Sindi-Clube entrega Prêmio Nacional de Literatura e anuncia concurso literário para jovens autores

Paulo Movizzo, presidente do Sindi-Clube, homenageou os vencedores e anunciou nova competição literária
Paulo Movizzo, presidente do Sindi-Clube, homenageou os vencedores e anunciou nova competição literária.

Sindi-Clube realizou ontem (13), no Club Athletico Paulistano, a entrega do Prêmio Nacional de Literatura dos Clubes aos ganhadores da segunda edição do concurso que teve a participação de associados de clubes de todo o país.

Durante do evento, o presidente do Sindi-Clube, Paulo Movizzo, homenageou os vencedores e anunciou a criação de uma competição literária destinada aos jovens escritores dos clubes (leia mais aqui).

O Blog do Sindi-Clube passa a divulgar os textos ganhadores do Prêmio Nacional de Literatura dos Clubes 2017.

Márcio Luiz Marques recebe da acadêmica Anna Maria Martins o prêmio de melhor crônica crônica
Márcio Luiz Marques recebe da acadêmica Anna Maria Martins o prêmio de melhor crônica.

Márcio Luiz de Campos Marques, associado do Círculo Militar de São Paulo, foi o vencedor na categoria crônica, com “Meu ego na primeira sessão de terapia”.

O júri que examinou os trabalhos, composto por Anna Maria Martins e Mafra Carbonieri, da Academia Paulista de Letras, e Joaquim Maria Botelho, da União Brasileira de Escritores, observou, em seu parecer, que a crônica de Marques é “um texto de elaboração cuidadosa, cuja característica de negação é, paradoxal, mas oportunamente uma afirmação de personalidade. A técnica utilizada é meio parente do método de Jacques Derrida, em que se constrói a ideia pela decomposição da mesma ideia. Um belo exemplo da boa crônica”.

O concurso é aberto à participação de escritores associados de clubes de todo o país, por meio de convênio com a Fenaclubes.

 

Meu ego na primeira sessão de terapia

Márcio Luiz de Campos Marques*

Eu não sei o que dizer de mim. Eu não sou uma mulher. Eu não tenho menos de cinquenta anos. Eu não sou alto. Não sou bonito, nem feio.  Eu não sou solteiro, nem separado e nem viúvo. Eu não sou filho único. Eu não tenho mais a companhia de meu pai, mas não sei como seria a minha vida sem ser pai.

Não tenho problemas crônicos de saúde. Como todo mundo, não deixo de apresentar, vez por outra, uma dorzinha aqui, um mal estar lá. Afinal, não estou morto.

Ainda bem que eu não estou desempregado. Não vivo para o trabalho,  mas não gosto de ficar à toa. Não frequento nenhuma instituição de ensino formalmente, porém, não deixo de aprender coisas novas sobre temas de meu interesse.

Jamais perco uma boa oportunidade para viajar, quando posso, para ler um bom livro, quando encontro e para ver um bom filme, quando aparece.

Milhões, eu não tenho. Mas também não passo fome e nem deixo de pagar minhas contas e arcar com meus compromissos. Geralmente não sobra muito no final do mês, entretanto, não deixo de guardar alguns trocados para curtir a vida. Ninguém é de ferro, nem eu.

Meu paladar não é muito variado. Eu não como muita coisa. Não que eu seja enjoado, que não goste e nem experimente muitos pratos diferentes, mas na minha mesa não pode faltar um prato de arroz com feijão e nem uma carninha.

Gordo eu não sou. Não deixo de fazer exercícios e praticar algum esporte. Porém, nada muito radical. Não gosto de ficar muito tempo sem curtir meu futebolzinho. Não sou fanático, mas não torço para outro time que não seja o meu.

Certeza,  nessa vida, não tenho nenhuma, muito menos se terei outra vida além dessa. Aliás, como não tenho certeza de nada, não gosto muito das pessoas que têm. Não que eu seja intransigente, é que eu não tenho muita paciência, não sou muito calmo, mas não creio que seja muito diferente de quem quer que seja.

Não tenho ciúmes ou inveja. Não sou dono de ninguém e não quero o que o outro tem. Não preciso de muito para viver. Não me faltando um certo conforto, não me preocupo, não posso dizer que não durma em paz. Aliás, eu não deixo de dormir de jeito nenhum, não que eu não tenha cá os meus problemas, entretanto eles não me tiram o sono.

Medos eu não nego que os tenha. Não suporto injeções e alturas muito elevadas. Mas não posso dizer que um dia não faça uma loucura qualquer, só não acredito que vá fazer uma tatuagem ou pular de bungee jump.

Eu não nego as minhas dúvidas, não tenho certeza de nada. Eu não imagino o que você está pensando de mim, afinal eu não o conheço e você não sabe muito a meu respeito.

Não sei muito bem o que estou fazendo aqui. Não quero te importunar falando de mim e tomando o seu tempo. Por isso não me alongo mais.

Eu não tenho problema nenhum.

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