Estudo confirma que conhecer os benefícios do exercício aumenta dedicação à atividade física

Nabil Ghorayeb*

Parece algo óbvio, mas mesmo assim, médicos australianos fizeram pesquisas e confirmaram que quanto mais pessoas se convencerem dos benefícios do exercício físico, mais tempo elas dedicarão para essas atividades, deixando de lado o perigoso sedentarismo.

 

Ao todo, foram estudadas 615 pessoas em um teste de conhecimentos sobre o tema e incluiu o questionamento de quanto tempo eles gastavam em uma caminhada, uma atividade de intensidade moderada, como a natação suave, e uma atividade de intensidade vigorosa, como o ciclismo.

 

A pesquisadora líder da apuração, Dra. Stephanie Schoeppe, e colegas confirmaram que a atividade física regular reduziu o risco de mortalidade por todas as causas em 30%, diminuiu o risco de desenvolver doenças crônicas, como doença cardiovascular, em 35% e o diabete tipo 2 em 42%, além do câncer de cólon em 30%.

 

Na média, no entanto, os participantes conseguiram identificar 14 das 22 doenças associadas à inatividade física.

 

E a maioria foi incapaz de estimar com precisão o aumento do risco de doença resultante da inatividade.

 

Na verdade, ser ativo fisicamente e regular no volume aumenta a longevidade e a qualidade de vida.

 

O desconhecimento de mais da metade desse grupo pesquisado de quanto de atividade física é recomendada para ter os benefícios à saúde é o mais preocupante.

 

Hoje, pelo mundo ocidental, se recomenda que adultos com idades entre 18 e 64 anos se dediquem pelo menos a 150 minutos de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade física de intensidade vigorosa por semana.

 

Os participantes foram significativamente mais ativos quando sabiam corretamente uma quantidade maior de doenças associadas à inatividade física.

 

Essa conclusão do elevado desconhecimento que acontece nos ativos e nos sedentários vai obrigar a mudança na estratégia da promoção da saúde, devendo ter como objetivo primário aumentar conhecimento sobre as doenças associadas ao sedentarismo e tomar a decisão de se tornar ou se manter ativo quanto antes, condição essa que as pessoas vão adiando por qualquer motivo.

 

O velho chavão ainda vale muito: qualquer atividade física é melhor que nenhuma.

 

Ainda, o risco de desenvolver doenças cardíacas para a maioria dos jovens parece muito distante para levá-los a mudar já o seu comportamento inativo.

 

Para a maioria das pessoas muito ocupadas ou sem ânimo para começar, os parentes, amigos e mesmo colegas de trabalho poderiam ser os agentes dessa mudança de hábitos.

 

*Nabil Ghorayeb: Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

 

Combater o câncer de próstata com exercícios físicos, mais uma novidade animadora

Nabil Ghorayeb*

No mês do combate ao câncer de próstata – o novembro azul – foram feitas novas pesquisas, desta vez na Johns Hopkins Medicine, pelo urologista Michael Hiroshi, provando que o exercício físico, além dos benefícios já conhecidos, tem um novo benefício adicional: melhora as chances contra o câncer de próstata – o câncer mais comum nos homens.

O urologista autor dessa pesquisa explicou a conexão entre câncer de próstata e atividades físicas.

Segundo ele, estudos recentes sugeriram que os esportistas que são regulares no ritmo de treinos, têm menor probabilidade de desenvolver câncer de próstata ou até mesmo morrer dessa doença.

Inclusive detectou que alguns tipos agressivos de câncer de próstata foram encontrados mais em indivíduos obesos.

Em outras pesquisas foi relacionado o ganho de peso com um risco aumentado de o câncer voltar, em homens que já foram tratados.

Um problema importante é o fato da obesidade também poder interferir nas ferramentas de rastreamento do câncer de próstata, como no exame de sangue conhecido como PSA e do exame médico do toque retal digital, tornando mais difícil detectar com maior eficiência essa doença precocemente.

Ele afirma que “após decidir iniciar uma planilha de exercícios, fale com seu médico primeiro, porque todo homem é diferente e, as rotinas e metas variam de acordo com o estado da sua saúde atual”, portanto com a palavra seu clínico do esporte.

O início é gradual e é recomendável impor limites de intensidade e de volume para alcançar o objetivo da regularidade.

Muita intensidade sem orientação pode levar a lesões ortopédicas que te farão parar, exatamente o que não se deseja.

A prática da atividade física, não custa repetir, deve ter três focos: exercícios aeróbicos, fortalecimento muscular e treinamento de equilíbrio.

O sobrepeso e obesidade devem ser controlados, para que tenhamos a saúde cardiovascular principal problema de saúde que se eleva com a idade.

Para quem não tem antecedentes familiares de câncer de próstata, a avaliação urológica e dosagem do PSA, devem ser anuais a partir dos 50 anos, enquanto os indivíduos com antecedentes de familiares diretos, as avaliações começam entre 40 e 45 anos.

Seja quem for e qual esporte pratique ninguém está livre de ter a hipertrofia benigna ou mesmo do câncer de próstata.

A prática esportiva tem consolidado o conceito de proteção contra alguns tipos de câncer tanto no homem como na mulher, vamos nos exercitar.

*Nabil Ghorayeb: formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

Visite o nosso portal e curta o Sindi-Clube no Facebook Instagram para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Excesso de treinamento físico diminui imunidade perigosamente e facilita desenvolvimento de viroses

Nabil Ghorayeb*

Faz alguns anos que a Medicina do Esporte alerta sobre fatos que, aparentemente, não tinha detalhadas explicações, porém, agora os imunologistas e hematologistas conseguiram encontrar os elementos que esclarecem essa antiga dificuldade.

Quanto mais o atleta se esforça e treina intensamente, maior o risco de acabar sendo “premiado” com uma infecção e até mesmo uma arritmia cardíaca.

Em nosso trabalho nessa área, no atendimento de atletas e esportistas amadores e profissionais como no ensino de pós-graduação, começamos a entender o que anteriormente se chamava de “overtraining” clínico, hoje leva o nome de Síndrome do Excesso de Treinamento (SET).

A característica clínica dessa verdadeira doença do esporte inclui aspectos psicológicos típicos, como: cobrança de resultados exagerada e inusitada sem nexo, mesmo quando o atleta consegue boas marcas, insônia, irritabilidade com todos, cansaço físico inexplicável, palpitações frequentes e a temida queda da performance.

As quantidades das cargas de exercício podem causar alterações na imunidade se o exercício for mais intenso e prolongado (ou seja >65% do VO2 máx.).

Os exercícios com intensidades excessivas parecem enfraquecer a imunidade geral.

Quando examinamos maratonistas veteranos, encontramos seus glóbulos brancos (leucócitos) em muito baixa quantidade, em níveis de 2000/mm3.

Vários casos que a mídia explorou como causados pela poluição ou intoxicação externa, eram claramente baixa imunidade.

Essa queda da imunidade ocorre por diminuição dos níveis da glutamina nos músculos, um aminoácido não essencial que tem um fluxo direto e contínuo dos músculos para o fígado, intestino, rins e sistema imunológico.

Como o sistema imunológico necessita de muita glutamina para a manutenção de suas funções, e o exercício físico induz o aumento da atividade dessas células, ocorreria a redução da disponibilidade de glutamina imediatamente após exercícios intensos e prolongados, e no final das contas facilitaria o aparecimento de certas doenças, em especial, as viroses principalmente respiratórias.

Esse verdadeiro fenômeno imunológico negativo, tem aumentado, hoje em dia, e seu tratamento inicial deve ser iniciado pela correção dos hábitos de treinamento, ou seja, devem diminuir ou em alguns casos suspender os treinamentos e recomeçar de modo gradual e lento.

O alerta médico é para não acreditar nunca em medicamentos ou certas substâncias que aumentariam a imunidade, isso ainda não foi conseguido de modo simples, como o famoso, porém, inútil por ser inativado no estômago, oxido nítrico em comprimidos orais.

Ainda a fórmula de sucesso deve se basear numa programação feita pelo profissional de educação física, depois da conveniente avaliação médica especializada.

*Nabil Ghorayeb: formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

Visite o nosso portal e curta o Sindi-Clube no Facebook Instagram para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Intervalado ou contínuo? Descubra qual tipo de treino queima mais calorias

Turibio Barros*

A discussão do maior valor calórico do treino contínuo ou intervalado é uma das controvérsias mais antigas das ciências do esporte.

Para uma análise crítica e fundamentada da questão, torna-se necessário estabelecer alguns conceitos básicos.

Em primeiro lugar, vale lembrar que existem diferenças importantes entre os dois modelos no que se refere à motivação, substrato energético utilizado, incidência de lesões, etc.

O que difere os dois modelos é a intensidade.

O treino contínuo se caracteriza pela intensidade moderada, enquanto que o intervalado é caracterizado por corridas de maior velocidade (exercício intenso), com pausas de recuperação.

O gasto calórico do movimento de correr é na verdade um cálculo baseado na física que estabelece que a energia gasta é o produto da massa (peso corporal) pelo deslocamento.

Portanto, como o peso é o mesmo, a energia gasta (gasto calórico) é proporcional ao deslocamento, ou seja, à distância percorrida.

No exercício contínuo e moderado, a ”conta energética” vai sendo “paga” durante a atividade com predominância do metabolismo aeróbico.

No exercício intervalado e intenso, predomina o metabolismo anaeróbico e a “conta” é paga uma parte durante e o restante ao término do exercício.

O “pagamento” após caracteriza o chamado EPOC, ou seja, o excesso de consumo de oxigênio após o exercício, o que leva ao controverso conceito de que esta situação é mais favorável para o gasto calórico total.

É comum a ideia errada de que o metabolismo permanece aumentado por várias horas após o exercício, o que não é verdade.

Se voltarmos aos conceitos iniciais, podemos perceber que o gasto calórico aumentado ao final se presta a “pagar” a “dívida” de oxigênio contraída pelo metabolismo anaeróbico, porém a conta continua sendo a da energia gasta calculada pela física (massa x deslocamento).

Em resumo, o que vale para cálculo do gasto calórico continua sendo a distância total percorrida, não importando se de forma contínua ou intervalada.

*Turibio Barros: Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com.

Visite o nosso portal e curta o Sindi-Clube no Facebook Instagram para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Caminhar é uma boa opção para sair do sedentarismo e criar novos hábitos

Gustavo Luz*

Quanto menos treinado for o corpo, mais rápido é o surgimento das melhorias físicas.

No caso das pessoas sedentárias, a caminhada é uma ótima estratégia por ser um exercício que pode ser feito em baixa intensidade, mas que proporciona excelentes resultados em relativamente pouco tempo.

Do ponto de vista fisiológico, a caminhada promove a redução da pressão arterial, melhora na circulação sanguínea e nas funções pulmonares, aumenta a liberação de endorfina, além de ajudar no retardo da osteoporose e controlar o diabetes.

O simples fato de você estar caminhando, não importa se por 15 minutos ou uma hora, já faz de você um esportista.

E isso é um ótimo primeiro passo para ter a curiosidade de comer um pouco melhor, de comprar itens mais saudáveis e menos calóricos para a despensa, até por que aprendemos em quilos a mais na balança o custo de um hambúrguer.

É claro que mudar para melhor é muito bom, mas cuidado com a ansiedade de querer resultados rapidamente, você vai ter que ir aos poucos.

Se está sedentário há muito tempo, talvez 15 ou 20 minutos de caminhada sejam uma boa para criar os primeiros hábitos.

Se quiser, depois da caminhada, inclua uma ou duas séries de seis abdominais simples, só pra criar o hábito também.

Aos poucos você vai ganhando confiança e aumentando o tempo do exercício, se quiser.

Uma ótima ideia para você, que não tem experiência nenhuma com atividades físicas, é ter a ajuda de um profissional de educação física, ele é a pessoa certa para manter seus treinos na medida e a motivação em alta.

Quando o ritmo da caminhada começar a ficar confortável demais, uma opção é evoluir para a corrida.

Uma opção, não uma obrigação.

A caminhada já faz de você uma pessoa ativa e, para quem ainda está bem acima do peso, é uma modalidade bastante segura.

Mas, ao sentir que o treino deu uma estacionada, varie os estímulos, mescle treinos de caminhada lenta e rápida ou mesmo caminhada e corrida.

E se optar por experimentar a corrida, uma boa sugestão é começar alternando quatro minutos de caminhada com um minuto de corrida por 20 ou 30 minutos.

*Gustavo Luz: É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor técnico da G-LUZ Top Team, vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições

Visite o nosso portal e curta o Sindi-Clube no Facebook Instagram para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Pesquisa mostra que é possível ganhar força muscular com treinos curtos

Turibio Barros*

Na prática esportiva, manter as forças musculares equilibradas é fundamental para se alcançar a melhora do rendimento, minimizando o risco de lesões.

Portanto, independentemente da modalidade praticada como corrida, ciclismo, futebol, tênis, basquete, standup paddle, etc, os exercícios de fortalecimento deverão estar presentes na nossa rotina.

Para aqueles que ainda não realizam exercícios de força e acreditam que não terão tempo para incluir mais uma sessão de exercícios na agenda, vem aí uma boa notícia!

Um estudo extremamente recente, publicado na revista do Colégio Americano de Medicina Esportiva, mostra que se o objetivo for ganhar força muscular, não há necessidade de treinos longos.

O objetivo do estudo foi comparar os efeitos de diferentes volumes de treinamento sobre as respostas musculares de força, resistência e hipertrofia.

Para isso, 34 indivíduos foram divididos em três grupos: baixo volume (uma série de cada exercício por treino), volume moderado (três séries) e alto volume (cinco séries).

Os três grupos treinaram três vezes por semana durante oito semanas.

De acordo com os autores, todos os indivíduos apresentaram um aumento significativo de força e resistência, sem apresentar diferenças entre os grupos.

Ao mesmo tempo, apesar do tamanho (hipertrofia) muscular ter aumentado em todos os grupos, quanto maior o volume de treinamento, mais expressivo foi o aumento.

Em resumo, de acordo com os autores, sessões rápidas de treinamento de força, com duração de aproximadamente 13 minutos, três vezes por semana são capazes de proporcionar um aumento consistente na força e na resistência muscular.

Por outro lado, se seu objetivo primário for a hipertrofia, vale a pena investir em maiores volumes de treino para garantir resultados mais satisfatórios.

*Turibio Barros: Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. (www.drturibio.com).

Visite o nosso portal e curta o Sindi-Clube no Facebook Instagram para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Respeite seus limites e evite lesões

Gustavo Luz*

Algumas pessoas são mais duras consigo mesmas do que com os outros.

Às vezes, pensamos naquilo que não temos e em coisas que não somos tão bons em vez de considerar os nossos pontos fortes.

O lado competitivo do esporte ainda facilita a comparação com outras pessoas, as redes sociais nos permitem comparar e compartilhar cada treino com outros atletas e isso acaba alimentando essa auto avaliação constante, principalmente se o seu negócio for performance ou perda de peso.

O que não deve acontecer é você ficar tão obcecado pelo seu resultado e começar a negligenciar os seus períodos de descanso, entrando naquela onda do “quanto mais, melhor”.

Isso é uma grande cilada, quando não descansamos, estamos dizendo ao processo inflamatório do organismo para ficar em alerta.

É verdade que esse processo é protetor, mas quando o estimulamos demais pela corrida constante e treinos excessivos, por exemplo, podemos encontrar um resultado indesejado, colocando o organismo em estado de inflamação crônica e, assim, aumentando o risco de lesões ou infecções.

Uma sugestão boa e simples é dar um passo de cada vez no treinamento.

Evite começar muitas coisas inéditas ao mesmo tempo.

Tentar dominar uma nova distância, mudar a dieta e também a técnica, tudo ao mesmo tempo, pode acabar te deixando estressado e pouco descansado.

E uma das grandes verdades sobre doenças e machucados é de que a prevenção é melhor que o tratamento, não espere até ter um problema para prestar atenção nos sinais enviados pelo seu corpo.

*Gustavo Luz: É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor técnico da G-LUZ Top Team, vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

Visite o nosso portal e curta o Sindi-Clube no Facebook Instagram para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Medicamentos: atletas devem ter cuidado no uso e atenção aos efeitos colaterais

Nabil Ghorayeb*

O tema dos efeitos colaterais das medicações no esporte é pouco discutido nos congressos e raramente na mídia.

Apenas se aborda o seu efeito doping se houver.

Vamos nos ater em alguns medicamentos para as doenças mais frequentes que atingem o ser humano e que atrapalham a saúde e a capacidade física do atleta.

Uma preocupação antiga, e já alertada, é o uso indiscriminado dos anti-inflamatórios e analgésicos “para tirar e até prevenir o aparecimento de dores” que podem surgir durante as atividades esportivas.

Além de mascarar lesões iniciais, essa automedicação traz um grande risco futuro para a saúde cardíaca e renal do esportista.

Os atletas profissionais têm equipe médica ao seu lado, mas a imensa maioria dos participantes das várias provas populares nunca foi a um médico especialista e ainda acha que tomar anti-inflamatório evita e até cura dores e lesões.

Mas, na verdade, não ajuda na prevenção ou na cura e ainda vai esconder a piora da lesão.

Existem inúmeras variedades de medicações para controle da hipertensão arterial e agem de modo diferente para controlar a pressão.

Por serem para doença crônica essas medicações não podem ser interrompidas sem ordem médica.

Os efeitos colaterais variam conforme o medicamento.

Desde aquele que provoca desidratação até os que causam perda de força muscular e piora da performance física, inchaço nos pés e outros efeitos.

Por isso é fundamental rever a medicação contra a hipertensão com seu médico, que deve escolher os medicamentos apropriados para quem pratica esportes num clima tropical.

Nunca mude por sugestão de profissional da saúde não médico, nem de amigo.

Medicações para arritmias e outras doenças cardiovasculares, por serem bem específicas, precisam de orientações nos detalhes, pois além da própria cardiopatia em tratamento, muitas medicações também agem na sua capacidade física.

Medicações para diabete devem ser orientadas pelo médico quanto ao horário, quantidades e como fazer caso perceba a hipoglicemia.

Consumo de alimentos antes das atividades físicas tem que ser explicado com detalhes.

Uma variedade de medicamentos novos surgiu com poucos efeitos colaterais nos esportes, mas sempre esclareça tudo com seu médico.

Os efeitos das medicações de uso contínuo e modalidades esportivas radicais devem ser muito bem esclarecidos quanto aos riscos e efeitos colaterais.

*Nabil Ghorayeb: formado em Medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, Chefe da Seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, Especialista por concurso em Cardiologia e em Medicina do Esporte, Coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br.

Visite o nosso portal e curta o Sindi-Clube no Facebook Instagram para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Melhore sua flexibilidade dando uma chance ao alongamento

Gustavo Luz*

Quando eu treino, gosto de saber se o que estou fazendo é benéfico para a minha saúde e o meu desempenho.

Não gosto da ideia de apenas colocar atividades improdutivas na minha planilha.

Isso vale para os treinos de corrida – e triatlo – e para qualquer outra atividade complementar.

Entretanto, com alguns treinos complementares, como o alongamento, por exemplo, tentativa e erro são uma das melhores maneiras de descobrir “se” e “como” ele funciona para você.

Quando você decide testar algo novo na sua planilha, dê a isso uma chance justa, algo entre quatro e seis semanas.

Não vale alongar alguns dias, não sentir diferença na performance e desistir.

Uma boa sugestão na hora de escolher o que alongar é pensar nas áreas do corpo que já te deram problema na carreira.

Joelho, panturrilha, tornozelo, etc.

Assim que detectar que parte do corpo alongar, escolha alguns exercícios e separe alguns minutos, pelo menos duas vezes por semana, e dê a esse treino a mesma prioridade que dá para outros.

Você não vai gastar com o alongamento o mesmo tempo dos exercícios e, mesmo assim, os benefícios serão colhidos.

Mas tenha certeza de que está levando a sério.

Uma das grandes verdades sobre lesões e doenças é que a prevenção é melhor que o tratamento.

Não espere até ter um problema para começar a alongar regularmente.

Por outro lado, não é bom começar a alongar uma área que esteja dolorida no momento.

Se você tem uma dor prolongada em algum lugar e ela parece que não vai melhorar sozinha com treino sensato e descanso, procure um bom fisioterapeuta.

E se você vai levar a sério o treino de flexibilidade, uma boa estratégia é fazer uma caminhada ou uma corrida suave de uns dez minutos antes.

Isso é o suficiente para aumentar o fluxo de sangue nas pernas e a temperatura dos músculos.

Depois passe para o alongamento e vá se esticando aos poucos.

Se você tem uma lesão que reduz a quantidade de corrida que faz, talvez seja a hora de experimentar levar esse treino complementar de uma forma bem mais regular.

Converse com algum treinador ou fisioterapeuta primeiramente.

*Gustavo Luz: É educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006 e praticante há quase 20 anos. Diretor técnico da G-LUZ Top Team, vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.

Visite o nosso portal e curta o Sindi-Clube no Facebook Instagram para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.

Entenda por que os exercícios físicos podem funcionar como terapia

Nabil Ghorayeb*

A prática esportiva, principalmente em grupo, reduz ansiedade e depressão.

Vamos falar dos efeitos psicológicos positivos, que envolvem quem é ativo regularmente.

Ou seja, quando os exercícios funcionam como uma verdadeira terapia.

Primeiro, a importante sociabilidade, em pares ou grupos de atletas amadores que se tornam amigos.

Dessa forma, reduzem o isolamento social que eventualmente existe em algumas pessoas.

Outros efeitos psicológicos aparecem, como aumento da autoestima, alívio mais efetivo do estresse e mudança da autoimagem, que melhora incrivelmente até entre os mais tímidos.

Os grandes males da vida moderna, como a ansiedade e depressão, têm uma evolução bem mais favorável mesmo nos que necessitaram de medicação em algum momento do seu tratamento.

Os resultados são incríveis porque todos se ajudam de uma maneira ou outra.

As partidas de tênis, vôlei, futebol e outras, dos fins de semana, se tornam verdadeiros momentos de psicoterapia em grupo para alguns, até aqueles com exageros rompantes das atitudes não tão esportivas.

Ganho na autonomia individual e na imagem completam os ganhos advindos dessa terapia psicológica.

Todos conhecem amigos que se tornaram casais felizes formados nos grupos de atividade esportiva, por exemplo.

Vejam que maravilha equilibrar ou mesmo vencer as agruras psicológicas, que nos afligem em tempos de baixa confiança nos nossos dirigentes políticos, econômicos e, como não, esportivos.

A ordem é treinar e relaxar para não ser atingido emocionalmente pelos tempos tão negativos.

Nabil Ghorayeb: Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

Visite o nosso portal e curta o Sindi-Clube no Facebook Instagram para saber mais de assuntos que interessam ao seu clube.