Consumo de O2 pelo corpo é a forma mais precisa de calcular gasto calórico

Foto: Shutterstock
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Consumo de O2 pelo corpo é a forma mais precisa de calcular gasto calórico

Turíbio Barros*

Os programas de atividades em academias estão sempre buscando novas propostas para motivar os alunos e usam a tecnologia para avaliar seus efeitos.

É muito comum o uso da frequência cardíaca para quantificar o gasto de calorias durante uma atividade física.

Entretanto, esta é uma proposta que pode frequentemente levar a um exagero no cálculo do gasto calórico real.

A forma mais precisa de se calcular o gasto calórico de uma atividade é medindo o consumo de oxigênio durante a aula, o que certamente não é uma medida viável para a rotina de uma academia.

Para medir o consumo de oxigênio é necessário fazer uso de um equipamento metabólico computadorizado, usando máscaras durante o exercício.

A informação obtida se mantém precisa quando o praticante da atividade repetir o exercício (na mesma intensidade durante o mesmo tempo).

O cálculo do gasto calórico real

O cálculo do gasto calórico real segue o seguinte raciocínio: quando nosso corpo consome 1 litro de oxigênio para produzir energia, são “gastas” ou “produzidas” cerca de cinco calorias.

Portanto, se estivermos consumindo 1 litro de oxigênio por minuto, estaremos produzindo 300 calorias por hora (5 x 60 min).

Para gastar 1.000 calorias por hora, como prometem alguns tipos de treinamentos, teríamos que consumir 3,33 litros de oxigênio por minuto (3,33 x 5 x 60).

O problema é que para consumir 3,33 litros de oxigênio por minuto, o indivíduo teria que ter uma aptidão aeróbica do nível de um atleta excepcional, porque essa demanda energética teria que ser no máximo 70% do seu limite máximo de consumo de oxigênio (VO2 máximo) para ser tolerada por uma hora.

Assim, o aluno teria que ter um consumo máximo de oxigênio de 4,75 litros por minuto para poder manter um consumo de oxigênio de 3,33 litros por uma hora (70% do VO2 máximo).

O consumo máximo de oxigênio tem parâmetros de referência expressos por quilograma de peso corporal por minuto (kg/min).

Se considerarmos um indivíduo de 70kg, um VO2 máximo de 4,75l/min seria expresso como 67,85 ml/kg/min, o que está no nível de um maratonista olímpico.

Portanto, devemos entender que, para gastar 1.000 calorias em uma hora, nosso “motor metabólico” tem que ser excepcional.

Na realidade, mesmo uma aula muito dinâmica e bem elaborada, com uma hora de duração, para estar no nível de tolerância de um aluno comum, não vai poder acenar com um gasto calórico tão elevado.

*TURÍBIO BARROS
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. 
www.drturibio.com

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