Estudos apontam que malhar de manhã é melhor para hipertrofia

Turibio Barros*

Ganhar massa muscular ou desacelerar sua perda é extremamente importante para a manutenção da saúde e da qualidade de vida.

Mas haveria um melhor momento para realizar os exercícios para ganhar músculos?

Até o momento, vários estudos apontavam o anoitecer como o período mais favorável para o desenvolvimento muscular, ou seja, a hipertrofia.

Mas essa pode não ser uma realidade.

Um estudo publicado recentemente, realizado com mulheres acima de 60 anos apontou justamente o contrário.

Esses estudos prévios, que apontavam o anoitecer como melhor horário para se exercitar, foram realizados com indivíduos jovens e, além de se questionar a magnitude do impacto de se eleger um determinado período para a realização dos treinos sobre a hipertrofia, não se sabe se esses benefícios seriam aplicados para todas as faixas etárias.

No novo estudo, as voluntárias que treinaram pela manhã, por doze semanas de treinamento de força com dez a doze repetições, apresentaram maiores benefícios do que aquelas que treinaram à noite em todas as variáveis estudadas: força, desempenho de testes funcionais, massa muscular, glicose sanguínea e triglicérides.

As voluntárias do grupo controle, ou seja, as que não se exercitaram, obviamente não apresentaram nenhum benefício.

No entanto, cabe aqui uma importante discussão: o exercício precisa ser prazeroso para que possa ser incorporado numa rotina praticamente diária.

Portanto, precisamos lembrar que muitas vezes “o ótimo é inimigo do bom”.

Se você detesta acordar cedo, não adianta optar por treinos de manhã.

Faça exercícios no momento do dia em que você se sentir bem para realizá-los.

Assim, seu treino será mais prazeroso, renderá muito mais e certamente resultará em maiores benefícios.

*Turibio Barros: mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

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Pré ou pós-treino? Entenda o melhor momento para ingerir suplementos proteicos

Cristiane Perroni*

Os suplementos proteicos como o Whey Protein, proteínas vegetais e proteína da carne, são normalmente prescritos para acelerar a recuperação muscular, reparar os tecidos, minimizar o catabolismo proteico, potencializar o ganho de massa muscular e para aumentar a quantidade de proteína da dieta.

Nas primeiras duas horas após o exercício, o fluxo sanguíneo está aumentado para os músculos, levando mais nutrientes e absorvendo mais proteína e glicose, mais sensíveis à ação da insulina que possui efeito anabólico promovendo a síntese de glicogênio.

Mas parece que a “janela anabólica” pode durar mais horas, algo em torno de quatro a seis horas ou mais, após a sessão de treinamento.

A quantidade de 20 a 30 gramas de proteínas ingeridas pré ou pós-treino parece ser suficiente para maximizar a síntese proteica após o exercício.

Nas demais refeições é preciso manter ingestão regular de proteínas ao longo do dia de 0,25 a 0,3g proteína por quilo de peso por refeição.

Há um limite de proteína que pode ser estocada. Todo excesso ingerido é transformado em gordura.

Existe o melhor momento de ingestão dos suplementos proteicos de acordo com a atividade esportiva?

Em atividades de endurance, a utilização é indicada pós-treino porque a digestão da proteína é mais lenta, tomar suplemento proteico antes de iniciar o treinamento pode causar desconforto gástrico, sensação de plenitude e atrapalhar o treino.

Em atividades de força ou treinamento contra resistência, a suplementação de proteínas pode ser realizada pré ou pós-treinamento.

Estudos têm demonstrado que mais importante do que o momento em que a proteína é ingerida (pré ou pós) é manter a ingestão proteica elevada ao longo do dia, distribuídas em várias refeições.

É preciso um intervalo de 1h30m a 2 horas entre as refeições para a síntese proteica.

Portanto, se o atleta treina na hora do almoço ou próximo ao jantar, é mais indicado a suplementação pré-treinamento para garantir a absorção da proteína do suplemento e a presente na refeição.

A prescrição de suplementos deve ser realizada de acordo com as necessidades individuais, estilo de vida, programa alimentar, tipo de treino e objetivos a serem alcançados.

Não existe “receita de bolo”.

*Cristiane Perroni: Nutricionista formada pela UFRJ e pós-graduada em obesidade e emagrecimento. Tem especialização em nutrição clínica pela UFF, especialização em nutrição esportiva pela Universidade Estácio de Sá e trabalha com consultoria e assessoria na área de nutrição. (http://www.crisperroni.com.br/).

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Dor muscular x lesão: aprenda a diferenciar casos após treinamento

Raquel Castanharo*

Toda atividade física, principalmente em iniciantes ou quando se aumenta a quantidade de treinos, provoca uma dor muscular no dia seguinte, chamada de dor muscular de início tardio.

Ela é normal, faz parte do esporte e inclusive é benéfica para o corpo.

Mas, você sabe diferenciar essa dor natural de uma dor causada por lesão?

A dor muscular tardia acontece um ou dois após a realização de exercícios.

Antes se acreditava que o culpado por esse desconforto era o acúmulo de ácido lático, mas pesquisas recentes refutaram essa ideia.

A verdade é que os mecanismos microscópicos envolvidos nessa dor ainda não são totalmente conhecidos.

Sentir-se dolorido após um treino tem suas vantagens.

Isso significa que seu músculo passou por um estímulo e, ao final da recuperação, estará mais preparado para a atividade física.

Porém, vamos aos sinais de que essa dor não está normal e pode ser uma lesão:

  • A dor não diminui em até 72 horas;
  • O incomodo não é no ventre muscular e sim na articulação;
  • A dor parece uma pontada aguda no músculo e não uma sensação de rigidez, que é o esperado na dor muscular tardia;
  • Há hematoma, região vermelha e inchaço.

Entender o corpo e seus limites é essencial para manter uma prática de atividade física saudável.

Por isso, caso haja suspeita de que a dor não seja algo normal, é preciso manter a atenção, diminuir o ritmo, e se persistir procurar ajuda profissional.

*Raquel Castanharo: Fisioterapeuta formada e mestra em biomecânica da corrida na USP. Realizou pesquisa em biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, Canadá. Trabalha com fisioterapia e avaliação biomecânica em São Paulo e Jundiaí. www.raquelcastanharo.com.br

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Anti-inflamatórios sem prescrição podem causar lesões nos rins e coração

Nabil Ghorayeb*

Não é a primeira vez que detectamos essa loucura de atletas e esportistas usarem anti-inflamatórios por conta própria.

Isto é, sem prescrição médica, como se fosse algo isento de riscos.

Vários participantes de corridas de rua, de triatlo e outras modalidades confirmaram que o chão nas largadas fica coalhado de plásticos desses medicamentos, em geral cápsulas de anti-inflamatório.

Sem dúvida um bom produto farmacêutico, mas com limitações médicas bem claras.

Os efeitos colaterais são vários e o mais frequente são lesões dos rins.

Danos progressivos que podem terminar em uremia de graus variados, com risco de necessitar tratamentos com diálise renal.

Não depende só da dose eventual e sim de uma lesão renal leve e desconhecida que vai piorar com o uso indiscriminado de anti-inflamatórios de variados tipos.

A lesão cardíaca poderá ocorrer diretamente por ação desse tipo de medicamento causando cicatrizes no miocárdio, chamadas de fibroses cardíacas.

Elas são um gatilho que pode desencadear um fenômeno conhecido como arritmias de todo o tipo, benignas e mesmo malignas.

Situação que nenhum um atleta pode querer.

Não podemos deixar de alertar, mais uma vez, porque um imenso número de corredores e atletas acha que será melhor para suas performances não sentir nenhuma dor no corpo, o que concordamos plenamente.

Porém, usar desses meios é cobrir a ferrugem de um metal com uma capa que o esconderá.

Se sente dor é porque tem algo errado ou lesionado.

E essa lesão só tende a piorar sem você se dar conta, já que o alarme, que é a dor, foi desligado.

A velha história de que sem dor não há ganho é um perigo para sua musculatura e ossos, não caia nessa.

Você já deve ter visto algum atleta ter rompimento do tendão de aquiles, quando na maioria dos casos ele está caminhando tranquilamente e sente como se fosse uma pedrada no tornozelo e de repente cai com o pé totalmente “solto” e sentindo uma forte dor.

O rompimento foi naquele momento, porém o início do esgarçamento do tendão vem há de dias antes, com leves dores que foram abolidas com medicação anti-inflamatória, mascarando uma lesão pequena que foi aumentando até romper aquele tendão.

Por isso, insistimos, não se automedique sem saber o que está acontecendo, ainda mais com analgésicos e anti-inflamatórios.

*Nabil Ghorayeb: Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.(http://www.cardioesporte.com.br/clinica/clinica.asp)

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Nutrição x cãibras: saiba como evitar as dores com alimentação apropriada

Cristiane Perroni*

As cãibras musculares associadas ao exercício podem ter várias causas.

Os tipos mais comuns são fadiga muscular, com alterações no controle neuromuscular, condições ambientais extremas como frio comum em nadadores e esquiadores, por exemplo, calor e alta umidade.

Mas, elas também podem ocorrer em casos de desidratação, perda de eletrólitos e até problemas médicos, como alterações circulatórias.

São muito comuns em atletas de endurance como maratonistas, triatletas e ciclistas.

Mas, a boa notícia é que a nutrição pode contribuir para prevenir esses episódios.

Cãibras decorrentes do calor

Esses são os tipos de cãibras associados à desidratação e perda eletrolítica.

E vários deles, como sódio, potássio, cloro e magnésio, estão envolvidos na contração muscular.

Entretanto, estudos são contraditórios quanto a desidratação e a ocorrência de cãibras.

Uma desidratação leve, de até 3% de perda de peso através da transpiração, parece não ter influência na ocorrência de cãibras.

As concentrações de cálcio, potássio e magnésio presentes no suor são baixas, ou seja, sendo menos propensos a causarem cãibras.

Com isso, derruba o mito de ingerir alimentos fontes de potássio como a banana para prevenir cãibra.

A suplementação é indicada somente em casos de deficiência, o que é raro em atletas, ou por uso de medicamentos que reduzam esses minerais.

Orientações para prevenção

  • Manter a hidratação diária com ingestão de 35 a 40 ml de água por quilo, por dia.
  • Ingerir de 400 a 800 ml de água por hora durante treinos e provas.
  • Utilizar uma cápsula de eletrólitos (cloro, sódio, potássio, magnésio) por hora ou bebida que contenha esses eletrólitos em provas de maior duração.
  • Evitar a ingestão de bebida alcóolica antes do exercício por favorecer a hiponatremia (redução de sódio no sangue) e, após o exercício, por favorecer a desidratação e retardar a recuperação muscular.

Cãibras decorrentes da fadiga muscular

As cãibras seriam provocadas por um controle neuromuscular anormal causado pela fadiga muscular.

Quando ocorre depleção de glicogênio e fadiga há redução do desempenho esportivo, da resposta imunológica e perda de massa muscular.

Nesse caso, é preciso atenção à alimentação diária e seguir um programa alimentar com fornecimento adequado de energia, macro e micronutrientes.

A alimentação antes, durante e após exercício pode contribuir para prevenir, retardar ou tratar a fadiga muscular, e assim, diminuir o risco de cãibras.

  • Antes do exercício: de uma a duas horas antes do treino ou competição: ingestão de 1 a 2g de carboidratos por quilo de peso. Pequena ingestão de proteína ou gordura. O uso de carboidratos pré-treino é indicado para manter a glicose plasmática e os estoques de glicogênio muscular e hepático.
  • Durante o exercício: 30 a 60g de carboidratos por hora. Permite prolongar a permanência no exercício, fornece energia para o músculo e mantém a glicemia constante. Escolher melhor tolerados e fáceis para transportar. Exemplos: gel, gomas, rapadura, bananada, fruta, bebida esportiva.
  • Após o exercício: o maior momento de reposição de glicogênio muscular ocorre durante as primeiras duas horas após o exercício, acelerando a recuperação muscular.

*Cristiane Perroni: Nutricionista formada pela UFRJ e pós-graduada em obesidade e emagrecimento. Tem especialização em nutrição clínica pela UFF, especialização em nutrição esportiva pela Universidade Estácio de Sá e trabalha com consultoria e assessoria na área de nutrição.

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Saiba como manter o desempenho e se exercitar sem medo no frio

Nabil Ghorayeb*

O inverno está próximo e, para nos prevenir do frio, os casacos saem do armário e alguns hábitos se alteram.

Assim deve ser também com a prática de exercícios, que pode ser segura mesmo em temperaturas muito baixas, como nos Jogos de Inverno, desde que com a devida atenção, já que a falta de cuidados preventivos pode causar queda do desempenho e transtornos à saúde do atleta.

No frio, a perda de calor para o ambiente pode provocar redução da temperatura corporal (hipotermia) que se manifesta por fala arrastada, marcha trôpega, tremores e confusão mental.

Em competições extremas com temperaturas muito baixas, menores que 0°C, pode ocorrer congelamento e necrose das extremidades.

Ventos fortes e umidade da pele contribuem para esses efeitos do ar frio próprio das montanhas do hemisfério norte e polos.

Outro fato é a falsa impressão de que no frio a necessidade de reposição hídrica é menor, podendo causar desidratação.

O gasto energético e utilização de carboidratos durante o exercício também é maior durante o frio, para compensar a perda de calor para o ambiente.

A falta de carboidratos e a desidratação podem causar queda do desempenho e fadiga precoce nos exercícios ou provas de maior duração.

Os principais cuidados são:

  1. Condições climáticas: verifique a temperatura, umidade relativa do ar, presença e velocidade de ventos no local de exercício ou da competição.
  2. Prevenção contra perda de calor: vista primeiro a roupa térmica fina (polipropileno, poliéster ou lã, nada de algodão) que retenha calor e deixe passar a umidade. Adicione uma roupa impermeável para proteção contra chuva e vento e que seja fácil retirar ou colocar de acordo com o conforto térmico durante o exercício. Se o frio exigir, use uma roupa intermediária de “fleece” ou lã e fique alerta para as regiões do corpo por onde perdemos grandes quantidades de calor (cabeça, pescoço, pernas, mãos). Essas devem ser cobertas.
  3. Prevenção da desidratação: ingira água ou bebidas esportivas antes, durante e depois dos exercícios, mesmo sem ter sede. Durante exercícios ou provas com duração maior que uma hora, aumente a reposição de carboidratos.
  4. Ritmo do exercício: Mantenha um ritmo adequado de exercício, de acordo com a aptidão física, para evitar queda do desempenho na etapa final. Isso pode baixar a produção calórica e contribuir para hipotermia.
  5. Recuperação: Troque as roupas úmidas ou molhadas e aumente a proteção térmica no final dos exercícios prolongados, principalmente após corridas. Já foram observadas hipotermias pós-competições realizadas entre 10°C e 18°C.

*Nabil Ghorayeb: formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

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O que te motivaria a adotar a prática de exercícios? Descubra

Gerseli Angeli e Turibio Barros*

Já falamos inúmeras vezes sobre a importância de se incorporar hábitos de vida mais ativos para se conquistar mais saúde, qualidade de vida e também um corpo em forma.

Para que isso aconteça, será que basta apenas que nos seja oferecida a oportunidade de nos exercitarmos mais, como, por exemplo, a criação de ciclovias e instalação de equipamentos de ginástica em praças, além, obviamente, das questões de segurança?

Curiosamente, esse foi o tema de um artigo publicado recentemente no site do ACSM (American College of Sports Medicine).

Nele, a autora faz uma análise da relação ciclovia x ciclistas, ressaltando que a simples criação de ciclovias não é suficiente para que se tenham mais pessoas adotando a bicicleta como meio de transporte ou simplesmente como exercício de escolha.

Afinal, estamos falando da criação de novos hábitos de vida.

E quando se fala da criação de novos hábitos, o principal fator a ser considerado somos nós mesmos, ou seja, é uma questão de escolha individual, assim como parar de fumar ou adotar uma alimentação mais saudável.

Precisamos entender o que nos motiva a iniciar e a adotar, de fato, o hábito de fazer exercício.

Quando perguntamos para as pessoas se elas gostam de café a primeira vez que tomam a bebida, inúmeras dirão que não.

E em seguida vão dizer que se “acostumaram” a tomar café.

O que nos faz acostumar a tomar café?

O que nos motiva?

Seguindo o mesmo raciocínio, o que nos motivaria a aderir à bicicleta ou à prática de atividades físicas?

A cidade americana de Boca Raton, no estado da Flórida, possui uma excelente rede de ciclovias, com clima agradável e geografia plana.

Isso faz com que as pessoas prefiram as bicicletas em vez de seus carros?

Infelizmente, não.

Mais uma vez, podemos perceber que adotar novos hábitos depende exclusivamente de nós mesmos, e, portanto, precisamos entender o que nos motivaria a gostar de fazer exercícios e colocar isso em prática.

*Turibio Barros: Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com

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Musculação orientada não afeta o crescimento dos adolescentes

Turibio Barros*

Dentre os vários mitos relacionados à prática de atividade física, a relação entre exercícios e crescimento é um dos que ainda carece de maior esclarecimento.

Em primeiro lugar, existe a preocupação de que algumas modalidades possam prejudicar o crescimento durante a fase de desenvolvimento.

Este é um assunto muito polemizado e invariavelmente aborda a questão da prática da musculação.

O paradigma que existe é que jovens em fase de crescimento não podem fazer musculação.

Esta questão é praticamente respondida com o raciocínio do bom senso.

Certamente, um jovem antes da puberdade, não tem ainda o aparelho locomotor amadurecido para fazer a musculação pesada visando hipertrofia.

Não tem sequer a retaguarda hormonal para promover aumento expressivo da massa muscular.

O exercício pesado de musculação poderia causar danos nas zonas de crescimento ósseo e até prejudicar o processo de desenvolvimento.

Vale lembrar que é muito raro isso acontecer, pois para tanto seria preciso um exagero muito grande que certamente iria provocar um mecanismo de defesa na forma de um quadro doloroso que cercearia o processo.

Exercícios com pesos aplicados de forma orientada e racional não são proibidos para jovens e não vão prejudicar o crescimento.

Por outro lado, existe também o mito de que exercícios físicos podem acelerar o crescimento ou mesmo promover um ganho de estatura para jovens com baixa estatura.

A verdade é que nenhum programa de exercícios vai alterar a altura definida pela herança genética.

Os fatores que podem alterar o crescimento geralmente estão relacionados a problemas hormonais ou carências nutricionais.

Exercícios não promovem ganho nem perda de centímetros de tamanho, porém promovem saúde para um crescimento normal.

*Turibio Barros: mestre e doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com

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Mouth rinse: bochechar sem ingerir carboidrato pode retardar a fadiga

Turibio Barros*

A fadiga é um mecanismo bastante complexo.

Na verdade, podemos até entender que a sensação de cansaço ou fadiga, nada mais é do que um verdadeiro mecanismo de defesa.

Apesar desse caráter de “proteção”, um dos propósitos do treinamento físico é retardar a fadiga.

Na realidade, quando os efeitos do treinamento se manifestam, ocorre à melhora da reserva funcional do nosso corpo, e esta maior reserva proporciona a capacidade de realizar uma maior quantidade de trabalho físico até o limite da fadiga.

Assim como os efeitos do treinamento, existem procedimentos que proporcionam uma maior capacidade de realizar trabalho, e os agentes determinantes desses efeitos são chamados genericamente de agentes ergogênicos.

Eles podem ser de natureza nutricional, biomecânica e ou psicológica, e compreendem inúmeras estratégias que são utilizadas por atletas e praticantes de esportes competitivos.

Existem também os agentes ergogênicos farmacológicos, que compreendem as substâncias proibidas pela legislação esportiva caracterizando o doping.

Há um procedimento relativamente recente que tem sido bastante estudado nas ciências do exercício.

Trata-se de um “bochechar” com uma solução com carboidrato (concentração em torno de 10%) durante cerca de 5 a 10 segundos sem que o indivíduo faça a deglutição da solução.

Este procedimento realizado de forma intermitente durante um exercício de longa duração parece realmente melhorar o desempenho, retardando a fadiga.

O procedimento é conhecido como “mouth rinse”.

Curiosamente, dois artigos científicos muito recentes foram publicados mostrando o efeito desse procedimento com ciclistas treinados.

Ambos foram publicados neste mês de março de 2018, no Journal of Sport Science and Medicine e no Medicine and Science of Sports and Exercise.

No caso desse procedimento, fica até difícil explicar como seu efeito se manifesta, sendo que, nos dois estudos citados, os autores afirmam que se trata de um mecanismo neurogênico com origem na mucosa bucal e de efeito no cérebro, caracterizando quase como se o cérebro estivesse sendo “enganado” com consequente retardo da fadiga.

Fica mais uma vez um verdadeiro desafio científico para ser mais bem elucidado, porém já se trata de um procedimento que está sendo utilizado em diversas modalidades esportivas, com resultados bastante promissores.

*Turibio Barros: Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do Esporte Clube Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. (www.drturibio.com).

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Está parado? Que tal voltar a praticar os esportes da infância?

Treinador explica que para aquelas pessoas que não gostam das atividades mais comuns à vida adulta, retomar exercícios como futebol ou lutas pode ser a forma de se afastar do sedentarismo

*Gustavo Luz

Existem muitos adultos, hoje em dia, que já praticaram atividade física de forma regular (e às vezes até bem intensa) no passado, mas que, no momento, não conseguem arrumar motivação e/ou tempo para voltar aos exercícios.

Quando mais novos, parece que temos mais opções de atividades, como escolinhas de diferentes esportes coletivos, aulas de dança, lutas, entre outros.

E quando chegamos à vida adulta, muitos não conseguem encontrar motivação praticando aquelas modalidades mais comuns aos adultos, como corrida, natação, musculação, yoga, entre outras.

Pode acontecer de essa falta de empatia com as atividades esportivas mais comuns da vida adulta se transformar em sedentarismo.

Ao mesmo tempo, cresce o estresse no trabalho, a correria do dia a dia e também a preocupação financeira e com o bem-estar da família.

É aí que está o problema, pois é justamente na fase adulta que a gente tem que se manter treinando, para retardar ou evitar potenciais doenças ou lesões que podem se desenvolver no futuro – e, acredite, a prevenção é sempre melhor do que o tratamento.

Experimente voltar a praticar essas modalidades que te fizeram bem no passado.

Sei que muitas vezes os horários e a logística podem tornar esse processo um pouco mais difícil, mas isso pode valer à pena e melhorar muito a sua saúde.

É provável que seu corpo ainda tenha alguma memória muscular dessas atividades, e por isso recomeçá-las pode não ser tão difícil para o seu organismo.

Se você já tem mais de 40 anos, no geral, seus processos fisiológicos e metabólicos vão ficando mais lentos e ocorre uma maior dificuldade em manter ou aumentar seus músculos.

O mais importante aqui é encontrar uma forma de se exercitar e proporcionar condições que favoreçam o treinamento a médio e longo prazo.

*Gustavo Luz: É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor técnico da G-LUZ Top Team, vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

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