Muito além do futebol, Copa se insere na consolidação do esporte no país

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O Brasil vive as emoções de sediar a Copa do Mundo, mas por trás da euforia com os jogos das seleções há o desenvolvimento de uma série de ações e programas que vão transformar o país numa potência esportiva, muito além do futebol, na chamada “década do esporte”.

Esse período, marcado pela realização aqui dos mais importantes eventos internacionais – Jogos Militares (2011), Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014), Jogos Olímpicos e Paraolímpicos (2016) e a Universíade (2019) – será uma década nunca vista para o esporte do país.

Granieri: década do esporte favorece os clubes
Granieri: década do esporte favorece os clubes

 “Os clubes, que são os grandes especialistas em atividades esportivas e de lazer, têm muito a se beneficiar com essa onda de entusiasmo com o esporte que toma conta da população. Por isso, os dirigentes devem estar preparados para atender mais demandas de seus associados por serviços voltados às atividades físicas, pois há anos ocorre em todo o país uma bem estruturada política de fortalecimento do esporte, que terá prosseguimento, mesmo após a década do esporte. Os clubes irão cada vez mais ampliar suas atividades e se fortalecer com isso”, diz o presidente do Sindi-Clube, Cezar Roberto Leão Granieri.

Essa impressão do presidente do Sindi-Clube, de que o esporte brasileiro experimenta um período de transformação, é validada por Ricardo Leyser, Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento, do Ministério do Esporte, entrevistado pela Revista dos Clubes.

Leyser explica como foi feita a estratégia do governo para estruturar e consolidar o esporte no país. Leyser chama a atenção dos clubes para as oportunidades que os grandes eventos trazem.

Quais os efeitos positivos que o esporte brasileiro já verifica no momento em que se chega à Copa, um dos eventos que marcam a “década do esporte” no país?

Ricardo Leyser: A realização de grandes eventos esportivos no Brasil vem numa trajetória ascendente, desde os Jogos Pan-Americanos de 2007, em seguida os Jogos Mundiais Militares de 2011, a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos e os Jogos Paraolímpicos de 2016 e a Universíade em 2019. Essa escalada é parte de uma estratégia de governo para consolidar o país no cenário esportivo e econômico mundial. As ações e os investimentos para a Copa e o Rio 2016 vão deixar para os brasileiros um Brasil mais desenvolvido no esporte e em outros setores. Os investimentos em Saúde e Educação mais que dobraram entre 2007 e 2013. Somente em 2013, os orçamentos das áreas de Saúde e Educação, somados, são de R$ 177 bilhões, ao passo que o orçamento do Ministério do Esporte, embora crescente a cada ano, é de aproximadamente 1% desse total. O esporte tem potencial para crescer muito, não só em termos de orçamento governamental, mas em importância na vida das pessoas, na imagem do país, no incremento da cadeia produtiva. Os grandes eventos trazem à tona as oportunidades que o esporte oferece e que muitas vezes passam invisíveis na rotina dos cidadãos.

Os investimentos feitos beneficiam apenas o esporte de alto rendimento?

Leyser: clubes podem assumir maior protagonismo
Leyser: clubes podem assumir maior protagonismo

 Ricardo Leyser: Os investimentos beneficiam todo o esporte, desde a base até a ponta do alto rendimento. Os recursos aportados na ponta se espraiam pelas categorias de base, porque os atletas convivem nos mesmos centros de treinamento, recebem orientação dos mesmos profissionais. Isso provoca crescimento técnico dos novatos e, consequentemente, melhora o desempenho da modalidade. O governo federal, com recursos do PAC 2, está fazendo um programa de construção e cobertura de 10 mil quadras em escolas em todo o país. Evidentemente que o público principal são os alunos, mas as atividades esportivas nessas escolas beneficiam toda a comunidade. Outro programa, o Centro de Iniciação ao Esporte (CIE), soma R$ 967 milhões para construir 285 unidades em 263 municípios brasileiros. Cada CIE irá desenvolver até 13 modalidades olímpicas, seis paraolímpicas e uma não olímpica. É indiscutível que isso melhora a vida das pessoas da região.

Como o senhor vê os clubes nesse processo de transformação do esporte do país?

Ricardo Leyser: Os clubes são o grande celeiro de talentos do esporte brasileiro. É neles que as crianças tomam gosto pelo esporte, conhecem as regras, aprendem disciplina. Os clubes têm papel de destaque no cenário esportivo, mas podem assumir maior protagonismo e direcionar mais sua atuação. Penso que, aqueles com vocação e interesse em formar atletas, podem focar em algumas modalidades, reduzindo o leque, para garantir amplo alcance dos projetos e fortalecimento de modalidades olímpicas e paraolímpicas nas quais o Brasil já tem tradição. Se cada um assumir uma fatia de modalidades, em poucos anos isso poderá fazer bastante diferença no desempenho do país nas grandes competições internacionais. Na Rede Nacional de Treinamento que estamos estruturando, os clubes têm importância como centro local de iniciação ao esporte e polo de desenvolvimento e preparação de atletas. Queremos fortalecer o papel dos clubes no sistema esportivo brasileiro.

Como os clubes que não são formadores de atletas de alto rendimento podem se beneficiar?

Leyser: clubes têm a função da lapidar talentos
Leyser: clubes têm a função da lapidar talentos

 Ricardo Leyser: A maioria dos clubes brasileiros forma atleta, ainda que esta não seja a sua principal vocação e ainda que o atleta formado não chegue à seleção principal nem dispute Jogos Olímpicos. Mas independentemente de formar atleta, os clubes devem se voltar para o incremento da atividade física, a oferta de espaço para crianças e jovens terem contato recreativo com as modalidades, realização de competições lúdicas e outras atividades fora da alta performance. Acredito, entretanto, que os clubes podem compatibilizar as atividades de esporte como lazer e qualidade de vida com o esporte competitivo, mesmo que no nível da iniciação e do desenvolvimento de base. Ou seja, os clubes não precisam necessariamente mirar no atleta olímpico. Eles podem contribuir com a grandeza do esporte brasileiro cumprindo a função de identificar e lapidar talentos.

Qual será o principal legado da década do esporte?

Ricardo Leyser: O ministro Aldo Rebelo e a presidenta Dilma sempre estiveram determinados a fazer com que os Jogos Olímpicos de 2016 beneficiem todo o Brasil, não apenas a cidade do Rio de Janeiro. E estamos trabalhando para isso. Integramos o Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, ao Programa Mais Educação, do Ministério da Educação, e, assim, chegamos a 4,3 milhões de alunos beneficiados em 2013, em 26 mil escolas. Em 2013, lançamos o Programa Atleta na Escola, que começou pelo atletismo e neste ano agregou judô, vôlei e dez modalidades paraolímpicas. Nossa meta é chegar, neste ano, a 40 mil escolas em todo o país. Estruturamos a Rede Nacional de Treinamento, que vai interligar e alinhar Centros de Treinamento nacionais, regionais e locais, preparando atletas desde a base até a ponta. Em 2013, o governo federal iniciou o Plano Brasil Medalhas 2016, um aporte adicional de R$ 1 bilhão para incrementar 21 modalidades olímpicas e 15 paraolímpicas. Nossa meta é projetar o país entre as maiores potências esportivas. A julgar pelos resultados obtidos, essa meta irá se concretizar. O ano passado foi brilhante para o esporte brasileiro. Nossos atletas conquistaram 27 medalhas em provas “olímpicas” disputadas em campeonatos mundiais ou equivalentes, um resultado histórico. Antes, o melhor desempenho pós-ano olímpico havia sido em 2005, depois dos Jogos de Atenas, quando nossas equipes obtiveram 11 medalhas.  Com os Comitês Olímpico e Paraolímpico, estabelecemos metas de desempenho, uma novidade no país. Além disso, há um esforço do Ministério para melhorar a gestão do esporte brasileiro. Queremos que um novo modelo de governança surja como um dos legados dos Jogos Rio 2016. Como se vê, nosso plano de legado ocorre em várias frentes, desde o fortalecimento do esporte olímpico, passando pela ampliação da prática esportiva até a formação de base para garantir a sustentabilidade do crescimento que vem ocorrendo nos últimos anos.

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