“Ciclo olímpico será critério para distribuição de recursos da Lei Pelé”

Há pouco menos de dois anos, a CBC (Confederação Brasileira de Clubes), legalmente habilitada pela Lei Pelé, deu início ao repasse aos clubes de recursos para a formação de atletas olímpicos e paraolímpicos e também estabeleceu um novo marco para o desenvolvimento do esporte brasileiro.

Desde então, a CBC publicou cinco editais chamando clubes para a apresentação de projetos que pleiteiam os cerca de R$ 4 milhões, transferidos mensalmente pelo Ministério do Esporte à CBC, correspondentes a 0,5% do arrecadado com loterias.

Cruz: política bem estruturada para o esporte
Cruz: política bem estruturada para o esporte

Até aqui, nos quatro primeiros editais, a entidade já fez fluir mais de R$ 30 milhões, com a assinatura de 32 convênios celebrados para projetos de formação de atletas de 29 clubes.

Para avaliar o que já foi realizado e projetar como a CBC pretende orientar os próximos chamamentos, a Revista dos Clubes entrevistou Fernando Cruz, vice-presidente de Formação da CBC, que preside a comissão técnica que examina as propostas apresentadas pelos clubes que buscam os recursos.

Cruz se diz satisfeito com o aumento gradativo de entidades que se tornam elegíveis para receber as verbas da Lei Pelé e anuncia que a CBC estuda a possibilidade de o próximo edital prever a utilização da Lei Pelé para remunerar comissões técnicas pelo prazo de 48 meses, já com vistas à formação de atletas para o próximo ciclo olímpico, 2016/2020. Acompanhe a entrevista exclusiva.

A CBC tem recebido retorno dos clubes quanto à forma dos editais de convocação de projetos feitos até agora?

Fernando Cruz: Fizemos, no Rio de Janeiro, em setembro, o primeiro fórum de presidentes de clubes em que foi discutido e avaliado o caminho percorrido, que é novo para os clubes e para nós. Posteriormente, com o Seminário do Esporte, realizado em 9 e 10 de dezembro, continuamos a avaliar as dificuldade que os clubes tiveram para cumprir o requerido nos editais. Desses contatos saíram novas ideias e sugestões que vão orientar o próximo edital, de número seis, previsto para o início de 2016.

Qual foi o principal pedido apresentado nesse seminário?

Fernando Cruz: O Seminário reuniu os 29 clubes formadores que já apresentaram projetos. O principal pedido foi no sentido de se utilizar os recursos da Lei Pelé para remuneração do pessoal das comissões técnicas responsáveis pela formação de atletas. A CBC, agora, vai analisar a viabilidade técnica e os aspectos jurídicos dessa demanda. A isso se junta nosso desejo de, em 2016, trabalhar com ciclos olímpicos.

A CBC pretende orientar a destinação dos recursos com vistas à Olimpíada de 2020?

Fernando Cruz: Sim. O conceito do ciclo olímpico é mais lógico, pois respeita o que o clube enfrenta na prática da formação do atleta. Havendo a possibilidade legal, faremos o próximo edital para projetos que prevejam o pagamento de comissões técnicas, com o prazo de 48 meses. Isso vai permitir aos clubes desenvolver trabalhos com começo, meio e fim, com treinadores fixos. Assim, a entidade formadora terá como se programar para participar de competições, estabelecer metas ano a ano, com indicadores de desempenho mais seguros para avaliar a sua formação. De pouco adianta receber recursos pontuais, sem levar em consideração o ciclo olímpico.

Qual a avaliação do critério utilizado pela CBC na formulação dos editais de convocação de projetos realizados até aqui?

Fernando Cruz: Os dois primeiros editais feitos pela CBC foram para projetos que previssem a aquisição de materiais e equipamentos esportivos. Como ainda não havia um diagnóstico completo da situação da demanda dos clubes, oferecemos a eles a oportunidade de se reequiparem. Isso também serviu, de certa forma, para identificar necessidades. Em seguida, no terceiro edital, passamos a incentivar os clubes a cada vez mais participarem de competições nacionais, para melhorar a formação e o desempenho dos atletas. Os projetos aprovados foram para bancar custos de deslocamentos, taxas, passagens, uniformes. Esses projetos foram ainda mais complexos. Ao contrário da aquisição de materiais e equipamentos, que não têm prazos de utilização, uma competição tem data marcada, é inadiável, e não espera o processo de liberação de recursos. Depois, voltamos a convocar projetos para compra de materiais e equipamentos. Até 31 de dezembro de 2015, deveremos completar a celebração de convênios com os clubes que vão receber recursos desse primeiro ciclo de cinco editais já concluídos. Temos a expectativa de simplificar esse processo, que ainda é muito burocrático e engessado. Se ainda não temos a agilidade desejada, estamos com a cautela necessária para esse início de caminho. Nossa expectativa é de que estamos construindo uma política bem estruturada para o esporte nacional, que não vai se esgotar; terá prosseguimento após a Olimpíada.

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