Mouth rinse: bochechar sem ingerir carboidrato pode retardar a fadiga

Close-up Of Woman Rinsing And Gargling With Water In Glass

Turibio Barros*

A fadiga é um mecanismo bastante complexo.

Na verdade, podemos até entender que a sensação de cansaço ou fadiga, nada mais é do que um verdadeiro mecanismo de defesa.

Apesar desse caráter de “proteção”, um dos propósitos do treinamento físico é retardar a fadiga.

Na realidade, quando os efeitos do treinamento se manifestam, ocorre à melhora da reserva funcional do nosso corpo, e esta maior reserva proporciona a capacidade de realizar uma maior quantidade de trabalho físico até o limite da fadiga.

Assim como os efeitos do treinamento, existem procedimentos que proporcionam uma maior capacidade de realizar trabalho, e os agentes determinantes desses efeitos são chamados genericamente de agentes ergogênicos.

Eles podem ser de natureza nutricional, biomecânica e ou psicológica, e compreendem inúmeras estratégias que são utilizadas por atletas e praticantes de esportes competitivos.

Existem também os agentes ergogênicos farmacológicos, que compreendem as substâncias proibidas pela legislação esportiva caracterizando o doping.

Há um procedimento relativamente recente que tem sido bastante estudado nas ciências do exercício.

Trata-se de um “bochechar” com uma solução com carboidrato (concentração em torno de 10%) durante cerca de 5 a 10 segundos sem que o indivíduo faça a deglutição da solução.

Este procedimento realizado de forma intermitente durante um exercício de longa duração parece realmente melhorar o desempenho, retardando a fadiga.

O procedimento é conhecido como “mouth rinse”.

Curiosamente, dois artigos científicos muito recentes foram publicados mostrando o efeito desse procedimento com ciclistas treinados.

Ambos foram publicados neste mês de março de 2018, no Journal of Sport Science and Medicine e no Medicine and Science of Sports and Exercise.

No caso desse procedimento, fica até difícil explicar como seu efeito se manifesta, sendo que, nos dois estudos citados, os autores afirmam que se trata de um mecanismo neurogênico com origem na mucosa bucal e de efeito no cérebro, caracterizando quase como se o cérebro estivesse sendo “enganado” com consequente retardo da fadiga.

Fica mais uma vez um verdadeiro desafio científico para ser mais bem elucidado, porém já se trata de um procedimento que está sendo utilizado em diversas modalidades esportivas, com resultados bastante promissores.

*Turibio Barros: Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. (www.drturibio.com).

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