral, sorvetes, massas, pães, refrigerantes e bebidas alcoólicas.

No fígado, essas últimas se transformam em triglicérides.

Para um atleta que pratica exercícios regulares por períodos longos, esses valores caem atingindo níveis sanguíneos na faixa de 50 mg/dl, dependendo da intensidade e do volume dessas atividades físicas.

Ao se detectar níveis baixos, não temos preocupação em relação a riscos de saúde, porém ocorrerá menor capacidade física pela baixa reserva energética do corpo.

Assim sendo, a melhor conduta é solicitar uma reeducação alimentar direcionada ao esporte com uma nutricionista da área.

O tratamento dos níveis elevados até 500 mg/dl é mais simples que o do colesterol.

Uma orientada correção da alimentação associada a exercícios aeróbicos com os de fortalecimento muscular resolve a maioria dos casos.

No entanto, quando não atingimos o nível normal, devem-se procurar outras causas além do simples erro alimentar e ingestão de bebidas alcoólicas, como as disfunções da tireoide e dos rins, obesidade (principalmente a abdominal) e diabetes tipo 2.

Valores maiores de 500 mg/dl provocam o risco de pancreatite, uma inflamação grave do pâncreas.

Quanto ao uso de medicações específicas, somente o médico poderá avaliar e prescrever o tratamento.

O exercício físico ou esporte regular é uma das mais poderosas armas desse tratamento, após avaliação médica prévia.

Com um mínimo de 14 semanas teremos resultados brilhantes.

Como sempre alerto, evite tratamentos alternativos de não médicos, os ditos caseiros com sucos de frutas como abacaxi, de limão e acerola não tem ação medicamentosa, apenas são alimentos muito saudáveis.

O famoso óleo de coco e outras bobagens são apenas receitas de artistas e famosos sem nenhum fundamento médico científico, que vão retardar o tratamento real e com isso favorecendo o aparecimento da aterosclerose e suas consequências danosas para o aparelho cardiovascular.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMU-SP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br 

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Suplementação desacelera perda de massa muscular de idosos, diz estudo

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Os suplementos são nutrientes que podem garantir benefícios funcionais para atletas e praticantes de atividades físicas e, cada vez mais, são utilizados também como recursos para atender necessidades especiais dentre as quais as decorrentes do envelhecimento.

Na literatura científica, encontramos várias evidências desses benefícios, e uma delas chama bastante atenção pela relevância dos resultados do estudo.

Um estudo multicêntrico que reuniu pesquisadores de várias universidades da Europa investigou os benefícios da administração de suplementos nutricionais para um grupo de idosos, mensurando variáveis sensíveis aos efeitos da perda de massa muscular com o decorrer do envelhecimento.

Os voluntários do estudo consumiram durante 13 semanas um suplemento nutricional composto de três nutrientes: Whey Protein, Leucina e Vitamina D.

As avaliações realizadas durante o acompanhamento dos idosos no período do estudo mostrou resultados impressionantes.

Os idosos que consumiram os suplementos nutricionais diariamente durante as 13 semanas, obtiveram, mesmo sem realizar exercícios físicos:
– Aumento de força.
– Aumento de massa muscular.
– Melhora funcional em testes de equilíbrio.

Vale ressaltar que o estudo foi muito bem elaborado, com um número significativo de idosos voluntários, e um grupo controle que não consumiu os suplementos e não apresentou nenhuma melhora funcional durante o mesmo período.
Estes resultados valorizam a importância dos suplementos nutricionais como complemento da dieta, ainda mais quando nos deparamos com notícias alarmantes de adulteração dos alimentos e prejuízo do seu valor nutricional.

Referência: JAMDA 16 (2015) 740-747
* Colaboração: Dra. Gerseli Angeli

*TURÍBIO BARROS
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. 
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Vale treinar em jejum? Corredor deve usar suplemento?

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Gustavo Luz*

Para perder peso, é preciso tratar a alimentação e os exercícios com a mesma disciplina.

É fundamental ser constante.

Assim como não é provável fazer um único “longão” e ter um bom resultado na meia maratona, não dá pra ficar na dieta apenas alguns dias por semana.

Deslizes fazem parte, mas concentre-se na sua meta.

Confira abaixo duas informações importantes que podem te ajudar na hora de tomar importantes decisões.

Vale treinar em jejum?
Não.

Muitos corredores saem para correr todos os dias sem combustível, apesar da ciência ter mostrado claramente que as refeições ou lanchinhos pré-corrida aumentam os níveis de energia e melhoram a performance.

Alguns argumentam que simplesmente não conseguem correr depois de comer, nem que seja algo leve.

Outros correm pela manhã e não querem acordar ainda mais cedo para dar tempo de fazer a digestão.

Mas você não precisa de um banquete para obter energia: uma torrada, um pedaço de fruta ou um pote de iogurte já o ajudarão a treinar com mais força e melhor desempenho.

Todo corredor precisa de suplemento alimentar?
Não.

Nas lojas de suplementos, de artigos esportivos e até nas farmácias, a oferta é vasta e tentadora: “Acelera a recuperação muscular”, “Maior disposição e resistência aeróbica”, “Mais energia”, afirmam os rótulos dos produtos.

Suplementos podem ajudar sim, e muito.

Mas, antes de pensar em algo “extra”, o corredor deveria se preocupar em manter uma alimentação balanceada.

Para a grande maioria, os nutrientes necessários para uma boa performance podem estar no prato.

Nenhum comprimido compensa uma dieta alimentar pobre ou um estilo de vida sedentário.

GUSTAVO LUZ
É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor técnico da G-LUZ Top Team, vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

Praticar exercício físico tem sido um dos melhores fatores contra o AVC

Foto: Shutterstock
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Nabil Ghorayeb*

O assunto AVC (acidente vascular cerebral) ganhou notoriedade.

Muitas pessoas leram, opinaram e discutiram o acidente de Dona Marisa Letícia em meio à política nacional, já que uma pessoa pública foi vítima da “lesão”.

Vamos nos ater aqui única e exclusivamente à gravidade do AVC, segunda causa de morte e de sequelas (paralisias e coma) nas mulheres no Brasil.

A primeira causa é o infarto do miocárdio.

As causas mais comuns que podem causar um AVC são conhecidas: hipertensão arterial (em geral não controlada nem valorizada), tabagismo, vida sedentária, níveis elevados de colesterol, diabete, obesidade e por fim estresse emocional.

Mas em quem e quando pode ocorrer?

Não há dados que nos orientem quanto a isso, mas, sem dúvida, esses fatores de risco presentes numa pessoa, principalmente mulher, e não convenientemente controlados por mais ou menos 20 anos, facilitam o desencadeamento de um infarto do miocárdio ou de um AVC, que pode ter duas formas de se apresentar.

AVC ISQUÊMICO

O chamado AVC isquêmico (mais comum) é quando uma artéria do pescoço ou do cérebro se obstrui por um pequeno trombo (coágulo) ou placa de gordura, provocando a total falta de irrigação de sangue no cérebro.

Esse tipo de AVC causa menos mortes, mas deixa mais pessoas com sequelas, com paralisias diversas e dificuldades de deglutição e fala.

O tratamento na maioria dos casos é para o resto da vida.

AVC HEMORRÁGICO

O AVC hemorrágico se dá quando uma artéria se rompe no lugar onde sua capa está mais fina (suas paredes são mais fracas) ou onde exista uma dilatação local (como se fosse uma bolha fina, conhecida como aneurisma).

Ele pode ter se originado na infância ou se formar na idade adulta, e seu tratamento é cirúrgico com bons resultados na maioria dos casos.

Seu rompimento na maioria das vezes é súbito e nem sempre previsível.

Pode ocorrer em jovens e até em esportistas regulares.

RECOMENDAÇÕES

Como fazer então?

A primeira recomendação é corrigir os fatores de risco.

Tenha certeza que a atividade física regular tem sido um dos melhores procedimentos para auxiliar nestas correções.

Quem pratica exercícios regulares acaba por evitar o tabagismo; melhora o controle do diabete e da hipertensão arterial; permite controle mais fácil dos níveis elevados de triglicérides; provoca elevação do colesterol bom (HDL) (infelizmente não modifica o ruim (LDL)); contorna a obesidade e melhora o bom astral, fator espetacular para uma vida saudável.

A certeza de que pouco ou nada vaí acontecer depende basicamente desse controle, da regularidade dos bons hábitos e, sem dúvida, da herança genética de cada um, mas a medicina tem percebido que, se houver plena atenção com a saúde, o AVC pode ser evitado.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMUSP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br 

Treinar de casaco emagrece? Grávidas podem correr? Educador físico explica

Foto: Shutterstock
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Gustavo Luz*

Quando começamos a correr e a conhecer pessoas que também correm, observamos que algumas questões e dúvidas pairam com certa frequência nas rodas de corredores dos mais diferentes níveis.

Escolhemos alguns assuntos que constantemente geram dúvidas para responder com objetividade.

 Correr de casaco ajuda a emagrecer?
Isso pode até fazer com que os ponteiros da balança baixem um pouco, mas não porque você está mais magro e sim porque eliminou água.

Você está literalmente secando, não emagrecendo.

Ao induzir o excesso de transpiração, colocando mais casacos, você corre o risco de ficar desidratado e comprometer o seu treino.

Emagrecer é queimar gordura, e correr com uma roupa adequada e confortável é uma ótima forma de fazer isso.

É preciso fazer musculação para não se machucar?

Não. Você pode ser um corredor (dos bons) e não malhar.

O que machuca os corredores, na maioria das vezes, é o excesso de treino.

Talvez a musculação o deixe mais forte e resistente em alguns aspectos (desde que você tenha tempo para se recuperar de mais essa atividade).

Mas respeitar os limites do corpo é a melhor forma de não se machucar.

E existem outras atividades alternativas como dança, yoga, pilates e crossfit, por exemplo, que também podem ajudar a prevenir lesões.

Grávidas podem correr?

Sim. Correr durante a gravidez pode trazer muitos benefícios para a mãe, desde que o médico libere a gestante para a prática da atividade.

No geral, quem ainda não corre, não deve começar nesse período.

Mas as corredoras têm boas chances de receber sinal verde para continuar treinando.

Entretanto, nessa situação, o treino deve se tornar uma atividade leve e relaxante.

*Gustavo Luz

É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor-técnico da G-LUZ Top Team, vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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Consumo de O2 pelo corpo é a forma mais precisa de calcular gasto calórico

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Consumo de O2 pelo corpo é a forma mais precisa de calcular gasto calórico

Turíbio Barros*

Os programas de atividades em academias estão sempre buscando novas propostas para motivar os alunos e usam a tecnologia para avaliar seus efeitos.

É muito comum o uso da frequência cardíaca para quantificar o gasto de calorias durante uma atividade física.

Entretanto, esta é uma proposta que pode frequentemente levar a um exagero no cálculo do gasto calórico real.

A forma mais precisa de se calcular o gasto calórico de uma atividade é medindo o consumo de oxigênio durante a aula, o que certamente não é uma medida viável para a rotina de uma academia.

Para medir o consumo de oxigênio é necessário fazer uso de um equipamento metabólico computadorizado, usando máscaras durante o exercício.

A informação obtida se mantém precisa quando o praticante da atividade repetir o exercício (na mesma intensidade durante o mesmo tempo).

O cálculo do gasto calórico real

O cálculo do gasto calórico real segue o seguinte raciocínio: quando nosso corpo consome 1 litro de oxigênio para produzir energia, são “gastas” ou “produzidas” cerca de cinco calorias.

Portanto, se estivermos consumindo 1 litro de oxigênio por minuto, estaremos produzindo 300 calorias por hora (5 x 60 min).

Para gastar 1.000 calorias por hora, como prometem alguns tipos de treinamentos, teríamos que consumir 3,33 litros de oxigênio por minuto (3,33 x 5 x 60).

O problema é que para consumir 3,33 litros de oxigênio por minuto, o indivíduo teria que ter uma aptidão aeróbica do nível de um atleta excepcional, porque essa demanda energética teria que ser no máximo 70% do seu limite máximo de consumo de oxigênio (VO2 máximo) para ser tolerada por uma hora.

Assim, o aluno teria que ter um consumo máximo de oxigênio de 4,75 litros por minuto para poder manter um consumo de oxigênio de 3,33 litros por uma hora (70% do VO2 máximo).

O consumo máximo de oxigênio tem parâmetros de referência expressos por quilograma de peso corporal por minuto (kg/min).

Se considerarmos um indivíduo de 70kg, um VO2 máximo de 4,75l/min seria expresso como 67,85 ml/kg/min, o que está no nível de um maratonista olímpico.

Portanto, devemos entender que, para gastar 1.000 calorias em uma hora, nosso “motor metabólico” tem que ser excepcional.

Na realidade, mesmo uma aula muito dinâmica e bem elaborada, com uma hora de duração, para estar no nível de tolerância de um aluno comum, não vai poder acenar com um gasto calórico tão elevado.

*TURÍBIO BARROS
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. 
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Você sabia? Panturrilha é mais exigida que músculos do quadríceps ao correr

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Turíbio Barros*

O estudo do envolvimento dos diversos grupos musculares na caminhada e corrida é uma área da biomecânica que traz grande contribuição para a melhora de desempenho e prevenção de lesões.

Um estudo publicado no fim do ano passado por pesquisadores da Universidade de Helsinque, na Finlândia, fez abordagem bastante interessante.

O objetivo da pesquisa foi determinar a exigência de dois grupos musculares fundamentais para a locomoção.

Os pesquisadores avaliaram o quadríceps (músculo da face anterior da coxa) e os músculos da panturrilha, durante a caminhada e a corrida.

O propósito era determinar o limite funcional desses grupos musculares e sua contribuição para a performance nos dois padrões de movimento.

Na medida em que um grupo muscular seja exigido muito próximo de seu limite funcional, ele se torna o fator limitante daquele padrão de movimento.

Podemos considerar que existe até uma cultura de fortalecimento do quadríceps como fator fundamental para o desempenho na corrida.

Entretanto, o que os pesquisadores detectaram no estudo foi o diagnóstico que os músculos da panturrilha trabalham muito mais perto do seu limite funcional do que a musculatura da coxa, tanto na caminhada como na corrida.

Isto significa que o “elo mais fraco” é exatamente a panturrilha, cujo fortalecimento é muitas vezes até pouco valorizado nos programas de preparação para melhora de desempenho e prevenção de lesões.

O estudo recomenda em suas conclusões que o fortalecimento desse grupo muscular e a manutenção da flexibilidade da articulação dos tornozelos sejam mais valorizados.

A prevalência de fortalecimento do quadríceps e as conclusões do estudo sugerem como título do “Active Voice” do American College of Sports Medicine a frase que sem dúvida se torna até curiosa: Muito quadríceps e pouca panturrilha!

Referência: Walking and Running Require Greater Effort from the Ankle than the Knee Extensor Muscles Medicine; Science in Sports; Exercise: November 2016 – Volume 48 – Issue 11 – p 2181–2189 

*TURÍBIO BARROS
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. É membro do American College of Sports Medicine, professor e coordenador do curso de especialização em medicina esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros www.drturibio.com

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Sono e descanso têm papel decisivo nos efeitos das atividades físicas

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Turíbio Barros*

O sono tem importância vital em relação à saúde.

Nas últimas décadas, o estudo do organismo durante o sono tem sido uma área de grande interesse por parte da fisiologia.

Atualmente, já é do conhecimento científico a existência de várias doenças que têm sua origem em distúrbios da qualidade do sono.

Para quem pratica atividades físicas, a importância de uma boa noite de sono como complemento de um programa de treinamento é absolutamente fundamental.

Três pilares são fundamentais para a qualidade de vida: rotina de exercícios físicos, boa alimentação e… sono!

Noites mal dormidas, além de comprometerem seu ânimo e energia para o dia seguinte, minam seu projeto de saúde.

Quer ver e sentir resultados? Uma dica é tão importante quanto a dedicação aos treinos: durma e descanse bem!

Quando nosso corpo é submetido aos estímulos que as atividades físicas impõem, é durante o período de recuperação e, particularmente durante o sono, que os benefícios adaptativos se processam.

Em outras palavras, não nos adaptamos aos efeitos do treinamento enquanto treinamos, mas sim quando descansamos.

Os benefícios do sono são proporcionados pelo fato de, durante esta fase do dia, as reações catabólicas (degradação) serem minimizadas e as reações anabólicas (síntese) serem maximizadas.

Um dos sinais mais marcantes do excesso de treino é exatamente o prejuízo da qualidade do sono e mesmo a incidência de insônia, o que exemplifica a situação do organismo estar sob prejuízo funcional, em vez dos benefícios desejados.

O sono é fundamental e, sem dúvida, um importante indicador de qualidade de vida!

*TURÍBIO BARROS
Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela Escola Paulista de Medicina. É membro do American College of Sports Medicine, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. www.drturibio.com

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