Cuidado! Anabolizantes e hormônios bioidênticos têm mesmo efeito nocivo

Nabil Ghorayeb*

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O combate ao sedentarismo é um assunto muito em voga atualmente.

Muitas pessoas buscam no caminho mais curto o mesmo resultado do caminho mais árduo para ativar o organismo.

Seja na saúde ou em diferentes esferas da vida, pegar a tangente e tentar burlar a lei do esforço sempre traz contratempos.

No que diz respeito ao combate ao sedentarismo, temos a obrigação moral de voltar aos assuntos hormônios (Testosterona, DHEA, GH) e anabolizantes, hoje uma verdadeira epidemia que assola esportistas de todas modalidades e idades.

A Revista Europeia de Cardiologia publicou um artigo de alerta para quem usa os hormônios bioidênticos (que possuem a mesma estrutura química e molecular encontrada nos hormônios produzidos no corpo humano) no tratamento antienvelhecimento.

Intitulado a partir do questionamento “Testosterone: a hormone preventing cardiovascular disease or a therapy increasing cardiovascular events?” (Testosterona: um hormônio que previne doenças cardiovasculares ou uma terapia que aumenta os eventos cardiovasculares?), o artigo afirma que as terapias exógenas (gel e injetáveis), usadas para restaurar os níveis normais de testosterona, não mostraram qualquer benefício com relação à diminuição dos eventos de doenças cardiovasculares.

E pior: têm potencial efeito nocivo.

EXEMPLOS VIVOS

Por coincidência, tivemos a oportunidade de consultar dois casos típicos e extremamente graves.

O primeiro, o de um jovem de 40 anos com antecedentes totalmente sadios, que por sugestão de um amigo instrutor da academia que frequenta em São Paulo, decidiu usar testosterona e anabolizante “puro e sem risco” para ficar mais forte e sentir-se bem.

Em poucas semanas seus níveis de testosterona atingiram grau extremamente perigoso (quase 2000 ng/dl), aliado à hipertensão arterial com comprometimento renal, além de arritmias cardíacas graves.

Esse rapaz ainda usou o hormônio DHEA, orientado por seu instrutor com “precursor da testosterona e sem efeitos colaterais”.

Resultado: com 40 anos, o rapaz teve sua saúde deteriorada e seu organismo desregulado.

Em outro caso, uma senhora de 50 anos, esportista regular por muito tempo, procurou um médico para o tratamento “antiaging” (antienvelhecimento), usando hormônios bioidênticos por meio de gel de testosterona.

A consequência foi o aumento do hormônio em nível patológico, superiores a de um homem, além da elevação do colesterol ruim (LDL) e leve hipertensão arterial, para completar os riscos.

Foi-lhe acrescentada a ingestão de Vitamina D oral, o que fez com que os níveis dessa vitamina atingissem mais do que o triplo do normal, potencializando outros ricos eminentes à sua saúde.

O tratamento “antiaging” é proibido no Brasil, pois carece de consistência científica e indica possíveis danos graves à saúde (câncer e outras alterações cardiovasculares).

O custo desse tratamento não autorizado pode ser ressarcido via Judiciário, por ser proibido pelo Conselho Federal de Medicina e ANVISA.

Insistimos para que se pratique esporte sem uso de drogas ou medicamentos.

Procure um nutricionista de confiança para saber da sua necessidade – ou não – de suplementação, bem como um profissional de educação física para segurança e resultados dos treinos, após a conveniente avaliação médica competente.

*NABIL GHORAYEB
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP , chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, Especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, Médico Sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, Coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br    

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