Alongar antes de correr prejudica o atleta de longa distância, diz estudo

Foto: Shutterstock
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Turíbio Barros*

A polêmica e as controvérsias sobre os efeitos do alongamento continuam a marcar presença em várias publicações, tanto as de caráter científico como as publicações que refletem opiniões pessoais, fruto de experiências práticas.

Na realidade, atualmente, absolutamente não existe consenso a respeito dos benefícios do alongamento, tanto para melhora de performance como para prevenção de lesões.

Quando consultamos a literatura científica sobre o assunto, encontramos muita dificuldade para obter orientações sobre o tema que possam contribuir para esclarecer as principais dúvidas sobre o procedimento, inclusive sobre a principal delas: devemos alongar ou não, antes de correr?

Uma interessante revisão sobre o motivo foi recentemente publicada por um grupo de pesquisadores da Inglaterra, especificamente voltada para a análise dos efeitos do alongamento para os corredores de longa distância.

Impact of stretching on the performance and injury risk of long-distance runners, cuja tradução é: Impacto do alongamento sobre a performance e o risco de lesões de corredores de longa distância.

Os autores fizeram uma extensa revisão do assunto, analisando dezenas de artigos científicos publicados nos últimos anos.

As conclusões, apesar de não poderem ser consideradas as palavras finais sobre o tema, são bastante interessantes:

– Os corredores precisam ter certa limitação de flexibilidade para não prejudicar a economia de corrida, portanto o excesso de alongamento prejudica o desempenho.

– Alguns autores identificaram a presença de um gene associado com inflexibilidade em corredores de elite.

– Mais uma vez é enfatizada a ausência de comprovação científica dos afeitos do alongamento para prevenir lesões.

– O alongamento realizado imediatamente antes de correr parece realmente prejudicar o desempenho do corredor de longa distância.

Os autores sugerem que se faça um aquecimento antes de correr, e não um alongamento dos músculos dos membros inferiores.

Essas conclusões certamente são polêmicas, principalmente porque o alongar antes de correr se tornou um hábito incorporado à rotina de quase todo praticante de corrida.

Entretanto, quando encontramos um artigo como esse, que é uma revisão de literatura, devemos entender que as conclusões não expressam a opinião pessoal dos autores, e sim o que os artigos científicos, fruto de estudos controlados apresentam como evidências.

Referência: Research In Sports Medicine vol 25, 2017 issue 1

*TURÍBIO BARROS
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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Alongamento: quando praticá-lo, antes dos treinos, depois ou sempre?

alongamento.03Turíbio Barros*

O alongamento é uma necessidade.

Podemos considerar que existem três qualidades físicas: força, resistência e flexibilidade.

Para desenvolver flexibilidade, o alongamento é absolutamente necessário.

Apesar de ser um consenso quanto a sua necessidade, ainda existem muitas dúvidas em relação a quando alongar.

O hábito ainda prevalente é alongar antes e depois da atividade física.

Para tentar discutir e esclarecer essas dúvidas, encontramos na literatura científica vários estudos relacionados ao tema.

A grande maioria dos trabalhos científicos e simpósios realizados nos levam às seguintes constatações:

  • O alongamento deve ser sempre parte integrante de um programa de exercícios, e, portanto, precisa ser realizado sistematicamente, no mínimo três vezes por semana. A orientação de um profissional é fundamental, pelo menos até que uma rotina adequada seja estabelecida. O importante é a regularidade para que exista a efetiva contribuição para melhora de flexibilidade. Uma boa flexibilidade melhora o rendimento físico além de, comprovadamente, prevenir lesões.
  • O alongamento pode ser feito antes da realização dos exercícios, lembrando que o benefício é crônico e não agudo, ou seja, a flexibilidade melhora gradativamente proporcionando uma prevenção quanto à incidência de lesões. Não existe nenhuma evidência científica de que o alongamento feito imediatamente antes do exercício previne lesões por um efeito imediato.
  • Fazer alongamento após realizar exercícios físicos não proporciona nenhuma contribuição para melhorar a flexibilidade. Após os exercícios os músculos apresentam um quadro de microtraumas, que contraindica seu alongamento. O alongar pós-exercício só se justifica como uma técnica de relaxamento e se for realizado deve ser feito de forma muito leve para evitar um comprometimento da estrutura dos músculos.

*Turíbio Barros é mestre e doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM (Escola Paulista de Medicina). Foi membro do American College of Sports Medicine, fisiologista do São Paulo FC e coordenador do departamento de fisiologia do E C Pinheiros. Atualmente, escreve para o site EuAtleta e mantém seu site www.drturibio.com

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