Pesquisas mostram que sono na medida certa é bom e faz falta, principalmente entre esportistas

 

Nabil Ghorayeb*

 

Todos sabem que para controlar as doenças cardiovasculares precisamos de boas medicações, dieta organizada e saudável e atividades físicas.

 

Porém, a falta crônica de sono, e mesmo a má qualidade dele, seja por fatores clínicos, desde doenças menos graves, como problemas de acordar algumas vezes durante a noite por causa de uma hipertrofia benigna da próstata e outras, como a insuficiência cardíaca descompensada que provoca falta de ar ao se deitar, podem ser um problema para os atletas, segundo um estudo espanhol.

 

Uma pesquisa feita na Espanha com 4.000 voluntários, com média de 46 anos de idade e sem cardiopatias, liderada pelo Dr. Jose Ordovás e publicada em janeiro de 2019, na JACC, poderosa revista de cardiologia norte americana, descobriu que os que dormiam menos de seis horas por noite tinham 27% a mais de chance de ter aterosclerose em todo corpo, do que os que dormiam sete ou não mais de oito horas por noite.

 

O mais surpreendente foi que pessoas que dormiam muito, principalmente mulheres que dormiam mais de oito a nove horas, também eram mais propensas a problemas cardiológicos.

 

Os que tinham má qualidade de sono tiveram 34% mais de problemas cardiológicos.

 

Por coincidência, a famosa Cleveland Clinic publicou no seu site recomendações sobre um sono de qualidade, pois calculou que 100 milhões de americanos não têm um sono adequado e reconfortante.

 

A pergunta de quanto de sono é necessário, feita pela Fundação Nacional do Sono do EUA, chegou a um valor médio de seis horas e 40 minutos por noite na semana, e de quase oito horas nos fins de semana, e isto representava que as pessoas mais usavam internet ou traziam trabalhos para casa do que dormiam.

 

Umas das consequências desse estudo foi a de que os que dormiam menos tinham baixas performances físicas, dificuldades cognitivas e até depressão e isto refletia no trabalho e no lazer.

 

A irritação e decisões confusas tiveram um aumento acentuado nesse grupo que dormia menos.

 

Nos, esportistas, se não houver um sono reconfortante, procure ajuda médica para corrigir as causas.

 

Lembre-se que a nossa capacidade física piora e, com isso, se eleva o risco de aparecimento da aterosclerose em quem não existiria essa possibilidade.

 

O uso de medicações alternativas milagrosas não é confiável.

 

As medicações tarja preta devem ter limite de tempo de uso para não se tornar dependente delas.

 

Tratamentos psicoterápicos são opções frequentes, porém, costumamos lembrar que ainda o velho e bom exercício físico regular tem servido de opção para descarregar as tensões do dia a dia, permitindo um bom sono com a ressalva de que ao treinar à noite, evite ir dormir logo em seguida do treino.

 

Espere pelo menos 60 minutos para ir dormir, desligue a TV, IPAD celular e outras mídias.

 

Não use cafeína e derivados e assim para poder dormir o tão almejado sono reconfortante.

 

*Nabil Ghorayeb: formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

Estudo prova que exercícios regulares diminuem chances de complicações do câncer

Nabil Ghorayeb*

 

Quando falamos nos benefícios de ser ativo fisicamente, muitos ainda se surpreendem, porém, cada vez mais, pesquisas, dos mais diversos focos, demonstram que estamos no caminho certo.

 

Um longo estudo feito ao longo de 14 anos num grupo de 5.807 pacientes com algum tipo de câncer, publicada em dezembro de 2018, concluiu que praticar exercícios físicos após ter diagnóstico de câncer, melhorou os efeitos do tratamento e em consequência a sobrevida, mesmo em pacientes que não se exercitavam previamente.

 

Os participantes da pesquisa eram principalmente brancos, mais mulheres do que homens (55% contra 45%) e um total de 1390 pacientes (24,4%) disseram que não se exercitaram regularmente antes do diagnóstico e 2400 (41,9%) disseram não se exercitar após o diagnóstico de câncer.

 

Um benefício significativo na sobrevivência, com a prática de exercícios mistos aeróbicos e de fortalecimento muscular, foi observado em pacientes com um dos oito tumores mais comuns: de mama, cólon, próstata, ovário, bexiga, endométrio, esôfago e pele (principalmente o melanoma).

 

Os números foram expressivos, pacientes ativos regulares sobreviveram mais que os pacientes sedentários.

 

Chamou a atenção que se exercitar três a quatro vezes, e mesmo apenas um ou dois dias por semana, antes e depois do diagnóstico de câncer, reduziu o risco de mortalidade em 40% em relação aos habitualmente inativos.

 

Até os pacientes que se exercitaram uma semana antes e depois do diagnóstico de câncer também melhoraram significativamente a sobrevida em comparação com seus colegas sedentários.

 

Eles tiveram uma redução de 32% na mortalidade por todas as causas e na mortalidade específica por câncer mostrou o estudo.

 

Os benefícios de sobrevida foram observados independentemente do sexo, idade, peso, tabagismo ou estágio do câncer do paciente.

 

Esta é uma boa notícia para todos os pacientes com câncer, pois qualquer quantidade de atividade semanal regular é melhor que a inatividade.

 

No entanto, houve preocupação sobre como praticar e qual o exercício possível nos pacientes graves, sem criar riscos adicionais para a saúde.

 

Sem dúvida não se deve propor uma abordagem única para todos os pacientes.

 

Como orientação geral, os pacientes com outras doenças associadas e mais frágeis, precisam ser adequadamente considerados em relação às contraindicações, quando se indica atividade física.

 

*Nabil Ghorayeb: Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.

Estudo confirma que conhecer os benefícios do exercício aumenta dedicação à atividade física

Nabil Ghorayeb*

Parece algo óbvio, mas mesmo assim, médicos australianos fizeram pesquisas e confirmaram que quanto mais pessoas se convencerem dos benefícios do exercício físico, mais tempo elas dedicarão para essas atividades, deixando de lado o perigoso sedentarismo.

 

Ao todo, foram estudadas 615 pessoas em um teste de conhecimentos sobre o tema e incluiu o questionamento de quanto tempo eles gastavam em uma caminhada, uma atividade de intensidade moderada, como a natação suave, e uma atividade de intensidade vigorosa, como o ciclismo.

 

A pesquisadora líder da apuração, Dra. Stephanie Schoeppe, e colegas confirmaram que a atividade física regular reduziu o risco de mortalidade por todas as causas em 30%, diminuiu o risco de desenvolver doenças crônicas, como doença cardiovascular, em 35% e o diabete tipo 2 em 42%, além do câncer de cólon em 30%.

 

Na média, no entanto, os participantes conseguiram identificar 14 das 22 doenças associadas à inatividade física.

 

E a maioria foi incapaz de estimar com precisão o aumento do risco de doença resultante da inatividade.

 

Na verdade, ser ativo fisicamente e regular no volume aumenta a longevidade e a qualidade de vida.

 

O desconhecimento de mais da metade desse grupo pesquisado de quanto de atividade física é recomendada para ter os benefícios à saúde é o mais preocupante.

 

Hoje, pelo mundo ocidental, se recomenda que adultos com idades entre 18 e 64 anos se dediquem pelo menos a 150 minutos de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade física de intensidade vigorosa por semana.

 

Os participantes foram significativamente mais ativos quando sabiam corretamente uma quantidade maior de doenças associadas à inatividade física.

 

Essa conclusão do elevado desconhecimento que acontece nos ativos e nos sedentários vai obrigar a mudança na estratégia da promoção da saúde, devendo ter como objetivo primário aumentar conhecimento sobre as doenças associadas ao sedentarismo e tomar a decisão de se tornar ou se manter ativo quanto antes, condição essa que as pessoas vão adiando por qualquer motivo.

 

O velho chavão ainda vale muito: qualquer atividade física é melhor que nenhuma.

 

Ainda, o risco de desenvolver doenças cardíacas para a maioria dos jovens parece muito distante para levá-los a mudar já o seu comportamento inativo.

 

Para a maioria das pessoas muito ocupadas ou sem ânimo para começar, os parentes, amigos e mesmo colegas de trabalho poderiam ser os agentes dessa mudança de hábitos.

 

*Nabil Ghorayeb: Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP, chefe da seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715, Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde.