É melhor relaxar: estresse engorda, reduz motivação para treinar e afeta o sono

Estudos demonstram que o estresse gera aumento da gordura abdominal e mais vontade de consumir doces e alimentos gordurosos
Estudos demonstram que o estresse gera aumento da gordura abdominal e mais vontade de consumir doces e alimentos gordurosos

* Turibio Barros e Gerseli Angeli

Uma revisão publicada em janeiro na “Obesit Reviews” aborda relação entre o estresse e os fatores que contribuem para o ganho de peso, como: má qualidade de sono, aumento de apetite, do desejo de comer e diminuição da motivação para fazer exercícios.

Todos esses fatores, além de favorecer a obesidade, também tornam mais difícil a perda de peso.

O que, por sua vez, acaba causando ainda mais estresse e frustração, gerando um ciclo vicioso.

De acordo com os autores, estudos demonstraram claramente associações entre o estresse percebido, o ganho de peso e a gordura abdominal.

Além, é claro, da mudança do padrão alimentar, com o aumento no consumo de petiscos (snacks) entre as refeições (especialmente doces) e de alimentos mais gordurosos.

Assim sendo, ao pensarmos num programa de perda de peso, devemos considerar todos estes fatores, procurando solucioná-los ou, ao menos, atenuá-los, sempre que possível.

Um dos aspectos passíveis de controle é a alimentação.

Deficiências em vitamina D, niacina, folato, vitamina B6 e B12 e em ômega 3, aumentam a susceptibilidade ao estresse e à depressão.

A adoção de um padrão alimentar de melhor qualidade, com a inclusão desses nutrientes e o controle para não se aumentar a ingestão de açúcares e gorduras é extremamente importante.

Uma boa noite de sono também ajuda a controlar o estresse e o ponteiro da balança.

São vários os estudos que comprovam que maus hábitos de sono alteram os níveis dos hormônios que controlam a fome, contribuem para a perda de massa muscular, ganho de peso e o aumento de gordura abdominal.

De acordo com a ciência, as famosas oito horas de sono fazem grande diferença para quem quer emagrecer e ganhar massa muscular.

A inclusão da prática de atividades físicas também é muito importante para ajudar a quebrar o ciclo vicioso do sedentarismo e suas consequências.

Reduzir o uso dos recursos tecnológicos que, apesar de facilitarem as tarefas do dia a dia, também nos privam cada vez mais de um padrão de vida mais ativo, já é um bom começo.

Já que podemos fazer compras pela internet e já existe aspirador que limpa a casa sozinho, podemos usar esse tempo extra para caminhar, praticar algum esporte, brincar com as crianças.

Nas horas de lazer, devemos buscar atividades que nos permitam “desconectar” da internet (existem estudos que apontam para relação entre internet e estresse) e que não envolvam padrões sedentários, como: cinema com pipoca, videogame com petiscos diversos, assistir televisão por horas e etc.

Todas essas atividades são prazerosas, mas não devem fazer parte de uma rotina diária.

Como se pode ver, muitos dos fatores contribuintes para o estresse e o ganho de peso estão totalmente sob o nosso controle.

Cabe a nós a força de vontade para dar o pontapé inicial.

* Turibio Barros: Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Membro do conselho científico da Midway Labs, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros. Membro do American College of Sports Medicine.

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Confira os Clubes de Leitura que serão realizados nesta semana

Dois Clubes de Leitura estão agendados para esta semana.

E, para agradar a todos, um deles abordará um livro nacional e o outro, um clássico internacional.

Na quarta-feira (24), às 19h30, no Clube Jundiaiense, o livro escolhido é Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa.

O romance é dividido em duas narrativas que, como é característico da obra do autor, partem do regional para atingir valores universais apresentados em dois diferentes momentos da vida dos personagens: a infância e a velhice.

Já na sexta-feira (26), no Clube Atlético São Paulo (SPAC), às 16h, a obra que será apresentada é Orgulho e preconceito, de Jane Austen.

O romance faz uma crítica à educação, cultura, moral e casamento na sociedade aristocrática do fim do século 18, na Inglaterra.

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Pesquisa mostra novos benefícios da atividade física para o cérebro

Sedentários têm 30% mais risco de doenças neurológicas, em relação às pessoas que fazem exercícios físicos, aponta estudo.
Sedentários têm 30% mais risco de doenças neurológicas, em relação às pessoas que fazem exercícios físicos, aponta estudo.

*Nabil Ghorayeb

A Academia Americana de Neurologia atualizou, no fim de 2017, uma diretriz que reviu várias pesquisas sobre o comportamento do cérebro humano de pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL), principalmente de algumas funções como a memória e sua relação com o exercício físico regular.

A conclusão foi de melhora neurológica quando eram associados aos atuais precários tratamentos farmacológicos.

Essa diretriz, que vai nortear o neurologista norte-americano, se baseou em algumas pesquisas da Mayo Clinic (Rochester).

O estudo mostrou aumento do comprometimento com a idade, ou seja, de 6,7% entre os 60 e 64 anos, de 8,4% entre 65 e 69 anos, de 10,1% dos 70 aos 74 anos, e alcançando 25,2% aos 84 anos.

A demência mais avançada nessas pessoas mais idosas apareceu em 14,9% delas.

A recomendação do que fazer é bem ampla: usar como treinamento neurocognitivo os jogos de mesa (ou até mesmo os de celular) e agregar o exercício físico como uma importante e conhecida ferramenta cardiológica e ortopédica, agora validada pela melhora do comportamento cognitivo com alguma deficiência.

Outra pesquisa reuniu dois mil indivíduos com idade média de 77 anos e cognitivamente normais.

Ficou demonstrado que os praticantes de atividades físicas tiveram 22 a 30% menos risco neurológico do que os sedentários para desenvolver comprometimento cognitivo leve até quatro anos depois.

As associações entre o risco do CCL diminuído, o uso do computador e ser ativo socialmente também foram significativos naqueles que carregavam a apolipoproteína (Apo-E), a única até agora formalmente associada ao aparecimento da demência de Alzheimer.

“Esse nível de redução de risco com base em atividades foi impressionante. Nunca é tarde demais para se envolver nessas simples atividades que estão bem no nosso nariz, segundo a autora principal Yonas E. Geda, da Mayo Clinic School of Medicine”.

*Nabil Ghorayeb: Formado em medicina pela FM de Sorocaba PUC-SP, Doutor em Cardiologia pela FMUSP , Chefe da Seção CardioEsporte do Instituto Dante Pazzanese Cardiologia, Especialista por concurso em Cardiologia e Medicina do Esporte, Coordenador da Clínica CardioEsporte do HCor, CRM SP 15715 , Prêmio Jabuti de Literatura Ciência e Saúde. www.cardioesporte.com.br

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Férias ativas: esporte traz benefícios para corpo e mente no verão

*Ana Paula Simões

 Várias pessoas praticam esporte durante suas férias, empolgadas pelo incentivo dos amigos ou simplesmente porque a viagem exige algumas “caminhadas” a mais.

Cito aqui os benefícios de você manter ou até mesmo começar 2018 de forma ativa.

A prática de exercícios cresce a cada ano no Brasil, especialmente os esportes ao ar livre, e mais agora com a recente febre da corrida.

Nas férias, com a temperatura favorável, buscamos cada vez mais esse bem-estar.

Levantei alguns trabalhos que analisaram a percepção de férias ativas em relação à saúde emocional, física e mental, bem como outros benefícios pessoais e sociais durante e após um período de férias.

 

A primeira análise, tendo em mente que eram pesquisas em turistas ativos, era da intensidade e frequência de sua prática esportiva.

Verifiquei que 77% praticavam esporte de uma a cinco horas por dia, durante o período de férias, dos quais 62% estavam de férias por cinco a nove dias e 33% por dez a 15 dias.

Os esportes favoritos para se praticar, escolhidos por mais de 50% das pessoas entrevistadas, são: atividades de ciclismo, corrida, natação e fitness.

Outros 30% relevaram jogar tênis.

Razões para a prática esportiva nas férias

Olhando os principais motivos para escolher um feriado ativo, podemos ver que a motivação mais popular, escolhida por 24%, é compartilhar um estilo de vida com familiares e amigos.

Seguido de perto com 23% das respostas para aproveitar atividades ao ar livre com boas condições climáticas.

Ou seja, para os turistas, o sol e o bom tempo continuam sendo uma prioridade.

A terceira porcentagem mais significativa, 18%, escolheu este tipo de férias para manter a forma, cuidando de sua saúde. No entanto, os dados mais relevantes do estudo mostram que as vantagens de praticar esporte durante as férias é a busca da saúde.

Impacto positivo na saúde

Para 93% das pessoas pesquisadas, praticar esporte tem resultado direto na satisfação da vida.

Possivelmente, essa satisfação com a vida está relacionada a outras variáveis ​​também analisadas, enfocando o bem-estar físico e mental.

Segundos os dados, 90% confirmaram que praticar esporte nas férias melhora sua saúde e estado físico (eles se sentem mais aptos, enérgicos e ativos) e 78% dizem que também melhora sua aparência física (melhor silhueta e tônus muscular).

As pesquisas também mostram que há melhora no estado emocional, com 90% sentindo-se mais felizes, mais alegres e positivos e 75% sentindo-se mais mentalmente aptos, eles referem se sentir mais focados, proativos e alertas.

Impacto pós férias

Cada vez mais, temos um maior conhecimento da chamada síndrome pós-férias e também os efeitos que ela tem sobre o trabalho e as relações familiares.

Com isso em mente, pesquisei como praticar esporte durante um período de férias pode afetar sua vida quando esse período termina.

No que diz respeito ao retorno ao trabalho, 76% dizem que ficam mais relaxados e revitalizados, refletidos por 77%, afirmando que o esporte os ajudam a relaxar e reduzir seus níveis de estresse em geral.

Em nível social, 65% confirmam que as férias ativas melhoram e reforçam as suas relações familiares, ajudando a prevenir a tensão e pequenas discussões que, em muitos casos, podem levar a uma crise maior ou mesmo a um divórcio.

Como experiência pessoal, vejo que os jogos familiares e práticas com pessoas que amamos nos aproxima e solidifica ainda mais nossos laços e acredito que torna inesquecível o momento.

Bora treinar e aproveitar as férias!

 

*Ana Paula Simões: mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa Casa de São Paulo. Especialista e delegada regional do Comitê de Traumatologia esportiva, médica assistente do grupo de traumatologia da Santa Casa de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Futebol Feminino e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva.  www.anapaulasimoes.com.br

 

Ano novo, vida nova: coloque a atividade física de vez na sua rotina

*Gustavo Luz

Todo começo de ano ressurge a promessa de começar a praticar a atividade física de uma vez por todas.

Você até tenta, arrisca uma semana, duas. Mas, na terceira semana, a rotina e a correria do dia a dia acabam com as suas boas intenções antes mesmo de começar a tomar gosto pela coisa.

E de nada adianta um programa de exercícios que promete maravilhas, mas simplesmente não é compatível com a sua agenda.

Confira então três dicas simples que podem te ajudar na busca pela regularidade:

  1. Treine logo pela manhã

A melhor hora para treinar é a hora em que você pode fazer o treino direito. Pode ser de manhã, à tarde ou à noite. Seu corpo se adapta às condições da sua vida. O mais importante é estar bem alimentado e pronto para o que virá naquele dia. Entretanto, se o seu objetivo é acabar com a preguiça, talvez treinar logo pela manhã seja mais interessante, simplesmente para minimizar as chances de você acabar enrolando e não treinando.

2. Junte-se ao clube

Uma das estratégias mais eficientes de evoluir na corrida é contar com a companhia de outras pessoas. Quem treina em grupo tende a correr com mais frequência, afinal, é mais difícil ceder à preguiça quando o seu time o está esperando. E seus parceiros de treinos podem o estimular a ir ainda mais longe. Assim você fica mais motivado, melhora o seu condicionamento e dá um salto de qualidade nos seus treinos. 

  1. A força do hábito

De acordo com alguns estudos, são necessários 40 dias para se instalarem alguns hábitos (como treinar e comer melhor). Insista, porque o primeiro mês é muito importante para o sucesso do seu programa. 

 *Gustavo Luz é educador físico formado pela Estácio de Sá, treinador de corrida e triatlo desde 2006. Diretor técnico da G-LUZ Top Team vive atento a tudo que se refere à fisiologia do exercício. Também fala com conhecimento empírico de quem está sempre frequentando as competições.