Inscreva-se no Prêmio Nacional de Literatura dos Clubes

Quem gosta de escrever não pode ficar de fora do Prêmio Nacional de Literatura de Clubes, uma iniciativa do Sindi-Clube, em parceria com a Academia Paulista de Letras e com o Fenaclubes.

As inscrições vão até o dia 18 de agosto.

Esta é a segunda edição nacional, mas o prêmio já existe há sete anos com abrangência estadual.

Em 2016, foram 45 clubes participantes, de 22 cidades do país, com 220 obras inscritas.

É possível concorrer em três categorias:

Poesia: texto curto que demonstre domínio da linguagem e uso de recursos poéticos e expressivos. Cada poema deve ter no máximo duas páginas.

Crônica: texto curto, narrativo ou dissertativo, baseado em assuntos do cotidiano ou de interesse geral, caracterizando-se pela pertinência dos temas tratados, julgado a partir do domínio que apresente da linguagem reflexiva e denotativa. Cada crônica deve ter no máximo duas páginas.

Conto: narrativa ficcional curta. Cada conto deve ter no máximo cinco páginas.

Os temas são de livre escolha, mas cada candidato pode concorrer com apenas uma obra e em apenas um gênero.

A obra deverá ser apresentada em papel tamanho A4, com formatação especificada no regulamento.

Ao se inscrever, o candidato deve fornecer três cópias digitadas e impressas da obra, assinadas por um pseudônimo.

Junto com a obra, o candidato, com o uso do pseudônimo, deverá enviar um envelope lacrado, contendo suas informações reais de candidato e da obra inscrita.

Confira todos os dados e documentos necessários para a inscrição no regulamento.

A equipe do Blog do Sindi-Clube conversou com a escritora e integrante da Academia Paulista de Letras, Anna Maria Martins, e com o escritor, jornalista e jurado do Prêmio, Joaquim Maria Botelho, que deram dicas para se sair bem nesse concurso, confira.

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Crônica vencedora do Prêmio Nacional de Literatura dos Clubes mostra mecanismos que regem o poder

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O Blog do SINDI-CLUBE divulga mais um texto vencedor do Prêmio Nacional de Literatura dos Clubes.

Heloísa de Queiroz Telles Arrobas Martins, associada do Club Athletico Paulistano, saiu-se vencedora na categoria crônica, com “A engrenagem”.

O júri que examinou os trabalhos, composto por Anna Maria Martins e Mafra Carbonieri, da Academia Paulista de Letras, e Joaquim Maria Botelho, da União Brasileira de Escritores, observou, em seu parecer, que a crônica de Heloísa revelou “estilo contido, sóbrio e não se perde na adjetivação inoperante. E sem dúvida nenhuma, convoca a nossa indignação ante as engrenagens do poder paralelo”.

O concurso é uma das ações do convênio entre o SINDI-CLUBE e a FENACLUBES (Federação Nacional dos Clubes).

A engrenagem

Heloísa de Queiroz Telles Arrobas Martins

A votação é aberta. Sou o próximo. A maioria apertou o botão do sim com tranquilidade assombrosa, nada que transparecesse qualquer dúvida na alma, qualquer ferrão na consciência ou receio de arrependimento. E creio que não sentissem mesmo nenhuma dessas excentricidades.

Volto no tempo, relembrando a apresentação de outro projeto, o meu, mais de um ano atrás. Inspirado em experiência bem sucedida em outros países, beneficiaria milhares de cidadãos. Era para realizações assim que tinha me candidatado e sido eleito. De início, pensei que teria o apoio irrestrito dos colegas, como as ondas rumam à praia. Espantou-me a demora no trâmite, surpreendeu-me a contestação do óbvio, chocou-me a oposição ao espírito norteador da ideia, sua relativa fácil implantação, seu incontestável resultado prático.

Meses passaram. Nenhum argumento contrário prevaleceu, como à noite sucede o dia. E então surgiu outro projeto – empréstimo de vultosa quantia a uma ONG de parente falido de um colega parlamentar. As justificativas para a concessão eram frágeis, teia de aranha que se desfaz com a mão. A finalidade da verba, camuflada com um escudo de gelo.

A princípio pasmo com a fácil acolhida por parte de alguns, logo passei ao estupor, vendo as fileiras engrossarem qual manada desembestada por capataz implacável. Poucos ainda resistiam à proposta e, uma a uma, as sentinelas da moralidade iam caindo. Em muitos casos custei a crer que tivessem cedido a tamanho descalabro, era oferecer uma arma a quem quer se matar.

A engrenagem girou, até que chegou a minha vez. Entre quatro paredes e claro como a luz do sol, o intermediário começou por elogiar o meu estagnado projeto. E logo revelou a que tinha vindo. Meu projeto seria aprovado – imediatamente após eu votar a favor da verba para a ONG. A torneira aberta aguaria dois canteiros.

Agora aqui estou, aguardando a chamada de votação. Como as ondas fustigam as pedras, lá onde não alcança a vista dos que estão na praia, resisto impassível.

Ouço meu nome e me preparo para apertar o botão de votação.

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Prêmio Literário torna-se nacional e bate recorde de participação

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O convênio entre o SINDI-CLUBE e a FENACLUBES movimentou a área cultural dos clubes brasileiros, com o Prêmio Nacional de Literatura dos Clubes.

Nas edições anteriores era restrito a clubes paulistas.

O concurso deste ano foi aberto a associados de agremiações associadas à FENACLUBES. Os inscritos passaram de 123, em 2015, para 220, com um aumento de 78% na participação.

São Paulo liderou as inscrições, com 29 clubes de 11 cidades.

No primeiro ano de abrangência nacional, o Prêmio recebeu textos enviados por 19 clubes de 11 cidades de outros estados.

Os textos recebidos, de poesia, crônica e conto, estão com o júri formado por integrantes da Academia Paulista de Letras (APL), que escolherá os vencedores – três de cada categoria literária.

Os melhores colocados de cada gênero – poesia, crônico e conto – receberão prêmios de R$ 1.200, R$ 600 e R$ 300. A data da premiação será confirmada proximamente.

“É um prazer muito grande contar com textos de associados de clubes de todo o país, o que qualifica a competição, graças ao acordo firmado com a FENACLUBES. Esperamos ampliar ainda mais a dimensão nacional do concurso nas próximas edições”, diz o presidente do SINDI-CLUBE, Cezar Roberto Leão Granieri, Betinho.

O presidente da FENACLUBES, Arialdo Boscolo, comemorou o número de inscritos.

“A iniciativa do SINDI-CLUBE já era vitoriosa e, ao unirmos forças, tivemos esse maravilhoso acréscimo nas inscrições. Nossa expectativa é que essas participações aumentem ainda mais nos próximos anos com o fortalecimento da nossa parceria”, afirma.

Destaques

Entre os destaques deste ano, está a Associação Esportiva Mocoquense, de São Paulo, que teve recorde de participantes: 93 inscritos (68 poesias, 13 crônicas e 12 contos), com grande participação dos jovens associados do clube.

“Por causa do Prêmio, fortalecemos o incentivo à pratica cultural no clube. O concurso literário e o trabalho realizado com escolas da cidade, também ajudaram no crescimento, pois incentivamos crianças a procurarem mais sobre literatura. Já as atividades específicas da literatura, foram embasadas na nossa biblioteca interna. Para incentivar o associado a retirar livros do nosso acervo, criamos o troféu leitor do ano”, diz André Gustavo Burrone Bernardes, presidente do Mocoquense.

O Yacht Clube da Bahia trouxe ao Prêmio Literário o trabalho de três associados. O gerente de esporte e lazer da entidade, Luis Eduardo Pato, elogiou o incentivo oferecido aos escritores pelo Prêmio.

Nosso clube sempre incentiva atividades no âmbito cultural, que atinge também o segmento literário. O Prêmio Literário é uma realização de suma importância e que fomenta as atividades literárias. Estamos sempre abertos às atividades dessa natureza. É uma grande satisfação participarmos. Contem sempre conosco”, afirma Pato.

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Veja fotos da premiação do Prêmio Sindi-Clube/APL de Literatura

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Os associados de clubes vencedores da quinta edição do Prêmio Sindi-Clube/APL de Literatura receberam suas premiações em 23 de novembro, em evento realizado no Club Athelico Paulistano.

As fotos já estão disponíveis na página do Sindi-Clube no Facebook.

Os textos de poesia, crônica e conto foram analisados pelo júri formado por integrantes da Academia Paulista de Letras (APL), que escolheu os melhores trabalhos – três de cada gênero literário e quatro menções honrosas.

O Paulistano destacou-se, conquistando sete dos 13 prêmios atribuídos.

O concurso recebeu 123 contribuições de 29 clubes localizados em 13 cidades paulistas.

“Essa participação representa um crescimento de 66% no número de inscrições e recorde absoluto em relação aos anos anteriores. Temos certeza de que, em 2016, continuaremos a ampliar espaços como este do Prêmio Literário, que revela e divulga talentos da arte de escrever, estimula a cultura e aproxima as pessoas”, afirmou o presidente do Sindi-Clube, Cezar Roberto Leão Granieri, Betinho, ao discursar no evento.

Associados de clubes vencedores

Poesia

Primeiro lugar: Lisa Kahuna  (Club Athletico Paulistano), com “On”.

Segundo lugar: Vicente Rággio (Club Athletico Paulistano), com “Diário de uma menina boliviana”.

Terceiro lugar: Caroline Isadora Martins (Associação Esportiva Mocoquense), com “Não chores”.

Menção honrosa: Maria Antonieta de Souza (Club Athletico Paulistano), com “Panteão dos versos”.

Crônica

Primeiro lugar: Durval Nicolau Tabach (Esporte Clube Sírio), com “Manifestação de policiais”.

Segundo lugar: Marcelo Francisco Pimentel (Círculo Militar de São Paulo), com “Hoje vi um amigo”.

Terceiro lugar: Diovana Teresa Testa (Associação Esportiva Mocoquense), com “O desenho das nuvens”.

Menção honrosa: Virgílio Franceschi Neto (Clube Caiçara de Jaú), com “Os rumos e a bola”.

Conto

Primeiro lugar: Cláudio Fernando Mahler (Club Athletico Paulistano), com “Garrafas ao mar”.

Segundo lugar: Maria Lúcia Passos (Club Athletico Paulistano), com “A mulher e o visitante”.

Terceiro lugar: Heloisa Silveira Barros (Club Athletico Paulistano), com “Por extenso”.

Menções honrosas: Maria Helena Vieira (Club Athletico Paulistano), com “O Unicórnio”, e Hans Freudenthal (Club Athletico Paulistano), com “Cheiro de enxofre”.

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Participação no Prêmio Sindi-Clube/Academia Paulista de Letras cresce 66%

Logo_Prêmio Literatura 2015A quinta edição do Prêmio Sindi-Clube/APL de Literatura registrou o recebimento de trabalhos literários de 123 associados de 29 clubes localizados em 13 cidades paulistas. Essa participação representa um crescimento de 66% em relação ao verificado no concurso de 2014, quando 74 associados enviaram textos.

O prêmio literário vem ganhando crescente adesão de associados de clubes, desde que foi instituído em 2011. O certame é realizado em parceria com a Academia Paulista de Letras (APL), para revelar e premiar talentos literários entre associados de clubes.

Agora, as obras recebidas serão lidas pela comissão julgadora composta por acadêmicos da APL e os textos selecionados receberão a premiação em solenidade que será feita em 23 de novembro, no Club Athletico Paulistano. Os melhores colocados de cada gênero – poesia, crônico e conto – receberão prêmios de R$ 1.200, R$ 600 e R$ 300.

Neste ano, um clube do interior de São Paulo se destacou pelo número de inscritos. A Associação Esportiva Mocoquense, de Mococa, teve 32 inscritos – 18 poesias, cinco crônicas e nove contos –, com destaque de participação de jovens autores.

Bernardes: promoção da cultura
Bernardes: promoção da cultura

“Fizemos um concurso prévio no clube e integramos o prêmio literário do Sindi-Clube ao nosso festival de inverno, pois essa ação coincide com a promoção da cultura que queremos fazer na cidade. Tivemos o apoio de professoras de língua portuguesa na organização e fomos buscar a participação de estudantes. Ficamos orgulhosos de ser o clube que mais inscreveu trabalhos, pois nosso objetivo é incentivar a arte e a educação e, com isso, valorizar o clube”, afirma André Gustavo Burrone Bernardes, presidente da Mocoquense.

Outros clubes que se destacaram pelo número de associados participantes foram Club Athletico Paulistano, com 24 inscritos, Associação Brasileira A Hebraica de São Paulo, 13, Clube Caiçara de Jaú,10, e Círculo Militar de São Paulo, 8.

O presidente do Sindi-Clube, Cezar Roberto Leão Granieri, Betinho, comemorou o sucesso da competição literária. “Há cinco anos, instituímos o prêmio literário em parceria com a APL e ficamos felizes em poder mostrar essa outra faceta dos clubes que oferecem tantas atividades – a de promover a cultura e a literatura, com valorização da escrita. Temos certeza de que essa ação continuará a crescer em importância”, diz.

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Escritores associados de clubes, atenção: prazo para participar do Prêmio Literário vai até 30 de junho!

cartaz_Premio Literatura 2015Vai até o dia 30 de junho de 2015 o prazo para inscrições de trabalhos no 5º Prêmio Sindi-Clube/APL de Literatura para associados de clubes, nas modalidades de poesia, crônica e conto.

O Prêmio é realizado em parceria com a Academia Paulista de Letras (APL).

Uma comissão julgadora, composta por três jurados especialistas de cada gênero literário, vai escolher os trabalhos classificados do primeiro ao terceiro lugares de cada categoria.

Os melhores colocados receberão prêmios de R$ 1.200,00, R$ 600,00 e R$ 300,00.

O regulamento com todas as especificações exigidas para participar do Prêmio no portal do Sindi-Clube.

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Concurso vai premiar talentos literários dos clubes

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Serão abertas segunda-feira (23/3) as inscrições para a quinta edição do concurso para associados dos clubes paulistas, destinado a revelar e premiar talentos literários dos gêneros poesia, crônica e conto.

O Prêmio Sindi-Clube/APL de Literatura será realizado em parceria com a Academia Paulista de Letras (APL).

Uma comissão julgadora, indicada pela APL, composta por três jurados especialistas de cada categoria literária, vai escolher os trabalhos classificados do primeiro ao terceiro lugares de cada gênero.

Os melhores colocados de cada gênero receberão prêmios de R$ 1.200,00, R$ 600,00 e R$ 300,00.

O concurso permite a inscrição de um trabalho por participante até 30 de julho e os temas das obras são de livre escolha.

Leia as especificações exigidas para os textos das categorias no regulamento do Prêmio, disponível no site do Sindi-Clube.

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Poesia distinguida no Prêmio Literário Sindi-Clube/APL fala de saudade e lembranças

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“Para sempre é muito tempo. O tempo não para! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo”, já havia observado Mário Quintana.

Na mesma trilha de Quintana, o autor da poesia “Reminiscências”, classificada em terceiro lugar no Prêmio Literário Sindi-Clube/Academia Paulista de Letras, Armando Salles Galbi, conta como retornam ao presente lembranças que desafiam o tempo.

Reminiscências
Armando Salles Galbi

Vozes roucas, tristes, do meu silêncio,
– Estranhas vozes, por onde estiveram?
Palavras frias tombadas ao vento
Que nos lábios de estátuas são quimeras…

Vetusto silêncio das minhas vozes
Grita, maltrata, fere e denuncia
As dores que me visitam, atrozes,
Me cobram, falam da vida em renúncia…

Querem apenas ver-me em sofrimento
Revisitam-me… Mas agora é tarde!
Tudo Isso deixou de ser tormento…

Só me restaram no peito saudades;
E das tristes vozes do esquecimento
Ficaram lembranças nas frias tardes…

Armando Salles Galbi é associado do Círculo Militar de São Paulo.

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Conheça mais um texto premiado no Prêmio Literário Sindi-Clube/APL

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A observação atenta de Sílvia Cachone narra de forma delicada a elaboração de um ninho.

Mesmo mantendo distanciamento, o texto descreve como aquela concepção sensibiliza quem acompanha o paciente trabalho do pássaro.

O texto ficou com o terceiro lugar na categoria crônica.

O ninho

Sílvia Cachone*

Ela já tinha começado com os preparativos, daquele seu jeito meio descuidado. Uns gravetos mal arranjados, sem capricho mesmo. Mas era um ninho.

O calheiro coçou a cabeça ao encontrá-lo na calha que precisava reparar. Olhou para o que sobrara do coqueiro e se decidiu a transferi-lo, com muito mais capricho do que ela mesma tivera com seu ninho, para o topo do tronco. Fixou-o com pregos para ter certeza que ele não cairia.  Ninguém acreditou que ela fosse adotar o ninho transferido, mas contrariando as expectativas ela se ajeitou lá e esperou.

Ficávamos torcendo para que não chovesse forte e para que o sol não fosse muito inclemente.  A cada vez que olhávamos para o coqueiro lá estava ela, paciente e irredutível em sua espera. Os dias vinham e iam e ela nos espiava lá de cima, cumprindo o ciclo que a natureza lhe impunha.

A sua espera fazia-me lembrar da minha. Teria ela também curiosidade em conhecer sua cria? Sonhos, planos, expectativas?

Chegou, enfim, o dia em que notamos que já havia outra cabaça no ninho. Ela, agora mãe, não descuidava do filhote. Ele estava sempre sob suas asas e nos observava lá de cima. Criaturas tão estranhas… Ficamos todos felizes com a novidade. Um nascimento é um nascimento. Não importa a espécie em questão. Logo o filhote já ficava mais exposto e crescia a olhos vistos.

Foi num dia como qualquer outro que ela, então, levou o filhote para explorar as árvores ao redor. Vi o ninho vazio e os avistei sobre a árvore vizinha. Como acontece conosco sempre há a hora de deixar o ninho e conhecer o mundo.

Foi então que aconteceu. Fui ao quintal e notei que ela estava sobre a árvore sozinha e posso jurar que vi certo desespero em seus olhos. A percepção do que acontecera me atingiu como um raio. O cachorro! Fui correndo até sua cama e o encontrei lá com o que sobrara do filhote me olhando com algo entre arrependimento e orgulho. Sim, orgulho, o instinto animal não arrefecera mesmo sem precisar dele para sobreviver. Recolhi com o coração apertado o que restara do filhote e limpei o lugar todo. Joguei fora seus restos e lavei as cobertas sujas com algumas manchas de sangue. 

O pior estava por vir. Ao sair para o quintal lá estava ela, de volta ao seu ninho, agora vazio. Por uma fração de segundo trocamos um olhar em que nossos corações de mãe se confraternizaram na tristeza da perda.

Ela voou para o muro alto e de lá, antes de voar embora de vez, olhou mais uma vez para seu ninho, agora vazio e inútil.

*Sílvia Cachone é associada do Caiçara Clube, de Jaú (SP).

Concorreram no Prêmio Literário Sindi-Clube/APL trabalhos de 74 participantes associados de 24 clubes, de dez cidades paulistas, nas categorias poesia, crônica e conto.

Os textos foram analisados pela comissão julgadora constituída por Anna Maria Martins, Mafra Carbonieri (membros da APL) e Joaquim Maria Botelho, presidente da União Brasileira de Escritores.

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Crônica finalista do Prêmio Literário Sindi-Clube/APL fala da esperança trazida pela chuva

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O autor da crônica “Chuva”, Mário Sérgio Fioretti, que ficou em segundo lugar do gênero no Prêmio Literário Sindi-Clube/APL, adotou um tom quase confessional para descrever a sensação que se tem quando se avizinha a chuva e pensa-se no que poderia ir junto com a correnteza.

Chuva

Mário Sérgio Fioretti*

Ouvi os trovões, vi os raios caírem. E estou esperando pela chuva.

Uma chuva que não seja fraca, que venha com um pouco de vento e muita água.

Água que bata nas paredes, espalhe pelas janelas e passe através das árvores.

Que corra pelas sarjetas e flua pelos bueiros e galerias, desaguando com força e vontade num rio qualquer.

Estou esperando por uma chuva que lave minha alma e a alma de um milhão de outras pessoas.

Que não inunde nada, mas que jorre forte do céu e leve na sua correnteza toda a sujeira da minha cidade.

Não leve apenas o pó em suspensão e a lixarada das ruas, mas também o barulho e os maus cheiros. Leve a maldade e a insegurança, a falta de cidadania, leve as pichações dos prédios e monumentos que eu amo.

Que leve também a pressão do que é esperado eu fazer, a falta de tempo, a ansiedade por cumprir todos os compromissos do mês e deixe mais leve tudo o que carrego comigo.

Enquanto cair, que venha acompanhada de mais trovões, como que para anunciar que é a chuva definitiva, forte, mas apaziguadora.

Que suas grandes e pesadas gotas estejam carregadas de paz, e que as sinta na sua totalidade enquanto saio para o céu aberto e me encharco desse liquido raro. Que eu sinta meus cabelos grudarem na minha testa e meus olhos se embaçarem. Sinta a água fria descendo pelo meu tórax e escorrendo pelas minhas pernas.

Aí eu gostaria que ela começasse a diminuir de intensidade para que eu possa ver a correnteza indo embora e levando para os ralos tudo o que precisa ser levado. Para sempre.

E quando ela passar, que tudo esteja limpo e fresco, num silencio suficiente para que eu possa ouvir os últimos pingos serem pingados, e o lento tornar das coisas que eu gosto.

E em paz.

 

*Mário Sergio Fioretti, associado do Esporte Clube Pinheiros, é advogado e professor universitário.

Concorreram no Prêmio Literário Sindi-Clube/APL trabalhos de 74 participantes associados de 24 clubes, de dez cidades paulistas, nas categorias poesia, crônica e conto.

Os textos foram analisados pela comissão julgadora constituída por Anna Maria Martins, Mafra Carbonieri (membros da APL) e Joaquim Maria Botelho, presidente da União Brasileira de Escritores.

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