Recepção à Grã-Bretanha reafirma atenção do Esperia ao paraesporte

O Clube Esperia soma-se às agremiações paulistanas que irão receber atletas de delegações estrangeiras para aclimatação, antes dos Jogos.

Monteiro: apoio ao paraesporte
Monteiro: apoio ao paraesporte

O caso do Esperia é diferente.

A recepção será dada a paratletas da seleção de basquete de cadeiras de rodas da Grã-Bretanha.

O acordo feito com os britânicos reforça o posicionamento do Esperia como um clube inclusivo, que desenvolve formação para cinco modalidades paraolímpicas. Entrevistado pela Revista dos Clubes, seu presidente, Osmar Monteiro, fala da atenção dedicada ao paraesporte. Acompanhe.

Quando e quais os motivos que levaram o Clube Esperia a dedicar atenção ao paraesporte?

Osmar Monteiro: O Clube Esperia tem grande preocupação com a acessibilidade há muito tempo, por entender que um clube socioesportivo deve atender a todos, sem distinção. Não somente as pessoas com deficiência, mas também aqueles que possuem dificuldades de locomoção, seja pela condição física, idade ou qualquer outro motivo, devem ter acesso garantido aos espaços do clube. Também somos beneficiados por nos localizarmos em terreno plano. Essas características levaram o Esperia a ser constantemente procurado para sediar eventos paraolímpicos, como foi o caso das Paraolimpíadas Escolares Nacionais, os Jogos Paraolímpicos Estudantis do Estado e do Município de São Paulo, o Campeonato Brasileiro de Paravôlei, e a preparação da seleção brasileira de paravôlei. Com o apoio da Confederação Brasileira de Clubes (CBC), através de recursos da Lei Pelé, o Esperia fez valer sua vocação paraolímpica. Assumiu a missão de contribuir com a prática paraesportiva, lançando, em 2015, projetos de formação de atletas paraolímpicos de atletismo, basquete, tênis, tiro com arco e paravôlei.

Como os associados do Esperia responderam ao apoio dado aos paratletas?

Osmar Monteiro: Tivemos a grata constatação de que o associado esperiota é realmente muito especial e atento às questões que envolvem a responsabilidade social de um clube com a história centenária e a magnitude do Esperia. Os atletas paraolímpicos foram muito bem recebidos. Nossos associados se orgulham de pertencer a um clube preocupado com a diversidade e inclusão de todos. Hoje, temos a manifestação de associados que querem saber como incluir seus filhos ou parentes deficientes nas atividades aqui desenvolvidas.

O Esperia fez acordo para receber a delegação da Grã-Bretanha, antes da Paraolimpíada. Qual a importância da vinda dos ingleses para validar a prática paraesportiva no clube?

Osmar Monteiro: As primeiras tratativas ocorreram em março de 2014. Os britânicos visitaram diversos clubes no Rio de Janeiro e em São Paulo. Decidiram-se pela capital paulista por encontrarem melhores condições para treinamento e hospedagem. Ao final, eles ficaram entre o Esperia e outro grande clube da nossa cidade. O fator primordial para que escolhessem nosso clube foi o fato de termos assumido o compromisso de que todo valor investido por eles aqui seria utilizado na melhoria das condições de acessibilidade para a prática esportiva. Mais que isso, estabelecemos uma parceria, com cooperação técnica e metodológica, inclusive uma clínica de capacitação profissional para técnicos brasileiros, realizada em 2015.

Serão necessárias adaptações e aquisição de novos equipamentos para os treinamentos?

Osmar Monteiro: Basicamente, iremos dar prosseguimento às melhorias nas condições de uso das nossas instalações para os paratletas. Estamos concluindo reformas em nossos ginásios, para que possamos oferecer condições muito próximas às das arenas do Rio 2016. Vamos recepcionar a equipe britânica de basquete em cadeira de rodas, categorias masculina e feminina.

O Esperia mantém parceria com outras instituições para desenvolver as atividades paraesportivas?

Sim, fizemos parcerias com renomadas entidades, sobretudo com a ADD, Associação Desportiva para Deficientes, que trouxe para nosso clube sua equipe de basquete em cadeiras de rodas, a ADD/Magic Hands. Também temos acordo com a Atitude Paradesportiva, que desenvolve o tênis em cadeiras de rodas, e com a 4US, empresa formada por profissionais ligados à Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes, que colabora com a formação de nossos jogadores do paravôlei.

O Esperia tem jogadores em seleções brasileiras paraolímpicas, com chances de irem aos Jogos?

Osmar Monteiro: O basquete em cadeiras de rodas teve cinco atletas convocados para a seleção brasileira. No atletismo, os irmãos Simone e Sivaldo Santos, disputam vagas nas provas de 200m e 400m para a categoria T12, e nossa arqueira Cecília Junqueira busca um lugar na categoria ARW2 do tiro com arco.

O Clube conta com recursos públicos obtidos por meio da Lei Pelé para desenvolver essas atividades?

Osmar Monteiro: Conta, sim. Assinamos o termo de convênio com a CBC, em dezembro de 2015, para aquisição de equipamentos e materiais para o desenvolvimento dos nossos projetos. O Esperia foi uma das primeiras instituições a se qualificar para receber esses recursos, sendo um dos seis clubes paulistas atualmente habilitados pela CBC para receber verbas da Lei Pelé.

O Esperia incentiva outros clubes a se dedicarem à formação de atletas paraolímpicos?

Osmar Monteiro: Não temos dúvidas que a formação de atletas paraolímpicos deve receber a mesma atenção dada aos atletas olímpicos, pois todo clube tem a responsabilidade de assumir seu papel de protagonista na melhoria das condições de vida e de saúde da nossa sociedade. Pessoas sempre merecem os nossos melhores cuidados, sejam deficientes ou não.

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