Os clubes e as redes sociais. Como isso funciona?

*Eduardo Natividade

Hoje é muito comum que passemos mais tempo conectados do que fora do ar, no que se refere ao acesso à internet.

Mesmo que seja para escrever um texto, responder a um e-mail ou mesmo para apenas passar o tempo com entretenimento digital basta estarmos conectados a uma rede wireless para que a qualquer tempo chegue uma mensagem instantânea em nossos smart phones, tablets ou notebooks.

Se ninguém mais vive sem essas ferramentas, seja por lazer ou por diversão, imaginem as grandes corporações que fazem delas um lucrativo mecanismo de fidelização e interação com a clientela?

É por isso que, a cada dia, os clubes de futebol brasileiros dão mais importância a seus perfis nas redes sociais.A possibilidade de se relacionar com o torcedor a qualquer instante aproxima e cativa.

Poucos projetos de marketing são tão capilarizados e eficientes quanto um bom perfil no Facebook ou no Twitter.   E isso não é apenas uma onda passageira pois os números vêm crescendo vertiginosamente e, principalmente, trazendo resultados concretos para os clubes.

O potencial das redes sociais não é apenas uma “onda ou bolha”, é uma nova forma de comunicação que veio para ficar e crescer, tanto é que as previsões apontam que, até 2025, 73% da população economicamente ativa serão compostos pela chamada “geração Y” (nascidos entre 1980 e 1990) e, destes, a previsão é que 97% sejam conectados a mais de uma rede social.

Você deve estar achando esses números interessantes, porém mais relevantes a empresas com fins comerciais, que os clubes ainda são um ambiente familiar onde a comunicação ocorre de forma presencial e isso é o que materializa as filosofias e missões dos clubes.

Mas, quem disse que tudo isso também não pode ocorrer nas mídias sociais ?

De uma forma ou de outra, isso já acontece há muito tempo e, na grande maioria das vezes, sem o menor controle e conhecimento dos gestores dos clubes, através da comunicação pessoal dos associados, amigos, funcionários e todas as pessoas que, de alguma forma gravitam ou se relacionam em torno dos clubes.

Basta fazer uma simples procura pelo nome do clube numa das mídias sociais, no Google, em blogs. Enfim, a grande maioria dos clubes Brasil e do mundo está nas redes sociais.

Ética, responsabilidade e segurança

OK, já ficou provado que as mídias sociais são uma poderosa ferramenta de comunicação. Porém  pode ser muito complicado e até perigoso implementá-las num ambiente que se espera ser exclusivo dos sócios e que existe pouco controle e disponibilidade de pessoal para que, eticamente, tenha uma eficiente gestão .

As mídias sociais, apesar de serem uma forma de comunicação fácil e acessível, devem seguir os mesmos princípios éticos e funcionais que os clubes praticam em suas comunicações com seus associados e públicos de interesse.

Por isso, devem ser tratadas com a mesma qualidade que cuidamos das nossas correspondências formais, reuniões, estatutos, murais e todos os canais de relacionamento tradicionais. E isso nunca deve ser delegado a quem não tem vivência e autoridade.

O seu clube nunca se transformará num “clube virtual”:

Hoje é muito comum as pessoas definirem a internet como “mundo virtual” ou “blogosfera” ou “comunidades digitais”. Não se deixe enganar por esse conceito criado por quem trabalha nesse meio e busca valorizar seu produto. O mundo é um só e a internet é só mais um meio de comunicação. O ser humano vive no mundo real.

Por isso, o melhor conselho dado pelos grandes especilistas do setor é que a comunicação digital deve ser apenas uma extensão da comunicação tradicional formal e pessoa-a-pessoa, como os clubes vem fazendo desde seu surgimento.

A Apple e a Microsoft não têm perfis em nenhuma rede social, vivem muito bem assim, mas sabem tudo o que acontece nelas

Decida antes se seu clube quer e se deve mesmo entrar nas mídias sociais, pois apesar de ser uma poderosa ferramenta de comunicação, não é mandatória e, certamente, seu clube nunca será julgado por não estar presente nas mídias sociais, se assim for a filosofia de seu clube.

Porém, o fato de não se ter perfis nas redes sociais não deve ser impeditivo de os clubes e empresas saberem o que acontece nesse meio, monitorando tendências, fatos, percepções, ameaças, oportunidades e conhecimento.

É por isso que as grandes empresas mantém serviços de monitoramento de internet, redes sociais, blogs, comentários e todos os canais onde circulam informações que podem afetar suas vendas, suas imagens, suas reputações e negócios.

E isso, não é difícil nem oneroso de se fazer pois existem centenas de ferramentas online que monitoram palavras-chaves dos assuntos, marcas e nomes desejados.

Por isso, os grandes pesquisadores do setor recomendam que toda empresa ou entidade profissional aprendam sobre essa ferramenta que está mudando o mundo e as formas de relacionamento do ser humano.
*Eduardo Natividade é consultor digital

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