Crônica finalista do Prêmio Literário Sindi-Clube/APL fala da esperança trazida pela chuva

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Foto, fonte: http://www.pinterest.com/pin/389420699000916873/

O autor da crônica “Chuva”, Mário Sérgio Fioretti, que ficou em segundo lugar do gênero no Prêmio Literário Sindi-Clube/APL, adotou um tom quase confessional para descrever a sensação que se tem quando se avizinha a chuva e pensa-se no que poderia ir junto com a correnteza.

Chuva

Mário Sérgio Fioretti*

Ouvi os trovões, vi os raios caírem. E estou esperando pela chuva.

Uma chuva que não seja fraca, que venha com um pouco de vento e muita água.

Água que bata nas paredes, espalhe pelas janelas e passe através das árvores.

Que corra pelas sarjetas e flua pelos bueiros e galerias, desaguando com força e vontade num rio qualquer.

Estou esperando por uma chuva que lave minha alma e a alma de um milhão de outras pessoas.

Que não inunde nada, mas que jorre forte do céu e leve na sua correnteza toda a sujeira da minha cidade.

Não leve apenas o pó em suspensão e a lixarada das ruas, mas também o barulho e os maus cheiros. Leve a maldade e a insegurança, a falta de cidadania, leve as pichações dos prédios e monumentos que eu amo.

Que leve também a pressão do que é esperado eu fazer, a falta de tempo, a ansiedade por cumprir todos os compromissos do mês e deixe mais leve tudo o que carrego comigo.

Enquanto cair, que venha acompanhada de mais trovões, como que para anunciar que é a chuva definitiva, forte, mas apaziguadora.

Que suas grandes e pesadas gotas estejam carregadas de paz, e que as sinta na sua totalidade enquanto saio para o céu aberto e me encharco desse liquido raro. Que eu sinta meus cabelos grudarem na minha testa e meus olhos se embaçarem. Sinta a água fria descendo pelo meu tórax e escorrendo pelas minhas pernas.

Aí eu gostaria que ela começasse a diminuir de intensidade para que eu possa ver a correnteza indo embora e levando para os ralos tudo o que precisa ser levado. Para sempre.

E quando ela passar, que tudo esteja limpo e fresco, num silencio suficiente para que eu possa ouvir os últimos pingos serem pingados, e o lento tornar das coisas que eu gosto.

E em paz.

 

*Mário Sergio Fioretti, associado do Esporte Clube Pinheiros, é advogado e professor universitário.

Concorreram no Prêmio Literário Sindi-Clube/APL trabalhos de 74 participantes associados de 24 clubes, de dez cidades paulistas, nas categorias poesia, crônica e conto.

Os textos foram analisados pela comissão julgadora constituída por Anna Maria Martins, Mafra Carbonieri (membros da APL) e Joaquim Maria Botelho, presidente da União Brasileira de Escritores.

Visite o portal do Sindi-Clube e saiba mais de assuntos que interessam ao seu clube.

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