Excesso de treinamento físico diminui imunidade perigosamente e facilita desenvolvimento de viroses

Young man lifting the barbell in the gym with instructor. Focus

Nabil Ghorayeb*

Faz alguns anos que a Medicina do Esporte alerta sobre fatos que, aparentemente, não tinha detalhadas explicações, porém, agora os imunologistas e hematologistas conseguiram encontrar os elementos que esclarecem essa antiga dificuldade.

Quanto mais o atleta se esforça e treina intensamente, maior o risco de acabar sendo “premiado” com uma infecção e até mesmo uma arritmia cardíaca.

Em nosso trabalho nessa área, no atendimento de atletas e esportistas amadores e profissionais como no ensino de pós-graduação, começamos a entender o que anteriormente se chamava de “overtraining” clínico, hoje leva o nome de Síndrome do Excesso de Treinamento (SET).

A característica clínica dessa verdadeira doença do esporte inclui aspectos psicológicos típicos, como: cobrança de resultados exagerada e inusitada sem nexo, mesmo quando o atleta consegue boas marcas, insônia, irritabilidade com todos, cansaço físico inexplicável, palpitações frequentes e a temida queda da performance.

As quantidades das cargas de exercício podem causar alterações na imunidade se o exercício for mais intenso e prolongado (ou seja >65% do VO2 máx.).

Os exercícios com intensidades excessivas parecem enfraquecer a imunidade geral.

Quando examinamos maratonistas veteranos, encontramos seus glóbulos brancos (leucócitos) em muito baixa quantidade, em níveis de 2000/mm3.

Vários casos que a mídia explorou como causados pela poluição ou intoxicação externa, eram claramente baixa imunidade.

Essa queda da imunidade ocorre por diminuição dos níveis da glutamina nos músculos, um aminoácido não essencial que tem um fluxo direto e contínuo dos músculos para o fígado, intestino, rins e sistema imunológico.

Como o sistema imunológico necessita de muita glutamina para a manutenção de suas funções, e o exercício físico induz o aumento da atividade dessas células, ocorreria a redução da disponibilidade de glutamina imediatamente após exercícios intensos e prolongados, e no final das contas facilitaria o aparecimento de certas doenças, em especial, as viroses principalmente respiratórias.

Esse verdadeiro fenômeno imunológico negativo, tem aumentado, hoje em dia, e seu tratamento inicial deve ser iniciado pela correção dos hábitos de treinamento, ou seja, devem diminuir ou em alguns casos suspender os treinamentos e recomeçar de modo gradual e lento.

O alerta médico é para não acreditar nunca em medicamentos ou certas substâncias que aumentariam a imunidade, isso ainda não foi conseguido de modo simples, como o famoso, porém, inútil por ser inativado no estômago, oxido nítrico em comprimidos orais.

Ainda a fórmula de sucesso deve se basear numa programação feita pelo profissional de educação física, depois da conveniente avaliação médica especializada.

*Nabil Ghorayeb: formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

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