Novembro azul: praticar atividade física diminui o risco de câncer de próstata

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Nabil Ghorayeb*

O recente problema de próstata do presidente da República, Michel Temer, junto com o início do mês de novembro, o da prevenção do mais grave problema que atinge o homem, o câncer, nos lembra o tema e sua ligação com o esporte.

Não existe dúvida de que o esporte ou mesmo qualquer atividade física, quando praticados com regularidade, mostram diminuição sensível no surgimento de alguns tipos de câncer, principalmente o de próstata.

No entanto, sabemos que determinados esportes que causam traumas crônicos na bacia (pelve masculina), como o ciclismo, seja de lazer ou esportivo, tem incidência aumentada de problemas da próstata.

Os resultados de pesquisas sobre o aparecimento dos vários tipos de câncer revelam que as pessoas sedentárias, além do risco cardiovascular aumentado, tem maior risco de surgimento de câncer.

O contrário também foi constatado.

Os mais ativos fisicamente, principalmente os idosos que se exercitam em quantidades mínimas de 6 a 9 km por semana foram favorecidos com longevidade saudável com menos casos de câncer.

Essa redução do risco foi espetacular, pois chegou entre 10 e 30%.

Em relação à periodicidade dos exames e quais devem ser feitos, continua a recomendação de se fazer a consulta urológica e dosagem do PSA, anualmente, ao redor dos 50 anos de idade.

Quem tiver antecedentes de pai ou irmão com câncer de próstata deve fazer essa avaliação urológica a partir de 10 anos menos da idade em que surgiu a doença no familiar (se o pai teve aos 55 anos, os filhos devem fazer a partir dos 45 anos).

O indicado é fazer sempre os dois exames, o clínico (toque retal) e o laboratorial.

Assim a chance de acerto é maior que 90%.

Fazer muito esporte por longo tempo e depois parar, muda o prognóstico?

Sem dúvida, o conceito científico adquirido pelas pesquisas médicas é bem claro.

O esporte ou o exercício físico regular só é benéfico enquanto for praticado!

Não existe poupança de benefícios acumulados pelo esportista ou atleta.

Se foi ativo enquanto jovem para um futuro com poucas ou nenhuma doença, não pare.

Como dizemos nas aulas de medicina, “o exercício não é vacina para todo o sempre”.

A fisiologia nos ensina que a duração dos efeitos positivos dos exercícios físicos na prevenção das doenças é curto, dura em média 48 a 72 horas.

Por tudo isso que a atividade física regular deve ser constante, enquanto se puder fazer.

*Nabil Ghorayeb

Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMU-SP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

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