Boca ou nariz? Respiração no exercício deve ser ajustada pela intensidade

Como existe a ideia de que "respirar pela boca é errado", algumas pessoas podem forçar, involuntariamente, a inspiração só pelo nariz, diz fisiologista
Como existe a ideia de que “respirar pela boca é errado”, algumas pessoas podem forçar, involuntariamente, a inspiração só pelo nariz, diz fisiologista

*Turibio Barros:

A respiração é um processo que se controla de maneira involuntária, isto significa que não precisamos pensar em como respirar mesmo durante um exercício físico. A respiração natural se caracteriza em inspirar e expirar fazendo ar passar pelas fossas nasais, sendo assim possível proporcionar um “filtro” para o ar que vai para os pulmões.

As fossas nasais têm exatamente esta função, desempenhando o papel fisiológico de tentar reter as impurezas do ar que vai aos pulmões, onde ocorrem as trocas gasosas com o sangue. Respirar pelo nariz é, portanto, fisiologicamente correto. Quando existe algum tipo de problema aumentando muito a resistência à passagem do ar durante a inspiração, começa prevalecer à entrada do ar pela boca, mesmo durante o repouso, caracterizando o quadro que leva o indivíduo a ser denominado como um “respirador bucal”.

Esta situação traz preocupações, podendo causar problemas ortodônticos, como também originar o desagradável ronco ao dormir. Respirar pelo nariz, entretanto, significa vencer uma resistência maior à passagem do ar, comparada à respiração pela boca. Quando praticamos uma atividade física, o fluxo respiratório aumenta proporcionalmente à intensidade do exercício. Até certa intensidade, o ajuste da respiração ainda permite que possamos continuar a inspirar pelo nariz.

Toda via, quando certo nível crítico de intensidade passa a ser atingido, a resistência à passagem do ar pelas fossas nasais começa a exigir dos músculos respiratórios um gasto de energia que torna a respiração pouco econômica. Neste momento, também de maneira involuntária, começamos a inspirar pela boca. Trata-se de um ajuste necessário para proporcionar uma adaptação à intensidade do exercício.

Existe, portanto, um limite de intensidade de exercício para que se possa inspirar pelo nariz, quando este limite é atingido, não se deve tentar “corrigir” a respiração tentando evitar a respiração bucal. Neste momento isto não é um erro, é uma necessidade.

*Turibio Barros: Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine. www.drturibio.com

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