Pesquisa mostra novos benefícios da atividade física para o cérebro

Sedentários têm 30% mais risco de doenças neurológicas, em relação às pessoas que fazem exercícios físicos, aponta estudo.
Sedentários têm 30% mais risco de doenças neurológicas, em relação às pessoas que fazem exercícios físicos, aponta estudo.

*Nabil Ghorayeb

A Academia Americana de Neurologia atualizou, no fim de 2017, uma diretriz que reviu várias pesquisas sobre o comportamento do cérebro humano de pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL), principalmente de algumas funções como a memória e sua relação com o exercício físico regular.

A conclusão foi de melhora neurológica quando eram associados aos atuais precários tratamentos farmacológicos.

Essa diretriz, que vai nortear o neurologista norte-americano, se baseou em algumas pesquisas da Mayo Clinic (Rochester).

O estudo mostrou aumento do comprometimento com a idade, ou seja, de 6,7% entre os 60 e 64 anos, de 8,4% entre 65 e 69 anos, de 10,1% dos 70 aos 74 anos, e alcançando 25,2% aos 84 anos.

A demência mais avançada nessas pessoas mais idosas apareceu em 14,9% delas.

A recomendação do que fazer é bem ampla: usar como treinamento neurocognitivo os jogos de mesa (ou até mesmo os de celular) e agregar o exercício físico como uma importante e conhecida ferramenta cardiológica e ortopédica, agora validada pela melhora do comportamento cognitivo com alguma deficiência.

Outra pesquisa reuniu dois mil indivíduos com idade média de 77 anos e cognitivamente normais.

Ficou demonstrado que os praticantes de atividades físicas tiveram 22 a 30% menos risco neurológico do que os sedentários para desenvolver comprometimento cognitivo leve até quatro anos depois.

As associações entre o risco do CCL diminuído, o uso do computador e ser ativo socialmente também foram significativos naqueles que carregavam a apolipoproteína (Apo-E), a única até agora formalmente associada ao aparecimento da demência de Alzheimer.

“Esse nível de redução de risco com base em atividades foi impressionante. Nunca é tarde demais para se envolver nessas simples atividades que estão bem no nosso nariz, segundo a autora principal Yonas E. Geda, da Mayo Clinic School of Medicine”.

*Nabil Ghorayeb: Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP , Chefe da Seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, Especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, Coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br

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Não se esqueça dos músculos do pé!

Raquel Castanharo*

Atleta consciente sabe que precisa manter os músculos com força adequada.

Os treinos mais tradicionais, sejam eles na academia, crossfit, pilates ou funcional, buscam englobar todos os seguimentos: braços, pernas e tronco. Mas e o pé?

Você faz exercícios para os músculos dessa parte do corpo?

Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir a quantidade de músculos que possuímos no pé e que, portanto, merecem atenção.

Os mais importantes somam onze, e isso contando somente os que são intrínsecos (o que começam e terminam no pé, sem ter relação com o restante da perna).

Negligenciar os pés pode levar a consequências negativas na corrida, pois esse segmento é essencial para uma boa biomecânica.

Veja a seguir alguns exemplos de problemas que podem surgir quando nos esquecemos de cuidar do pé, e exercícios para reverter essa situação.

  • Lesões: acredito que a pior consequência para um corredor seja se machucar. A fraqueza de músculos do pé está associada a lesões como a fasceite plantar, que gera dor em sua sola, e a canelite, que causa dor na parte interna da perna.
  • Menor amortecimento de impacto: o pé é o nosso primeiro amortecedor na corrida. É nele que se inicia todo do processo de amenização do impacto. Mas ele precisa estar com sua musculatura bem condicionada para exercer essa função, caso contrário o corpo tende a sofrer mais com o impacto de cada passada.
  • Alterações posturais: os músculos dos pés contribuem para a manutenção de seu formato em abóboda, ou seja, eles ajudam a sustentar os arcos do pé. Alguns casos de pés chatos e outras alterações posturais, como a pronação do tornozelo, podem estar associados à fraqueza desses músculos.

Treinar a musculatura do pé é simples e pode ser feito com exercícios em casa:

Em pé, tente deixar o arco interno do pé mais alto, sem mover o restante da perna. Você deve sentir que está fazendo força nos músculos da sola do pé. No começo é difícil, mas é só uma questão de prática.

Abra e feche os dedos.

Arraste os dedos no chão como se quisesse usá-los para puxar algo para perto de você.

Ande mais descalço: a sola do pé é cheia de sensores que ajudam o cérebro a controlar melhor o movimento e o equilíbrio, então é importante tirar os sapatos e sentir o chão de vez em quando.

Fique em um pé só, tentando manter o lado que ficou no chão o mais parado possível.

Os pés são fundamentais para o atleta.

Cuidar deles é uma parte fundamental para uma prática de corrida saudável e com menos perigos.

Então, inclua-os em sua rotina de treinamento e perceba as diferenças.

 

*Raquel Castanharo é fisioterapeuta formada e mestra em biomecânica da corrida na USP. Realizou pesquisa em biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, Canadá. Trabalha com fisioterapia e avaliação biomecânica em São Paulo e Jundiaí.

 

Quer queimar gordura? Ganhe músculos!

Gustavo Luz*

De acordo com pesquisas, um acréscimo de 0,5 kg de músculo aumenta, em média, o gasto de 30 a 50 calorias a mais por dia sem mudanças na dieta.

Muita gente quer emagrecer e, por isso, passa longe dos pesos e ferros da academia, achando que vai ficar mais pesado.

Mas não é bem assim.

O músculo é o lugar do seu corpo onde a gordura armazenada é queimada, usada como energia.

Mais músculo requer mais energia.

Então, quanto mais músculo você tiver, mais calorias e gorduras queimará em um período de, por exemplo, 24 horas, não importa se você está treinando ou se está dormindo.

“Se você ganhar 0,5 kg de músculo, queimará entre 30 e 50 calorias a mais por dia, em média. Podemos, com segurança, nos basear no mínimo: 30 calorias. Isso significa que, se você adicionar 2,5kg de massa magra ao seu corpo, isso resultará em uma perda de 0,5kg de gordura todo mês, sem nenhuma mudança na sua dieta. E um ganho de 5 kg de músculo pode dobrar o seu gasto calórico.”

Essa foi a conclusão da pesquisa conduzida pelo treinador Nick Tumminello, e publicada em 2014 no livro “Strength Training for Fat Loss” (treinamento de força para perda de peso).

Talvez a ordem dos exercícios não faça muita diferença aqui, o mais importante é que você os experimente e identifique os que eventualmente causam algum desconforto (para não fazê-los).

O seu treinamento vai ficando mais difícil e refinado gradualmente, não tenha pressa.

Procure a orientação de algum profissional de educação física de sua confiança, já que a interpretação das impressões do treino são informações valiosas para potencializar a sua melhora.

*Gustavo Luz é educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006. Diretor técnico da G-LUZ Top Team vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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Cerveja após o exercício pode? Consumo de álcool diminui síntese de proteínas

Gerseli Angeli e Turíbio Barros*

O consumo de bebidas alcoólicas após a prática esportiva é extremamente comum, especialmente nos fins de semana e mais ainda no período das férias e festas de fim de ano.

Pelo fato de o álcool ser um carboidrato, muitas vezes ouvimos, até mesmo de profissionais da área das ciências do exercício, que a ingestão pode ser um recurso válido para recompor os estoques de glicogênio muscular no período pós-exercício.

Sendo, portanto, no mínimo inofensivo para a obtenção dos efeitos plenos do treinamento recém finalizado.

A má notícia é que, de acordo com a ciência, o raciocínio não é bem assim.

Um grupo de pesquisadores de diversas universidades da Austrália, Canadá e Reino Unido, conduziram um estudo em que os indivíduos avaliados foram submetidos a três sessões de exercícios em sequência: exercícios resistidos a 80% da carga máxima, seguidos por 30 minutos de aeróbico em bicicleta a 63% da capacidade máxima, e mais dez séries de 30 segundos de treinamento intervalado de alta intensidade a 100% da capacidade máxima.

Imediatamente e quatro horas após o exercício, os indivíduos consumiram ou proteína (whey protein), ou álcool, ou álcool + proteína ou álcool + carboidrato.

Os resultados do estudo mostraram que o consumo de álcool após a atividade física, inevitavelmente, provoca a redução da síntese de proteínas durante todo o período de recuperação muscular pós-exercício, reduzindo a resposta anabólica e prejudicando a recuperação muscular e consequentemente a performance subsequente.

Por outro lado, um resultado interessante desse estudo é que o consumo concomitante de proteína (no caso deste estudo 25g), apesar não ter anulado o efeito negativo do álcool sobre a síntese proteica, foi capaz de atenuá-lo consideravelmente.

Em resumo, se o consumo de bebidas alcóolicas for inevitável após uma sessão de treinamento, não deixe de consumir também proteínas, ou seja, o churrasquinho com os amigos após o futebol nunca foi tão cientificamente correto!

*Turíbio Barros

Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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Caminhar pode gerar tantos benefícios quanto atividades mais intensas

Nabil Ghorayeb*

Pode parecer incrível, mas grandes pesquisas mundiais (algumas no Brasil) resultaram em constatações surpreendentes na informação de que a caminhada simples pode proporcionar maior longevidade.

O sedentarismo, um dos quatro principais fatores de risco para o aparecimento de problemas cardiovasculares, câncer, entre outros, contribui entre 6 a 10% no desenvolvimento de doenças crônicas degenerativas.

As recomendações mundiais são de, no mínimo, 150 minutos de exercícios de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa por semana, por tempo indeterminado.

Os benefícios bem conhecidos da atividade física moderada e pouco mais intensa são os mesmos de baixo risco de ter ou de morrer de doenças cardiovasculares, diabete tipo 2, derrame cerebral e alguns tipos de câncer.

Enquanto que as atividades físicas mais vigorosas por longos períodos podem aumentar o risco de problemas ortopédicos e até alguns problemas cardíacos, recomenda-se, nesse caso, um acompanhamento médico mais próximo.

Ao contrário do que se pensa de que para ter saúde precisamos fazer exercícios moderados a intensos, constatou-se que podemos ter benefícios saindo apenas para caminhar.

Uma pesquisa divulgada em outubro de 2017 concluiu que 120 minutos por semana de simples caminhada (1600 m em 20 minutos, seis vezes por semana) foram suficientes para se conseguir maior longevidade saudável.

Nessa pesquisa realizada em Atlanta, nos Estados Unidos, foram acompanhados 77 mil mulheres e 62 mil homens, todos adultos com mais de 68 anos de média de idade, por longos 13 anos e analisadas as causas de mortes que ocorriam.

Houve forte diferença na quantidade de mortes por doenças gerais, principalmente o câncer e mortes por doenças cardiovasculares, ao se comparar os ativos das simples caminhadas com as pessoas de hábitos totalmente sedentários.

A taxa de mortes para os sedentários foi de 4.293 por 100 mil indivíduos.

Entre os que caminhavam 120 minutos por semana, foi menor, ou seja, 2.851 para 100 mil.

Enquanto na turma de exercícios moderados, com 150 minutos ou mais, foi ainda bem menor: 2.088 por 100 mil.

Foi confirmada a tese de anos da OMS (Organização Mundial da Saúde) que recomendava a caminhada para todos, por ser algo simples e livre, não requerendo nenhum treinamento específico.

Acrescento que nem necessita de roupas ou equipamentos especiais.

Na realidade, qualquer caminhada é melhor do que não se fazer nada, segundo concluíram os autores.

*Nabil Ghorayeb

Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMU-SP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

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Recuperado de infarto, o atleta pode correr, fazer triatlo ou crossfit?

Nabil Ghorayeb*

Ultimamente, atletas amadores com antecedentes de alguma doença cardiovascular procuram médicos de diferentes especialidades querendo participar de modalidades esportivas.

Lembro sempre que apenas um médico pode fazer este diagnóstico, orientar o tratamento e avaliar os possíveis riscos dos exercícios para a saúde.

Tanto nas práticas esportivas como na necessária reabilitação após um evento cardiológico, nós contamos com a parceria obrigatória de profissionais da saúde que não são médicos.

No último Congresso Brasileiro de Cardiologia, os médicos do esporte debateram uma situação frequente: a de decidir quando alguém que teve infarto do miocárdio e estando em boas condições na evolução clínica poderia praticar as modalidades esportivas de alto desgaste, como a maratona e outras corridas longas: triatlo, ciclismo, natação em mar aberto, o crossfit, HIIT (treino intervalado de alta intensidade), ou o velho conhecido spinning e as lutas.

As conclusões foram duras e claras, recomendando usar critérios médicos rigorosos na avaliação prévia, que deve ser composta de consulta especializada, teste ergométrico com médico presente na sala do exame, exames de laboratório analisando o funcionamento dos vários sistemas do organismo e ecocardiograma.

Se foi infarto, o médico deve rever os detalhes da cinecoronariografia e do tratamento em andamento e qual estado clínico atualizado antes de liberar a prática esportiva.

Outros detalhes são fundamentais, e o médico que decidir a liberação deve conhecer a modalidade esportiva, os riscos próprios e o tipo de treinamento que será feito na academia.

Pouca importância, lamentavelmente, se dá ao clima e ao local de determinada prova a ser feita, se na ocasião estará muito quente ou frio, entre outros cuidados.

Isso é fundamental, pois eventos fatais já ocorreram em tais situações.

Outra recomendação séria: se ocorrer um quadro de doença infecciosa, como uma gastroenterite, gripe ou outra doença aguda, o atleta não deve participar de provas esportivas ou praticar exercícios até a cura total.

As modalidades de exercícios e esportes devem ser praticadas para a saúde e devem ter o organismo em perfeitas condições de saúde.

No caso de crianças e gestantes, devem rigorosamente evitar essas modalidades mais intensas e, na dúvida ,fale com seu médico.

Idosos e mais jovens precisam sempre fazer a avaliação médica pré-participação.

*Nabil Ghorayeb

Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMU-SP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

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Saiba como manter a regularidade dos treinos e não deixar o ritmo cair no feriado

Gustavo Luz*

O mês de novembro veio recheado com três feriados.

Será que é possível não deixá-los atrapalhar os seus treinos?

Sim, é bem verdade que, para muitos corredores, feriado é sinônimo de mais tempo para treinar e uma chance de descansar um pouco mais os músculos.

Para essa galera, o feriado só ajuda no treinamento.

Mas também tem gente, principalmente aqueles que ainda não conseguiram encontrar uma regularidade e uma rotina com os exercícios, que sofre com essa quebra de ritmo que os feriados proporcionam.

E se você tá no grupo dos que estão com dificuldade, não deixe o feriado te sabotar, planeje-o.

Se sabe que vai a uma festa à noite e que vai beber em um dia, não force a barra para treinar de manhã no dia seguinte, por exemplo, reabasteça seu corpo com boa comida e água ao longo do dia, para treinar à noite.

Dessa forma, as chances de se sentir com mais energia para treinar e não ficar em falta com a planilha pode aumentar e as chances de se machucar, por forçar a barra, diminuem.

E quem precisa de regularidade tem que fazer de tudo para passar longe das lesões.

Quem tem o objetivo de perder peso tem que ter cuidado redobrado, pois o feriado pode proporcionar uma noite de comida e bebida farta e a “matada” no treino no dia seguinte.

É claro que não tem problema sair da linha eventualmente, mas seja honesto com você mesmo – se não mandar bem nos treinos, fica difícil perder peso, simples assim.

Caso não dê para treinar, mesmo por causa de algum compromisso, faça uns agachamentos em casa, ou flexões de braço.

Você também pode subir as escadas.

Treinar cinco ou dez minutos é muito melhor do que não treinar nada.

*Gustavo Luz é educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006. Diretor técnico da G-LUZ Top Team vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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Novembro azul: praticar atividade física diminui o risco de câncer de próstata

Nabil Ghorayeb*

O recente problema de próstata do presidente da República, Michel Temer, junto com o início do mês de novembro, o da prevenção do mais grave problema que atinge o homem, o câncer, nos lembra o tema e sua ligação com o esporte.

Não existe dúvida de que o esporte ou mesmo qualquer atividade física, quando praticados com regularidade, mostram diminuição sensível no surgimento de alguns tipos de câncer, principalmente o de próstata.

No entanto, sabemos que determinados esportes que causam traumas crônicos na bacia (pelve masculina), como o ciclismo, seja de lazer ou esportivo, tem incidência aumentada de problemas da próstata.

Os resultados de pesquisas sobre o aparecimento dos vários tipos de câncer revelam que as pessoas sedentárias, além do risco cardiovascular aumentado, tem maior risco de surgimento de câncer.

O contrário também foi constatado.

Os mais ativos fisicamente, principalmente os idosos que se exercitam em quantidades mínimas de 6 a 9 km por semana foram favorecidos com longevidade saudável com menos casos de câncer.

Essa redução do risco foi espetacular, pois chegou entre 10 e 30%.

Em relação à periodicidade dos exames e quais devem ser feitos, continua a recomendação de se fazer a consulta urológica e dosagem do PSA, anualmente, ao redor dos 50 anos de idade.

Quem tiver antecedentes de pai ou irmão com câncer de próstata deve fazer essa avaliação urológica a partir de 10 anos menos da idade em que surgiu a doença no familiar (se o pai teve aos 55 anos, os filhos devem fazer a partir dos 45 anos).

O indicado é fazer sempre os dois exames, o clínico (toque retal) e o laboratorial.

Assim a chance de acerto é maior que 90%.

Fazer muito esporte por longo tempo e depois parar, muda o prognóstico?

Sem dúvida, o conceito científico adquirido pelas pesquisas médicas é bem claro.

O esporte ou o exercício físico regular só é benéfico enquanto for praticado!

Não existe poupança de benefícios acumulados pelo esportista ou atleta.

Se foi ativo enquanto jovem para um futuro com poucas ou nenhuma doença, não pare.

Como dizemos nas aulas de medicina, “o exercício não é vacina para todo o sempre”.

A fisiologia nos ensina que a duração dos efeitos positivos dos exercícios físicos na prevenção das doenças é curto, dura em média 48 a 72 horas.

Por tudo isso que a atividade física regular deve ser constante, enquanto se puder fazer.

*Nabil Ghorayeb

Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP, doutor em cardiologia pela FMU-SP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em cardiologia e medicina do esporte, médico sênior do Grupo Fleury Medicina e Saúde, coordenador da clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

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Quer começar a correr? Confira dicas para sair do sofá e dar início aos treinos

Gustavo Luz*

A corrida é um dos esportes mais democráticos que existe.

Gordinhos e magrelos, altos e baixos, jovens e idosos, milionários e assalariados, todos podem dar o primeiro passo agora e colher frutos em pouco tempo.

E nunca é tarde para começar!

Você vai ver como depois de alguns minutos de corrida, seu corpo é inundado por algumas substâncias que promovem prazer e sensação de bem-estar, podendo relaxar as tensões e diminuir a ansiedade do dia a dia.

É possível que comece o treino achando que nada vai dar certo e termine com um sorriso no rosto.

O importante, nesse começo, é procurar adquirir uma rotina regular de treino.

Você não precisa nem deve correr todos os dias, algumas estratégias funcionam bem, como treinar dia sim dia não.

Não se preocupe com a distância que vai percorrer, seu foco deve ser no tempo de corrida (ou caminhada).

E depois de estabelecer essa rotina dos treinos, calibrar a alimentação pode se tornar uma tarefa mais fácil.

O importante é entender, de forma honesta, que não existe atalho nem milagre, você vai ter que se esforçar e, muitas vezes, sair da zona de conforto como nunca antes.

Uma boa forma de se manter motivado é se inscrever em provas.

Para os iniciantes, a distância de 5 km cai como uma luva, é divertida, se adapta a sua rotina e não exige um supercondicionamento físico para completá-la.

Seja para bater um recorde pessoal, aliviar o estresse, curtir o clima das provas ou reencontrar os amigos, invista nessas provas.

E antes de se inscrever para distâncias maiores tenha certeza de que as provas de 5 km já estão sendo bem assimiladas pelo seu corpo, esse é um dos erros mais comuns dos iniciantes e pode transformar a sua motivação inicial em lesão.

*Gustavo Luz é educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006. Diretor técnico da G-LUZ Top Team vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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Descubra os efeitos da atividade física nos sintomas da tensão pré-menstrual

Gerseli Angeli e Turíbio Barros* 

A tensão pré-menstrual (TPM) é um conjunto de sintomas que acomete a grande maioria das mulheres nos dias que antecedem o início da menstruação.

Estes sintomas incluem ansiedade, irritação, maior retenção de líquidos, diminuição da disposição física, entre outros.

As pessoas menos esclarecidas costumam considerar que a origem dessas manifestações é psicológica, desconhecendo a enorme influência das variações hormonais da mulher nesse período do ciclo.

A importância que a ciência atribui atualmente a esse quadro e suas implicações cresceram na razão direta da participação cada vez maior da mulher em todos os setores da sociedade moderna.

Recentemente, foi publicado um estudo realizado no estado de Connecticut, nos Estados Unidos, que investigou os benefícios da atividade física regular sobre os sintomas da TPM.

Esta pesquisa envolveu 216 mulheres de 18 a 45 anos de idade.

As pacientes portadoras de TPM foram divididas em três grupos:

Grupo A: pacientes que mantiveram o padrão de vida sedentário durante os três meses do estudo.

Grupo B: pacientes que iniciaram um programa de atividade física leve (caminhada) durante 45 minutos, três vezes por semana e durante três meses.

Grupo C: pacientes que iniciaram um programa de atividade física moderada (caminhar acelerado) durante 45 minutos, três vezes por semana e durante os três meses.

Os resultados do estudo mostraram que as pacientes do grupo que mantinham os padrões de vida sedentária continuavam a evidenciar os sintomas da TPM.

Por outro lado, em todas as pacientes dos grupos B e C, ou seja, tanto as que realizaram atividade física leve quanto moderada, os sintomas da TPM desapareceram ou diminuíram.

A conclusão desse estudo nos leva a recomendar a atividade física leve ou moderada como um importante aliado para atenuar o desconforto e os prejuízos causados pelos sintomas da TPM na vida social e na produtividade da mulher.

Estas evidências caracterizam mais um benefício da prática regular de exercícios para a saúde e o bem-estar.

*Turíbio Barros

Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela Escola Paulista de Medicina. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo Futebol Clube e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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